sábado, 1 de setembro de 2012

Sobre princesas e dinossauros ou Das diferenças culturais

Não consigo entender americano. Aliás, americana. A mulherada toma pain killer ( analgésico) antes de  ir depilar e tem todos os filhos de parto normal sem analgesia! Todos os 3-5 filhos. Povo doido... Aliás, nunca vi povo pra ter tanto filho. Só no sertão pernambucano!!! Me sinto em casa aqui com minhas 3 pimpolhas.
***
 Como se não bastasse a filharada, tem umas mães que são adeptas da homeschooling, que é a atitude (insanidade) de ser a professora dos próprios filhos! Em casa! Isso mesmo. Não mandam a molecada pra escola, não... Além de lavar, passar (aliás, passar, não, ninguém passa roupa aqui), cozinhar, arrumar a casa, cuidar dos filhos... As pobres coitadas das mulheres ainda inventam de ser a professora dos filhos, e  ensinar português (digo, inglês), matemática, geografia, história, quiímica, física, música...  Aplicar prova e tudo o mais. É bem organizado, confesso. Tem todo um apoio de várias entidades, com muitos recursos, e o próprio governo tem ferramentas para reconhecer a educação em casa. Olha, eu não sei se isso é nobreza de caráter  dessas mães ou se é doideira, mesmo. Eu estou tendendo para a segunda opção. Imagine, ser a professora dos filhos, cada um em uma série... Os cinco molequinhos sentados em volta da mesma. Um aprendendo a ler, outro a falar, outro estudando os presidentes dos Estados Unidos, um decorando a tabela periódica...
Eu tive o privilégio de ser professora da Júlia na escola dominical - na verdade nos cultos noturnos -  e ela pode explicar como a experiência foi maravilhosa!!! (Filha por favor não comente nada a respeito aqui no blog nem nas redes sociais, tá? Beijo! Não esquece que mamãe te ama!!!)
***
Numa dessas idas e vindas na procura das escolas das pequenas (é... já tem um tempinho), foi agendado um teste, no valor de cem dólares, pra Bia, pra ver se ela tinha "inteligência adequada" para acompanhar a turma. Eu fiquei logo com raiva, não pelo preço ( também pelo preço, confesso), mas principal e obviamente, pelo fato de minhas filhas serem as meninas mais inteligentes do planeta!!  Quem não sabe disso? Não precisam de teste nenhum, ora essa... Pois bem, um dia antes do dito teste, liga na minha casa, a diretora de admissões da escola - em pessoa, não foi nem a secretária -  pra me dizer o seguinte: "NÃO ESQUEÇA DE TRAZER OS CEM DÓLARES NO DIA DO  TESTE". Que coisa mais deselegante de se falar. (Eu já havia sido informada do valor do teste). Por acaso, eu já liguei na casa de algum paciente - em pessoa - um dia antes da consulta e falei: "Não esqueça de trazer os X reais para a consulta?" (Nunca mandei a secretária ligar também, não!! que fique bem claro.) Isso é coisa que se fale? Eu, hein... "Desnecessário. Completamente, desnecessário"
***
No primeiro dia de aula da Laura, a professora me procurou assustada e chocada, porque na hora do lanche MINHA FILHA DE DOIS ANOS NÃO SABIA PASSAR O CREAM CHEESE NA BOLACHA!!! A professora riu, achou interessante e TEVE QUE ENSINÁ-LA A PASSAR CREAM CHEESE NA BOLACHA!! Que horror! Uma criança de 24 meses que não sabe pegar a maldita FACA e passar o tal creme na bolacha! Não parece chocante pra vocês? Pois pareceu pra professora...
***
E A Bia, tadinha, que deu uma crise de choro no primeiro dia de aula depois do almoço na escola. A professora orientou todos os aluninhos a jogarem os restos na lixeira. A menina abriu o berreiro. As professoras não sabiam o que tinha acontecido. Acharam que ela não tinha entendido o inglês... A tira de criança rumo `a lixeira e a Bia chorando sentadinha na cadeira, com o prato com os restos de comida ( TODA A COMIDA) na frente dela, sem saber o que fazer. No fim da aula, as professoras vieram me procurar e me pedir que eu explicasse a ela que depois do almoço todos jogam no lixo o que sobrou no próprio prato. Eu orientei a Bia e no dia seguinte ela já estava "tirando a mesa." Mas, parece que se sentiu mal em ter que limpar a própria ("nunca precisei" deve ter pensado...) Ou culpada por jogar toda a comida fora ("mamãe fala que é errado jogar comida fora") Eu não sei que pensamento assombrou a cabecinha dela, mas este é um dos motivos de estarmos aqui. Que minhas filhas não se sintam inferiores por tirar o próprio prato da mesa.
***
Quase todos os dias, nas nossas andanças, vejo crianças com os pés dos sapatos trocados (Direito no Esquerdo e vice -versa). Porque são elas mesmas que calçam. 
***
Meninas aqui curtem THOMAS & FRIENDS, DINOSSAUROS, ANIMAIS DO ZOO... Acho que seria bem chocante no Brasil. ( Pensa: Um aniversário de trens e vagões para meninas., ARCA DE NOÉ...)  O pior é que disso, eu  gosto, aqui. Essa liberdade... Hoje mesmo, fomos ao Museu de Ciência Natural (HMNS) e, depois de ver aquele tanto de ossadas jurássicas gigantescas,  saí de lá com dois dinossaurinhos, um pra cada pequena. Confesso que nunca pensei que faria isso um dia, (sou uma pessoa bem careta...) Bia fazendo bullying com a Laura, atacando o dinossauro dela toda hora, fazendo "ROARRRR..." e comendo a cabeça do bicho. Laura chorando. Crianças normais. MENINAS que adoram princesas. E dinossauros.

P.S.1: Não são dinossauros. São "DILASSÓIS" na língua da Laura.(Para de me corrigir, computador, é isso mesmo que quero escrever, que coisa!) Olha que coisa mais poética. DILASSÓIS!! Não parecem bem mais femininos, agora?   Na verdade, é um misto de poesia (de acordo com a mãe) com o jeito dela falar "DINOSAURS." 

P.S. 2Eu não disse que elas eram as meninas mais inteligentes da galáxia?

6 comentários:

  1. Obrigada, Ana! E aí na Alemanha, como é? As crianças também são mais independentes??
    Beijos!

    ResponderExcluir
  2. Tchuu
    Sobre as maes darem aula pros filhos... engracado que o ensino fundamental ai eh gratis, nao eh? Entao nem seria pelo dinheiro...Tentei dar aula de ingles pro Biel, parei na terceira aula. Pais de primeiro mundo, elas sao bem mais evoluidas do que eu tb neste quesito.
    Dilassois... que lindo! Achei que fossem plantas.

    ResponderExcluir
  3. Carol, o ensino fundamental é público a partir dos 5 anos de idade. Antes disso, só mesmo escolas particulares. o lance do dinheiro até daria pra justificar o ensino em casa da criança dos 3-5 anos. Depois dessa idade, não é pelo dinheiro não. Porque as escolas públicas são boas, de uma maneira geral. O negócio é filosófico, mesmo. (Filosofia da loucura absoluta, na minha opinião) Rsss

    ResponderExcluir
  4. Cris, dei tanta risada no primeiro parágrafo! Quando eu vou para o jazzercise vejo minhas colegas chegando com as minivans e sai 4, 5 crianças lá de dentro. E é verdade, elas gostam de sentir a dor do parto, falar em cesariana é a morte, mas todo mundo toma uns remedinhos para dor.

    A cobrança da escola é comum mesmo. As vezes a professora do curso de inglês marcava para a turma almoçar e repetia n vezes que cada um pagava o seu. Eles não se sentem constrangidos em falar em dinheiro, preferem deixar claro, bem claro mesmo as informações.

    Puxa, no Brasila gente não espera que uma criança de 2 anos passe nada no pão, principalmente porque o lanche no Brasil é mais frutinha, suco, biscoito, né? Não sabia disso não.

    ResponderExcluir
  5. Não tem tabu nenhum ao se falar em dinheiro, mesmo. É preto no branco, o que é bom, mas assusta um pouco... Agora, sem dúvida, as crianças aqui são bem mais independentes. Acho que com 1 ano já tomam banho sozinhos, almoçam, fazem a cama. Kkkk ( Acho que é por isso eles têm tantos filhos!!!)

    ResponderExcluir