terça-feira, 5 de junho de 2012

Primeira vez - pediatra, febre, farmácia

Nesses dias, teve muita "primeira vez" pro meu gosto. Abaixo, segue  o relato de um monte de primeiras vezes no quesito saúde/doença.
Primeira vez que levei as meninas ao médico nos EUA. Na verdade, foi uma exigência da escolinha. Eles (das escolas) são super rigorosos quanto `a saúde das crianças e isso é uma coisa boa aqui (mais uma!). Eles exigem o cartão de vacina, um atestado médico de que seu filho é saudável e um formulário com indicação de dois médicos para onde levar seu filho caso você não seja encontrado em uma emergência. Ou seja, tive que levar as crianças saudáveis ao pediatra.  Achei isso desnecessário, e até ruim, de início, mas Deus faz tudo certo, depois vocês vão ver.
Acabei procurando pela consulta mais barata, pois o Seguro Saúde que fizemos, apesar de caríssimo, cobre apenas emergências médicas. E uma consulta de rotina não é uma emergência. Tive que pagar do bolso, então, procurei uma clínica da família aqui perto, pois era apenas para preencher formulários. Eu estava meio apavorada com a necessidade de ir ao médico aqui, pois tenho lido que Sistema de Saúde nos EUA é bem diferente do Brasil. Os médicos são mais frios, tudo muito caro, etc...
De fato, é diferente. Não tem aquele consultório todo bonitinho igual a gente está acostumado no Brasil.  

Primeiro, vc preenche uns mil formulários com os sintomas do seu filho (poupa do médico o trabalho da anamnese! Eu, como professora de Semiologia, achei podre. O melhor da consulta é a anamnese, ora!)
Depois, você vai levar a criança pra pesar e medir. Em uma salinha, as medidas são realizadas, assim como oximetria de pulso  e temperatura, tudo por um assistente. E ele volta a te perguntar tudo que você já escreveu nos formulários. Sinais e sintomas. (A Laura estava tossindo um pouco.) 
Depois,  você vai  para outra sala. São salinhas pequenas, com a maca e um banquinho, otoscópio, abaixador de língua, algodão, luva e só.  Nada de cadeira pro médico. Só uma cadeira para o acompanhante. (Esqueci de dizer que só pode entrar um adulto, mesmo que vc tenha cinco crianças!!! Fiquei doida quando a mulher falou isso, mas pedi a ela pra falar com o médico que eu também era médica, e ela deixou entrar minha mãe. )
 Nada de porta-retratos da família do médico, nem de objetos de decoração, nem brinquedinhos, como nos consultórios particulares do Brasil. Você fica ali esperando o médico entrar. São várias salas dessas, e ele vai saindo de uma e entrando em outra.
 Acabei gostando do médico, e da clínica, também.  Me apresentei como médica hematologista e ele até discutiu um caso de um paciente comigo. Ele é um costa-riquenho que largou tudo em seu país e veio fazer Residência nos States. Com 21 anos de formado, fez Medicina de Família (terminou há 3 anos) e está muito feliz aqui. Nos atendeu muito bem, foi educado e gentil. Talvez o fato de eu ter me apresentado a ele como médica tenha influenciado isso. Não sei.
Saí de lá com meus formulários preenchidos. Resolveu meu problema. 
Isso foi quinta-feira passada.
De domingo par segunda, Laura teve febre altíssima, mais de 40ºC, com calafrios a noite toda. Fiquei apavorada, com medo de convulsão e passei a noite sentada na cama dela. No dia seguinte, liguei na clínica, falei com o médico pelo telefone, e ele mandou levá-la. Mais uma vez: acho que ser médica ajudou um pouco. não sei se ele atenderia uma mãe não-médica no telefone.
Outra coisa diferente: aqui não existe retorno. Fui lá na quinta, paguei consulta. Voltei lá 4 dias depois, outra consulta!!! Bom pros médicos, ruim pro paciente. E dessa vez, eu estava do lado de cá. Lá vai eu pagar outra consulta (ainda bem que escolhi uma clínica mais acessível). Pensando como paciente, a gente acha ruim. Mas, como médica, é justo. O médico vai examiná-la novamente, perguntar tudo novamente, vai ocupar um horário, ocupar uma sala, então, é justo. Paguei.
Ah! E como ela estava doente, a consulta foi mais cara!! Hahaha. Se tiver saudável, é mais barato. Essa foi demais, igual cabelereiro. Se for escova curta, é um preço. Se for longa, é outro. Já se pergunta na recepção o motivo da consulta, se é rotina, se é só pra preencher forms, se tem algum sintoma, etc... Porque o preço muda.
A Laura foi um encaixe, demorou mais a ser atendida. Fez todos os procedimentos de novo: peso, medida, altura (meio desnecessário, mas.. se vão cobrar, é justo que repitam!)
O médico chegou, examinou e pediu 3 exames: swab nasal para influenza 1 e 2 (gripe), swab de orofaringe para Streptococcos, e exame de urina, caso os 2 primeiros fossem negativos. Falei pra ele: acho que é infecção urinária, febre muito alta com calafrios. Mas, como não dava pra excluir com certeza as outras infecções, por causa da tosse, teve que fazer todos os exames$$$.
O resultado dos dois primeiros exames demorou mais ou menos 10 minutos. Negativos. Sabia!
A coleta de urina foi um sufoco. Laura demorou mais de 2 horas pra fazer xixi.  Achei estranho não terem trocado o coletor. No Brasil, se a criança não urina em 15 minutos, a gente troca, pra evitar contaminação. Aqui, ela ficou 2 horas com o mesmo. Estranhíssimo. Perguntei várias vezes se não iam trocar.
Enfim... infecção urinária da braba.( O resultado saiu 5 minutos depois que conseguimos coletar a urina.)
Ele fez as receitas de antibiótico e antipirético e foi até mim, na recepção, com as receitas!!! Nem chama a gente de volta na salinha... Tá bom, né? Deve ser assim, mesmo.
Pelo menos, fiquei feliz de ter ido na clínica 4 dias antes e ter gostado do médico, e me apresentado com colega, e não ter precisado procurar um `as pressas, com a menina ardendo em febre. Foi bom ter ligado pra ele e ouvir: traga-a aqui agora, que eu encaixo pra você!! Por isso, eu disse que  Deus faz tudo certo!!

Então, lá fui eu para a farmácia comprar o remédio da Laura. Receita na mão, rumo ao Walgreens, que é uma farmácia maravilhosa, velha conhecida nossa, porque lá tem de tudo. Parece um supermercado. Mas, pra comprar remédio, foi a primeira vez.
No fundo da farmácia, é onde fica a farmácia propriamente dita, porque o resto é "trenheira". Shampoo, creme, maquiagem (muita maquiagem!). Brinquedo, bolha de sabão, cartão de aniversário. Coisa pra cozinha, sorvete, brinquedo pra cachorro. 
Voltando: deixei a receita e aguardei 15 minutos. O pediatra passou 6,25 ml de bactrim a cada 12 horas por 5 dias. Então, é exatamente isso que eles preparam: somente essa quantidade: 63 ml (daria 62,5ml arredondaram 0,5 ml apenas!) Você paga pelo que vai usar. Pra que comprar um vidro de 120 ml, se só vai usar metade? Ainda não entendi se eles manipulam ou se só tiram a quantidade necessária de um frasco maior. Vou procurar saber, porque achei pouco tempo pra manipular.
Enfim, Laura está melhor, tomando seu antibiótico. Vomitando um pouco, mas é do remédio. Passou a noite com febre mais baixa.
Agradeço a Deus por ser médica. Se não fosse, não teria a coragem de vir com crianças pequenas. 
Agradeço por ter ido antes ao consultório e gostado do médico.
Agradeço a Deus porque a Laura está melhor.


Mas, pela primeira vez em dois meses, senti falta da minha zona de conforto.



Então, assim foi a primeira vez que uma das crianças ficou doente. E eu gostaria de ter pulado essa.


Um comentário:

  1. Adorei a visão da médica sobre o médico aqui. Posso te dizer que a saudade vai sempre apertar, mas com o tempo a gente aprende a viver :)

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