domingo, 5 de agosto de 2012

Segunda vez - Pediatra, febre, farmácia...

Nesse tempo sem atualizar  "de verdade" o blog, foram tantas as novidades que nem sei por onde começar. Depois de uma crise de identidade,  acesso de humildade e tudo o mais, volto com os nossos passeios. Em duas semanas, fomos conhecer o Museu de Ciência Natural de Houston (Houston Museum of Natural Science), o Borboletário (Butterfly Center), voltamos mais uma vez `a NASA, fomos `a AUSTIN, capital do Texas, fomos  ao Memorial Herrmann Emergency Center. Também fomos conhecer uma sinagoga (!!) e uma cidade `a beira-mar, chamada Kemah. Cada um merece um post. Com exceção da NASA, tudo foi pela primeira vez. Estamos nos esforçando para fazer jus ao nome do blog. Assim, caso você que está lendo queira vir para o Texas, terá  muitas dicas de passeios e lugares interessantes para visitar.
Vamos começar, então. O "passeio" ao Memorial Hermann foi, de longe, o menos agradável.  Aliás, nem pode se chamar passeio e muito menos agradável. Laura adoeceu de novo. Tosse, febre, vômitos, inapetência... Depois de peregrinar com ela e de uma "luta" com o Seguro Saúde, escolhemos o melhor hospital que tinha mais perto da gente (porque o Seguro nos mandou pra uma "boca de porco", gente, sem noção). Não quisemos levá-la no mesmo médico de antes, porque lá a gente pagou tudinho (não atendiam pelo seguro), tamanho o desespero daquela primeira vez. E não fazia sentido a gente pagar particular de novo, já que fizemos um seguro caro pra cobrir essas eventualidades. Tivemos que discutir com as atendentes do Seguro, uma delas chegou a nos encaminhar para o Walgreens ou CVS         (drogarias daqui) para que Laura fosse vista por uma enfermeira de plantão lá!! Christiano quase infartou, teve que pôr os pingos nos is e explicar os sintomas da menina e as necessidades que ela tinha de um hospital, ou uma clínica com raio-X, ao menos. Depois de muito discutir, levamos a pequena no Memorial Hermman (MH) Emergency Center. Que hospital! Pra começar, tem uma passarela de acesso que vai do shopping a um dos 4 medical plazas do hospital. Ficamos perdidos por lá. Depois de chegar na torre principal e pedir informações ao segurança,  eles chamaram um carrinho (daqueles que têm em campos de golfe) pra nos levar ao ER (que é o PS), dentro do complexo. E esse é apenas um dos muitos centros médicos MH esparramados pela cidade toda. Uma coisa de louco.

Essa é a torre principal do complexo, mas o ER fica em um dos outros quatro prédios.

Fomos rapidamente atendidos no cadastro e pela enfermagem, que pesou, mediu, aferiu temperatura e realizou oximetria. Mas, a pediatra mesmo demorou horrores (este é um dos motivos em se evitar um grande hospital, pois terão sempre casos mais urgentes que o seu). Enquanto isso, ficamos na sala 5 do PS, que é como se fosse um quarto de hospital, mesmo. Veio outra enfermeira, fez tuuuudo de novo. Enfim veio a médica. O exame deles é muuuutio diferente do  exame médico feito no Brasil. Bem mais superficial. Auscultam a criança por cima da roupa. (Como ex-professora de Semiologia médica, quase morro com um trem desses!) Expliquei pra ela que havia levado a minha filha lá porque sou médica e ouvi estertores na base do pulmão direito e por isso, estava preocupada com pneumonia. Aí, ela auscultou a menina de novo. E disse que eu tinha razão. Pediu o Raio X. Chamou a enfermeira pra auscultar a menina e ouvir os crackles (crepitações). Tadinha da menina, chorando horrores e a mulher lá insistindo... Senti pena dos nossos pacientes que nos ensinam em suas doenças durante a Faculdade. Aquela fila de estudante querendo examinar... No meu caso, foi apenas uma pessoa. E eu já fiquei com dó...

Olha cara de desespero!

Olha a inocência! Toda hora perguntava: Isso aqui é um shopping? 

Fiquei esperando o técnico do Raio X chegar pra nos buscar, mas ele já chegou com a máquina. Portátil, levíssima, vinha empurrando com o dedo, eu acho. Fez as incidências no leito, mesmo. Em alguns minutos, já tinha o resultado: Pneumonia em Base Direita. (Sabe aquela sensação maravilhosa de fazer o diagnóstico? Pois é, não tive não...) A pediatra passou OMNICEF, que é a droga CEFDINIR- não tem no Brasil. É um dos antibióticos por Via Oral mais caros daqui (custou 50 dólares, o que pra eles é bem caro se tratando de remédio). Fico imaginando quanto custaria no Brasil.... Depois de tudo, chega a moça do financeiro, com um monte de "papel virtual" pra gente assinar. Tudo digital. Caso o seguro não pague, você tem que se responsabilizar pelo pagamento. Vamos aguardar.... Achei interessante eles te atenderem primeiro e depois cobrarem. Acho que pelo fato de ser uma emergência, eles não podem negar o atendimento. Sei lá. Pediram uma co-participação de 100 dólares, falamos que o nosso seguro não tem co-participação, ela disse que tinha, sim.  De qualquer forma, nos sentimos bem atendidos lá e pagamos. Mas ela perguntou: "Vocês não tem os 100 dólares? Tudo bem, podem ir." (Não são bonzinhos, não, se você não tem o dinheiro, eles mandam a cobrança pelo correio depois). Pedimos pra ver o Raio X (digital, eles não imprimem mais os "filmes") e a enfermeira gentilmente nos levou até a estação onde ver as imagens digitais. Saímos de lá com a receita do antibiótico (pra falar a verdade, fomos lá só pra isso, porque o diagnóstico, já sabíamos e eu ia começar com Clavulin em casa, mas só tínhamos o suficiente pra 7 dias). Além da receita, a médica nos deu uma lista de pediatras credenciados ao Hospital para seguimento e um material educativo sobre pneumonia. Com linguagem leiga. Achei bem interessante. (Já que a médica não fala nada ou quase nada com o paciente, pelo menos oferece o material de uma forma que o paciente entende) - quando minha mãe foi parar na ER, ela também recebeu isso. Uma folha impressa da internet sobre cólica renal (que era a hipótese da época). Em português. 
Enfim, Laura está ainda tratando - serão 10 dias. Os efeitos colaterais no Trato gastrintestinal são de assustar e simulam uma Hemorragia Digestiva Alta.  Fiquei louca quando vi... Mas, Laura, está bem melhor. Graças a Deus!
P.S.: De todas as dificuldades que um ser humano possa passar, a doença de um filho é uma das piores. Em qualquer lugar, mas sobretudo em um lugar estranho. 

4 comentários:

  1. Caramba! Cris fiquei chocada com o post... nós reclamos tanto dos médicos do Brasil, que fiquei pasma com o atendimento deles.... isso por que vocês tem plano de saúde.... e ainda são médicos. Ou seja, imagina uma pessoa normal (sem conhecimento médico), essa pneumonia podia ir pra onde???
    Nossa fiquei muito assustada...
    Parece que se tratando de saúde ficar no nosso país é mais seguro...
    beijossss
    PS.: fiqeui esperando sobre Austin, gostou de lá?
    eu achava que vocês moravam em Austin...
    beijos

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  2. Definitivamente, o Sistema de Saúde americano não é dos melhores, não... A estrutura é gigantesca, mas não espere o atendimento como o que a gente conhece no Brasil. O custo é altíssimo, e já estou esperando a dor de cabeça que posso ter com isso... Mas, a pequena está ótima. Então, valeu! Moramos em Houston, que é a maior cidade do Texas, mas não é a capital. Já, já sai um post sobre Austin.
    Beijos!

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  3. Ai Cris, que aperto hein? Espero que a pequena esteja melhor.

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  4. Graças a Deus está bem melhor, Lorna. Mas, essa tem sido a pior parte de morar aqui....

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