domingo, 29 de abril de 2012

Sobre a nova rotina

Há um tempo queria escrever este post sobre a rotina da vida norte-americana. Bom, da NOSSA vida norte-americana, porque, em 3 semanas, não dá pra saber da rotina de um povo todo, mas da nossa vida, podemos falar. Dia desses, fazendo as compras, nos deparamos com as luvas amarelas de limpeza. Aquelas que a mãe do DEXTER usa em todos os episódios. Eu e minha mania de economizar, acabei achando as tais luvas caras (tenho vergonha até de falar o preço...) e não comprei. Pois bem, chegou o dia de lavar os banheiros. (Sim, tem o dia de lavar, que será sempre `as quintas-feiras, conforme o schedule que eu e minha mãe montamos). Eu, toda empolgada com aqueles produtos todos, com cheirinho disso e daquilo, água sanitária em spray, lenços descartáveis de limpeza, uma maravilha!!!) Resultado:  Banheiro limpo e cheiroso... e mãos detonadas! No outro dia, Saí pra comprar as benditas luvas. Custaram menos de dois dólares.

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Dia desses, o pessoal da loja de móveis veio entregar o recliner que o Christiano comprou. Trata-se de uma poltrona super-hiper-mega confortável que reclina até virar quase uma cama. Quando está na posição sentada, sem reclinar, também é uma cadeira de balanço. Como eu ia dizendo, chegaram os entregadores. Eu e mamãe estávamos prontas pra ir pra piscina com as crianças, tivemos que nos enrolar `as pressas nas nossas cangas, como se fossem vestidas. Pois bem, a minha era a bandeira do Brasil, e o cara logo percebeu que éramos brasileiras (ninguém se enrola numa bandeira que não seja a sua própria, eu acho). Eram dois, os entregadores. Um latino e um afro-americano. Bem, o segundo era um cara de 2m de altura. Começaram a puxar papo, falar do Brasil, que devia ser lindo, samba, carnaval. (Isso é tudo que eles sabem do Brasil, poxa?) Eu comecei a ficar com medo do povo. Lembrava dos episódios de Criminal Minds que a gente assistia. Vai que eles achassem que eu estava dando moral?? E eles continuando: samba, carnaval, mulheres bonitas, lambada...(até lambada??) Aí, não segurei e mandei essa: "Vcs sabiam que nem todo o mundo no Brasil gosta de carnaval? Que nem todo o mundo sabe sambar? E quase niguém lá dança lambada?" Os caras saíram rapidinho. Se era só isso que sabiam do Brasil, eu não ia perder meu tempo. Mas, eu fiquei foi com medo, mesmo.

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Antes de vir pra cá, eu estava tão preocupada com os trajes de banho, que deixei os meus no Brasil. Eram bem descentes para os padrões brasileiros, mas acho que eram meio escandalosos para os padrões norte-americanos. Moral da história, fiquei de comprar aqui. Acontece que aqui no condomínio tem piscina e as meninas gostam de nadar, tive que me virar com o biquíni da Julia. A parte de cima, ok, mas a de baixo não serviu. Resolvi ir nadar de short. Pense numa marmota! O povo aqui achando que eu era muçulmana, eu acho.

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Compramos o carro. Um Toyota Sienna perfeito. Nunca tivemos um carro tão bom. Tem 7 lugares, é enorme (como tudo nesse país) e muito confortável. Pra quem tinha um Astra e um Prisma no Brasil, é uma diferença e tanto. Tive que dirigir na América, não teve jeito. Fico com medo, ainda estou insegura. Houston tem um trânsito terrível e é muito fácil  se perder, mesmo com GPS. A gente entra errado e aí vai parar lá nos cafundó.(aconteceu comigo essa semana, infelizmente.) Além disso, abastecer o carro também foi uma aventura. Porque toda vez que a gente vem, o Christiano é quem aluga o carro.  Isso significa que ele também dirige e abastece.(aqui não tem frentista). E eu nunca me liguei nessas coisas. Acontece que o sinal da bomba de gasolina acendeu e eu estava dirigindo. Aí, e eu pensei: vou ficar na rua! Não sei abastecer nos States! Socorro! Estávamos eu e a Julia. E ela dizendo: Mãe, se vira, você não é quadrada.( com toda aquela doçura que lhe é peculiar..., mas com razão). O jeito foi encarar o medo. Entrei no posto, observei os outros. Pus o carro do lado da bomba e... congelei. Não sabia o que fazer. Voltei pra dentro do carro, a Julia morrendo de rir. Vale lembrar que, aqui nos EUA, deixar o carro parar por falta de gasolina dá multa alguns muitos dólares. E eu não queria que isso acontecesse. Fiquei pensando em uma saída. Resolvi estacionar o carro, entrar na loja de conveniência do posto e... falar a verdade!!  Na cara dura, mesmo. Falei pro senhor do caixa que eu não sabia o que fazer, que era minha primeira vez dirigindo nos EUA, que eu havia mudado há 3 semanas e estava sem gasolina. O senhor foi super gentil, perguntou de onde eu era. Disse que tinha parentes no Brasil. Foi lá na bomba e me ensinou passo-a-passo o que fazer. Eu perguntei de onde ele era, ele disse que era árabe. Aí, ele ficou meu amigo, quando eu disse que também era de origem árabe. Perguntou de onde eram meus parentes, e disse que eu parecia familiar... Hehehe! Finalmente, abasteci. Não foi nenhum bicho de sete cabeças, mas pelo menos umas três cabeças, ele tinha...

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Quero agradecer a Deus pelas pessoas que Ele tem colocado em nosso caminho, nos ajudando nos pequenos detalhes, como esse senhor árabe que me ajudou no posto. Também pelo RICHMOND ANSAH ( o cidadão de GANA que nos vendeu o carro)  e pela AGATA (nossa gerente do Bank of America que é POLONESA e adora  brasileiros). Nos pequenos detalhes, pessoas que também são imigrantes facilitam a nossa vida aqui. Ebenézer!
(Pra quem não sabe o que significa: ATÉ AQUI NOS AJUDOU O SENHOR!







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