quarta-feira, 6 de junho de 2012

A saga da escola - parte 1

Nunca achei que fosse tão difícil achar vaga pras meninas pequenas nas escolas americanas. Ainda mais, em uma cidade com milhares de escolas - literalmente.
Há um ano atrás viemos conhecer Houston, naquilo que chamam  de "viagem de prospecção". Ver se era isso mesmo que queríamos, conhecer lugares para morar,  enfim, sentir o clima da cidade em todos os aspectos. Também viemos conhecer as escolas  e depois escolher aquela que a Júlia frequentaria. E esse foi o principal motivo da nossa vinda aqui no verão passado. Não queríamos prejudicá-la, tirando-a da melhor escola do Centro-Oeste do Brasil (Uhuu, WR!!). Dessa maneira, antes de vir pra cá no ano passado, passei meses em uma busca intensa e ativa na internet, procurando escolas adequadas para nossos objetivos. Mandei e-mails, agendei entrevistas e viemos. Fomos a escolas privadas e públicas e decidimos colocá-la na Memorial High School, que é uma escola pública super bem-conceituada aqui (bem diferente do conceito brasileiro de escola pública).
Tudo que precisávamos fazer  pra a Júlia estudar lá era morar na attendance area da escola, ou seja, pra estudar em uma escola pública aqui, você precisa morar em uma zona específica daquela escola.(Não sei como funciona no Brasil).  More a apenas uma rua fora da área da escola e você não pode estudar lá. Ou seja, existe um mapa  que divide a cidade em School Districts e este é subdividido em attendance areas, com limites  muito bem estabelecidos. Quer estudar nessa escola? More dentro desta da área.  Nem um número a mais. Acontece que geralmente as melhores escolas estão dentro das áreas mais nobres (e caras) da cidade. Então, fizemos o sacrifício de morar na bendita área e tudo que precisou pra Júlia ser matriculada lá foi:
um teste pra checar o inglês,
transferência da escola do Brasil com histórico escolar,
cartão de vacinação( deve estar em dia) e
comprovante de endereço.
Este último é bem oficial, tem que ser o contrato de aluguel do apartamento e o aluno deve estar listado no contrato como morador.  Não pediram passaporte ou visto, apesar de que, como portadora do visto F2, ela tem o direito de estudar em escola pública.

2011

Em uma semana, Júlia havia feito os testes, passado pela enfermeira, e estava frequentando a nova escola.
 2012

Com as pequenas, a história foi outra.
De início, achei que seria bem mais fácil achar escolas pra elas, pois seriam escolas particulares (já que não tem escola pública para menores de 4 anos.) Não imaginávamos que tudo estaria lotado para o próximo ano escolar (que começa em agosto/setembro)!!! Chegamos em abril e todas as escolas da nossa região tinham lista de espera... Achávamos que era só chegar, matricular e começar a frequentar. Que inocência!!
Na primeira semana que chegamos, fomos visitar uma escola que eu havia buscado na internet para a Beatriz e Laura. Adorei a escola. Sonho!!! Mas, era apenas a primeira escola e eu não quis tomar a decisão de forma impensada, sem olhar outra.
Recebemos um e-mail avisando que tinha a vaga, mas tínhamos que correr para fazer a inscrição das meninas (que não é a matrícula ). Avisei que não poderia ir de imediato e desmarquei duas vezes a ida lá, explicando meus motivos( primeira semana no país, ainda sem carro, comprando móveis, expliquei tudinho por e-mail). Advinha? Demorei 4 dias pra ir lá e, MESMO TENDO AVISADO,  a vaga havia sido preenchida. Que ódio!! Tive que pagar a tal inscrição SEM GARANTIAS  de que haveria  a vaga. Fui colocada em uma lista de espera. 150 $.
Depois do choque da perda da vaga, decidimos procurar outras escolas. Foi um sufoco, visitamos umas dez escolas, fora os e-mails que mandei pra mais um monte. Tudo lotado. As vagas começam a ser preenchidas em fevereiro para as aulas que começarão em setembro!!!! Como chegamos em abril, todo mundo já havia matriculado seus filhos. É aí que eu digo que americanos fazem tudo com antecedência. Sem contar que nenhuma escola superava as expectativas da primeira.
Finalmente, semana passada,  quando cansei de esperar a ligação da escola, decidimos que as meninas iriam para outra escolinha - que também gostamos muito. Beatriz apenas duas vezes por semana, porque não conseguimos vaga pra todos os dias(mas estamos na lista de espera!). Laura irá todos os dias (tinha vaga na turminha dela). Pagamos as taxas disso e daquilo, e, depois de deixar lá mais de 1000$ (mil!!!), ligaram da escola número 1 falando que haveria a vaga pra Bia, todos os dias. Mas só pra setembro. Ai, que confusão!!!


Bia  no primeiro dia de aula na BDCS


Enfim, ficou assim:

Beatriz começou na BDCS (escola 2) o programa de verão (Summer School) duas vezes por semana. Ontem foi seu primeiro dia de aula, e ela amou!! Quando acabar o programa, em agosto, ela vai pra FBA(escola 1). Laura fica na BDCS a partir de agosto. Por enquanto, Laura está sem escola (muito novinha, não tem programa de verão pra ela!)
Então teremos duas adaptações, pois serão duas escolas pra Beatriz - uma começando no verão e outra no outono (eles gostam de dividir o ano escolar assim, em estações).
A partir de agosto, Bia em uma escola e Laura em outra.  E aqui é tudo "pertinho", vocês podem imaginar... Mãetorista é pra essas coisas!  Que legal!
Sem contar, que agora estou um fenômeno nas Highways! :) De verdade!



Ainda bem que a Júlia vai de school bus. Pega na porta de casa e deixa dentro da escola e vice-versa.

Concluindo:
Não sei como vou fazer com o dinheiro que paguei pra Bia na BDCS, pois costuma ser non-refundable (não reembolsável). E todo $$  gasto aqui, tem que ser bem contabilizado, pois não estamos trabalhando.
Não sei como vou lidar com três filhas, cada um em uma escola diferente, com diferentes horários de levar e buscar. Ah!  Soma-se aí um marido, que também tem que ser levado e buscado, porque só temos um carro. Se bem que ele volta quase sempre de ônibus.
Não sei como vou fazer para começar minha vida profissional aqui, tendo tanta coisa pra fazer.


Na parte 2  da saga (acreditem: tem uma parte 2!!), falarei um pouco sobre as exigências das escolas, questões de saúde e vacinação, mensalidades/custos, entrevistas, testes etc...  Fiquem ligados!

Um comentário:

  1. Oi Cristiane, eu estou de mudança para Houston. Iremos agora início de março. Estou com uma dúvida. Quais documentos eu preciso fazer a tradução juramentada? Tenho dois filhos. 7 anos e 5 anos. Aguardo.

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