segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Preciosas Promessas

"E de muitas coisas, lhes falou por parábolas, e dizia:
Eis que o semeador saiu a semear.
E, ao semear, uma parte caiu `a beira do caminho, e vindo as aves, a comeram.
Outra parte caiu em solo rochoso, onde a terra era pouca, e logo nasceu, visto não ser profunda a terra.
Saindo, porém o sol, a queimou; e, porque não tinha raiz, secou-se.
Outra caiu entre os espinhos, e os espinhos cresceram e a sufocaram.
Outra, enfim, caiu em boa terra e deu fruto: a cem, a sessenta e a trinta por um.
Quem tem ouvidos para ouvir, ouça."

Mateus 13: 3-9

Que sejamos "terra boa".
Ótima semana a todos!

domingo, 28 de outubro de 2012

Das coisas que aprendi (até agora) sendo dona-de-casa nos EUA


Quando você é dona-de-casa, dona-de-casa, mesmo ( quero dizer, sem ajudante, sem empregada, sem babá, porque dona-de-casa com isso tudo não vale!);
Quando você é dona-de-casa mesmo e tem três filhas, sendo duas pequenas;
Quando você é dona-de-casa mesmo, e tem três filhas, sendo duas pequenas, e mora em casa com carpete;
Quando você é dona-de-casa mesmo, e tem três filhas, sendo duas pequenas, e mora em casa com carpete, e o apartamento é alugado;
Quando você é dona-de-casa mesmo, e tem três filhas, e mora em casa com carpete, e o apartamento é alugado, e ainda por cima, você mora nos Estados Unidos;
você rapidamente aprende algumas proibições.

1. É proibido deixar sem fralda uma criança que ainda usa fraldas;
2. É proibido dar uma tigela de mingau  para criança comer fora-da-cozinha;
3. É proibido comprar massinha de modelar;
4. É proibido comprar tinta-guache e deixar a criança sem supervisão;
5. É proibido comprar canetinha;
6. É proibido deixar qualquer caneta ou giz-de-cera ao alcance das crianças;
7. É proibido lavar uma roupa pela primeira vez junto com outras peças;
8. É proibido lavar na máquina uma peça de roupa cuja etiqueta mostre que só pode ser lavada a mão. Daí, tem-se que:
9. É proibido comprar qualquer peça de roupa que precise ser lavada a mão ( não tem tanque nesse país);
10. É proibido comprar qualquer utensílio de cozinha que não possa ser lavado na máquina de lavar-louça;
11. É proibido comprar qualquer peça de roupa que precise ser passada a ferro;
12.É proibido comprar abacaxi;
13. É proibido jogar cascas de abacaxi no waste-disposal;
14. É proibido comprar peito de frango com osso;
15. É proibido jogar água na cozinha e no banheiro (não tem ralo);
16. É proibido inventar moda na cozinha (essa eu sempre desobedeço);
17. É proibido deixar a cozinha bagunçada para o outro dia (amanhã não vai chegar NINGUÉM pra arrumar a bagunça, é melhor você acabar com isso logo!)
18. É proibido comprar brinquedos com muitas peças;
19. É proibido deixar marcadores permanentes (canetas para pôr nome nas roupas) ao alcance das crianças;
20. É proibido manusear qualquer espécie de alvejante próximo a peças coloridas de roupa, inclusive a que você estiver vestindo;
21. É proibido passar alvejante no chão e colocar em seguida, o tapete azul-marinho sobre o mesmo;
22. É proibido lavar fantasia de princesa cheia de brilhinhos, fitas e laçarotes,  na máquina-de-lavar;
23. É proibido grelhar carnes ou fritar qualquer coisa que gere muita fumaça dentro da casa; e seguindo a mesma linha:
24. É proibido queimar qualquer coisa enquanto cozinha (o alarme de incêndio deles funciona que é uma belezura!)


Essas foram algumas proibições que aprendi, a maioria delas a duras penas, e espero que sirvam de alerta para quem está chegando por agora nesse país!!

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Desabafos de uma goianiense

Eu não sou uma pessoa que se irrita facilmente. Mas, se tem algo que me irrita é falar mal da minha cidade (Goiânia). Chamem de bairrismo, chamem do que quiserem, mas com ela ninguém mexe... quero dizer, só eu. Eu e os goianienses. Acho que cidade é igual filho, só a gente mesmo é que pode falar mal. Então, eu sei dos defeitos, mas não gosto que ninguém mencione - a não ser que seja filho da terra, também, porque aí as críticas podem ter um pouco de sentido. Do contrário, não. Na na ni na não!

Uma das coisas que mais me deixavam p. da vida, acontecia quando eu estava em congressos ao redor do país, ou em eventos, ou mesmo durante as férias familiares na praia. As pessoas perguntavam de onde eu era, e quando a resposta vinha - "Goiânia!"- essas próprias pessoas mal-amadas, excomungadas, "desgramadas", desinformadas, respondiam com cara de desprezo - "Ah! Então você é cidade pequena!" Olha, eu juro, que a minha vontade era de ir na fuça delas com tudo! Sabe assim, o Chico Bento bravinho? Daquele jeito. Mas, eu engolia essa vontade e dizia, com cara de paisagem - "Goiânia tem quase 2 milhões de habitantes, filhinha... Não é uma cidade pequena!"




Meus queridos leitores de São Paulo/ Rio: amo ter vocês aqui no blog, que fique bem claro. E não estou generalizando o que vou acabar de escrever. Mas isso acontecia mais frequentemente com pessoas dessas duas cidades, que são, obviamente,  as MAIORES CIDADES do Brasil. E cidades que eu amo, por sinal! Mas só porque a mulher tem 1,98m de altura,  isso não significa que uma  de 1,81  é baixinha... E não adianta a pessoa ser de uma grande cidade, se tem a mente pequena...

Goiânia tem 1.302.000 habitantes, de acordo com o último Censo. Se considerarmos a "Grande Goiânia", incluindo municípios vizinhos, este número aumenta para mais de 2 milhões. Goiânia é a cidade número 1 do país em estrutura urbana, como calçamento e pavimentação.  É a segunda maior cidade do Centro-Oeste ( só perde pra capital nacional - Brasília) e a décima primeira das 5.564 cidades do Brasil. Tudo isso de acordo com o IBGE. Mas, só quem vive lá  é que pode dizer que é uma cidade muito agradável de se morar, com lindas praças e parques, sendo uma das cidades mais "verdes" do país. É claro que tem defeitos (ah, sim!), mas eu não vou falar de nenhum deles. Não pra vocês, leitores de outras municipalidades. Porque tem isso também: defeitos a gente só comenta pros conterrâneos.




O Brasil também tem defeitos, claro, muitos. Mas, quer me matar de ódio é falar mal do Brasil pra quem não é brasileiro. Olha, você quer reclamar da corrupção, da sujeira das ruas, da desorganização das coisas e da falta de educação do povo  e etc., etc., etc., e dá-lhe etc.? Que reclame! (Eu  também reclamo, gente, ninguém é de ferro).  Mas ache um compatriota, ok?  Nós sabemos das nossas próprias mazelas. Não vamos sair por aí detonando a nossa nação para gentes de outras terras. O povo estrangeiro já se acha, não vamos nos diminuir ainda mais... A gente não precisa mentir, falando que o Brasil é só praia, mulher bonita, futebol e carnaval. Que é quase uma nação desenvolvida (ninguém precisa ouvir uma lorota dessa) e que é o paraíso de segurança pública. Mas, nada de agourar a terrinha....

Tem outra coisa que me irrita profundamente, é falar que goiano fala errado. Pois a mesma fulaninha excomungada, que acha Goiânia pequena, teve a audácia de implicar com o nosso jeito de falar. "Vocês falam muito errado na sua família," O quê? Implicou com a minha cidade, com o meu jeito de falar  e não satisfeita,  implicou com a minha família? Escuta aqui, minha fia. Lá invém ocê di novo. Nóis fala errado porque nóis qué, porque nóis gosta. Nóis sabe falar direito sim! Pior é ocê, que nem sabe o que é  lorota. E nem mazela.


Não mexe com quem tá quieto!


É... é feio, sim. E pra quem não está acostumado, pode pensar que não sabemos articular as palavras corretamente... Nós, da minha casa, quando estamos em ambiente familiar, também falamos assim. Se você me lê, sabe que sei falar e escrever corretamente. Pode até ter um errinho de concordância aqui outro acolá, mas são poucos (espero). No mais, falamos português "normal". Mas, temos o goianês como dialeto. Somos poliglotas, minha fia, hahaha.

Pois então, hoje, minha cidade natal completa 79 anos. E estou aqui com uma pontinha de saudade...  Saudade das suas praças, dos seus parques, da suas avenidas, dos seus moradores. Saudade do seu jeito acholhedor. Saudade  da minha Goiânia, do Setor Oeste, do Zoológico, da Igreja Metodista Central, do  Colégio Santo Agostinho, da minha família e do nosso jeito, digamos, especial de falar.

Parabéns, Goiânia, sua linda! Você mora no meu coração. Vivo um tempo de desbravar outras paisagens, espero que me perdoe...


P.S.: Os comentários grifados em vermelho são para uma pessoa específica e real (infelizmente) e não se trata de uma generalização a pessoas provenientes de nenhum município da nossa nação.


terça-feira, 23 de outubro de 2012

Preciosas Promessas - vídeo

A" preciosa promessa" de hoje está em vídeo.
Gosto muito dessa música. 
Pare um pouquinho e a ouça também.
Louvor de verdade.
Boa semana a todos!



segunda-feira, 22 de outubro de 2012

No clima da estação

Atendendo a centenas de cartinhas, telefonemas e telegramas (traduzindo = alguns comentários de gatos pingados no meu perfil do facebook), lá vem outro post. Assim, todo mundo fica feliz, inclusive eu.
As coisas andam meio tumultuadas, com tantos afazeres domésticos somados ao leva e busca e `a loucura das noites sem dormir. Mas, isso é assunto para um outro post, qualquer dia desse.
Sabe aqueles tons lindos de folhas amareladas e alaranjadas, que a gente vê nos calendários? Aquelas folhas de maple típicas do Hemisfério Norte (iguais `as da bandeira do Canadá), ficando avermelhadas e formando pilhas e pilhas no chão, onde as crinças podem se jogar?




 Pois é. Não tem aqui não...

Já vi que por aqui não teremos esse outono lindo de viver, com os tons naturais tomando as copas das árvores. Isso só mesmo na costa leste. Vou ter que me contentar com os dias mais curtos e o clima mais ameno, e uma folhinha aqui outra acolá, caídas na grama ( se os varredores deixarem,  porque vou te contar, oh, povo que trabaia por aqui! Começam a "varrer" ainda está escuro. Quase que não sobra uma mísera folhinha pra alegrar o nosso outono.) Mas, ainda bem que nesse período, as árvores ficam muito das "sem-educação" e deixam cair suas folhas o dia inteiro. Não é aquela coisa liiiiinda dos calendários e das fotos acima, mas já tá bão. (Pollyana)
Anyway, fui contaminada. Estou irreversível e totalmente tomada de paixão pelo outono, mesmo que ele seja mixuruco. Mesmo que ele não seja de folhinha.  Pelo menos, tem as abóboras. Viu como começa a paixão pelas abóboras? 
As danadinhas das abóboras ( ou cebolas, para alguns) são mesmo encantadoras. Acabei entrando na dança e  até comprei a minha. Não sei se vou comê-la ( novamente, convenhamos que não é muito gostoso), mas por enquanto, tenho uma única abóbora, solitariamente exposta na minha porta. Ela fica terrivelmente humilhada, frente `a decoração do meu vizinho empolgado, mas ainda assim estou feliz com ela. Ah! E devo esclarecer que é uma abóbora do bem.

Decoração do meu vizinho.



Sim, porque existem as abóboras do bem e as abóboras do mal. Não sabiam? As meninas daqui de casa dividem as abóboras dessa maneira.
As abóboras do mal são as "carved pumpkins", ou jack-o-lanterns,  que fazem alusão ao Halloween, com carinhas assustadoras que as meninas não gostam. 
As abóboras do bem são simplesmente abóboras. Podem até ter carinhas pintadas (porque eles adoram uma carinha na abóbora), mas são sempre amigáveis. Elas só têm a dizer que o outono chegou e que é tempo de abóbora! Arrimariahomi está no ar!

Abóboras "do Mal"

Decoração "do Mal"

 


Decoração "do Bem"


Essa semana, uma das tarefas das crianças é decorar uma abóbora. Vou ter que usar a minha abóbora-enfeite-de-porta, porque não estou afim de comprar outra abóbora, apesar de terem dezenas de formatos, cores e tamanhos.Temos que decorar a tal da abóbora, com temática do bem ( não pode esculpir), pois pelo que entendi teremos um concurso e vai ganhar a abóbora mais criativa. Mas, gente, vocês não têm idéia do que eles fazem com as abóboras!! É uma coisa profissionalíssima, muito acima do nível de artesanato que soma até hoje duas páginas de scrapbooking e duas ovelhas de massinha.  Coitada das meninas, vão passar vergonha...Mesmo com a minha vasta pesquisa na internet [até já me cadastrei em sites como How to decorate your pumpkin, Pumpkin ideas, Fall decoration with pumpkins, (sim, tem sites inteiros dedicados ao assunto).] Assumo pelo que vi, que tem até curso superior de decoração de abóboras para o outono. Mas, acho que vou ficar só no Kindergarten  das abóboras, não vai ter outro jeito.


Aqui estão as mais fáceis que eu achei. 
Are you kidding me? Seriously?

 


Deve ter uma certa magia na tal da abóbora, porque você olha pra elas no supermercado e elas te dizem "me compra, me compra, me compra", deste jeitinho assim, em português mesmo. Uma coisa quase incontrolável.  Eu caí neste canto da sereia uma vez, mas não sei se caio uma segunda. Pra se ter uma idéia, as meninas já estão achando uma abóbora muito pouco, querem uma de cada lado (ó o país do consumismo aí, gente!). Mas, como eu acho tudo caro, vamos ter que nos contentar com UMA abóbora. 



Pelo menos, até a gente ir no Pumpkin Patch, que é o programa da semana que vem. São fazendas de abóbora, com atividades para crianças como andar de trator, de pônei, labirintos em campos de milho, e claro, colheita das abóboras. Acho que as meninas vão gostar, pelo menos as pequenas. Acredito que a pulguinha mais velha não verá muita graça...



Nessa época do ano, pipocam festas e festivais pela cidade, tanto com o tema Halloween ou  apenas com a temática do Outono (Fall) e da Colheita (Harvest).  Aqui no prédio, teremos Halloween essa semana, com direito a um concurso de fantasia E um concurso para a melhor abóbora (again, vou usar a mesma.) Muitas escolas e igrejas evangélicas também promovem festas com atividades para crianças, como pula-pula, touro mecânico, essas coisas.  As crianças também  podem ir fantasiadas e trocar seus doces em um ambiente familiar e agradável, sem aquela vínculo explícito com o Halloween. Mas, tecnincamente, me parecem a mesma coisa. Apenas, as abóboras não podem ser esculpidas e os trajes não podem ser assustadores ou vinculados com coisa de bruxaria e fantasmice.



A minha!

Sábado, fomos na festa do Dia das Crianças e Halloween do BMH (Brazilian Moms in Houston). Na verdade, foi uma festa para comemorar o Dia das Crianças (do Brasil), com tradições americanas (Halloween). Então, as crianças  foram fantasiadas.  Brincadeiras, piñatas e muitos doces deram o tom da festa, e as pequenas se divertiram muito.



Meninas na festa BMH.
 


É isso aí, minha gente. Espero postar em breve foto da minha abóbora-mil-e-uma-utlidades lindamente decorada para o concurso.
Sem grandes expectativas, combinado?





quinta-feira, 18 de outubro de 2012

18 de outubro

Eu quase não falo sobre Medicina aqui no blog. 
Mas, hoje, não dá pra passar em branco. Nem se eu quisesse esquecer, o português me deixaria fugir do tema. Porque até pra passar em branco, eu me lembro...
Me lembro dos primeiros dias, há pouco mais de 17 anos! Eu tinha então... pouco mais de 17 anos! 
Mas, parece que foi ontem.
Os corredores antigos da Faculdade, o cheiro da Sala de Histologia ( eu juro! eu lembro, por mais que não exista memória olfativa! Devo ser  mesmo uma variação anatômica...)
Eu lembro de chorar de dó dos ratinhos, de sair  da sala passando mal e pagando mico...
De todos sentados no "puleiro",  tensos, amontoados, esperando a prova prática de Anatomia. Quando eu então resolvi levantar (maldita hora!) e cantar uma música do Rei do Baião "Eu vou mostrar pra vocês (como se dança o baião)" E , antes que eu acabasse de cantar, a multidão de engraçadinhos já ecoava "Mostra! Mostra! Mostra!) Nunca mais cantei nada, eu acho...Sério, onde eu estava com a cabeça?
Eu lembro de cada Projeto Canja (não cantei, mas dancei - porque pagar mico era comigo mesmo!), de "Lanterna dos Afogados", das provas de Neuro-anatomia (que todo mundo jurava que eu as tinha previamente, porque só tirava notão) . Esclarecimento: EU NUCA TIVE AS PROVAS, GENTE! Eu só namorava o monitor de Neuro, só isso. E ele era (e ainda é) um super-hiper-mega-caxias-cdf-chato-de-plantão com essas coisas. Ele não me dava as provas. Eu só tinha mais estímulo pra estudar. Só isso!)
Eu me lembro do primeiro paciente, do primeiro bebê que ajudei a nascer, do primeira cirurgia e de tantas outras coisas que, ao longo dos anos, nos fazem médicos. Do primeiro paciente que não sobreviveu... de como contar isso pra família. De perder uma criança,  de ver esvair a vida... De chorar junto, de ficar com raiva. De questionar Deus...
Eu me lembro dos plantões da Residência, dos sufocos, das paradas, dos acompanhantes rompendo aneurismas em plena madurgada!
Eu me lembro com saudade, dos meus amigos e dos meus Mestres.
Mas, hoje, eu me lembro, acima de tudo, dos meus pacientes. E agradeço por cada um deles ter confiado a mim uma parte de sua vida. Agradeço pela oportunidade de ter vivido esse sonho por todos esses anos. Por terem sido fonte de contentamento, de inspiração. 
Muitas vezes, houve também indignação, ingratidão, maus-pedaços, enfim (nem tudo são flores). Mas,  sei que tudo cooperou para o meu crescimento. Profissional e pessoal. E, se hoje, posso estar aqui usufruindo de um período de descanso, foi graças a todos esses anos de trabalho médico, nem sempre recompensador, mas sempre honesto e digno. Posso dizer hoje traquilamente:

Prometo que, ao exercer a arte de curar, mostrar-me-ei sempre fiel aos preceitos da honestidade, da caridade e da ciência, penetrando no interior dos lares, meus olhos serão cegos, minha língua calará os segredos que me forem revelados, o que terei como preceito de honra. Nunca me servirei de minha profissão para corromper os costumes ou favorecer o crime. Se eu cumprir este juramento com fidelidade, goze eu para sempre a minha vida e a minha arte de boa reputação entre os homens; se o infringir ou dele afastar-me, suceda-me o contrário." (Hipócrates. 450 a.c.)

Parabéns a todos os meus colegas médicos, que podem deitar a cabeça no travesseiro e saber que fizeram o seu melhor. E que nada, nunca, nem ninguém (nem nós mesmos) tirem da nossa profissão, a nobreza, a dignidade e o caráter que ela tem.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Preciosas Promessas

"Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele."

João 3.17

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

15 de outubro

Eu sempre quis ser professora. Quem nunca brincou de escolinha que atire a primeira pedra. Cresci em uma família em que a educação sempre foi coisa séria. Minha avó era professora de inglês. Lembro de vê-la corrigindo tarefas, elaborando provas, recebendo telefonemas de alunos, e até mesmo, recebendo alunos em casa. Lembro das notas que dava, dos diários de classe, de vê-la escolher os  livros que seriam lidos no ano seguinte, da cautela na escolha de todo o material didático. Gostei. 
Então, aos 12-13 anos, essa foi minha primeira profissão - "professora de inglês". Dava aula para duas vizinhas (hoje, uma médica e uma adovogada) e para o irmão de uma colega de classe (não sei o que ele se tornou). Ganhava  um dinheirinho, porque as aulas não eram de graça, não. Afinal, eu ia parar os meus grandes e preciosos afazeres de uma menina de 12 - 13 anos, e isso teria que ter um preço. Eu  até poderia dizer que tive uma infância difícil, que meus pais passaram aperto pra criar os filhos e tal, e que  por isso, precisei pegar no batente desde cedo. Seria uma história bonita e emocionante. Mas, não. Não seria a minha história...
Tive uma infância privilegiada, uma adolescência com cinema, roupas de marca e tal. Tinha minhas atividades extras, meu curso de inglês, natação, jazz, piano e tudo o mais que pertence a vida de uma garota classe-média do final da década de 80. Fui ser professora porque quis. Por prazer. Por amor. Amor `a arte de ensinar, de ver brotar no outro uma pontinha de saber que antes não estava lá.  E torcer para que o solo seja fértil. E se empenhar para que cresça. E finalmente, se realizar, pelo simples fato de saber que foi você que plantou. 
Com o tempo, chegou o "segundo grau". O exemplo de um professor maravilhoso - Alberto - me fez querer ainda mais seguir minha carreira. Pronto : seria professora de cursinho! Eu estava decidida, chegamos a planejar nossa escola e tudo o mais.  Mas, antes, faria Medicina. Ah, sim a Medicina! 
Além do mais, eu não queria ser "só professora."
Só professora.
Como pode uma profissão tão nobre ser tão desvalorizada? Por que não temos mais pessoas querendo ser  só professores? Simplesmente professores?  Professores por opção? Professores por paixão?
Por que não?
Mas, hoje vou só perguntar (As respostas dão um livro).
Cada leitor  que faça sozinho suas hipóteses, que eu cá, fico com as minhas...
A vida me levou além dos meus sonhos, e pude então, ser professora de Práticas Integradoras e  Semiologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás e de Hematologia da PUC-Goiás. Tenho orgulho de ver meus alunos formados, médicos, maduros. Alguns, ainda por se formar, mas já bem mais conhecedores da Medicina do que quando os vi pela primeira vez... Tenho orgulho de saber que, por umas poucas semanas, ou por uma ano inteiro, eu estive lá.  De alguma forma, com alguma intensidade, eu também plantei alguma coisiquinha neles, por menor que tenha sido. E participei, como co-adjuvante, de um projeto grandioso  que é a vida de cada um deles. 
Ainda amo ser professora. Ainda acredito que ensinar seja uma arte. Ainda sonho com um mundo em que se respeite o professor. Um mundo em que ser professor seja um sonho nobre. E que ninguém precise dar explicações por querer ser só professor.
Aos meus professores, 
Muito Obrigada!
Aos meus queridos ex-alunos, 
Saudades!
Aos meus leitores, um texto de Cora Coralina, muito conhecido por todos, mas nem por isso, menos adequado para o dia de hoje.
A todos os professores, Um Feliz Dia do Professor!

Não sei se a vida é curta ou longa para nós, 
mas sei que nada do que vivemos tem sentido, 
se não tocarmos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:
colo que acolhe, 
braço que envolve, 
palavra que conforta, 
silencio que respeita, 
alegria que contagia, lágrima que corre, 
olhar que acaricia, 
desejo que sacia, 
amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo, 
é o que dá sentido à vida. 
É o que faz com que ela não seja nem curta, 
nem longa demais, 
mas que seja intensa,
 verdadeira, 
pura enquanto durar. 
Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.



sábado, 13 de outubro de 2012

Pollyana revoltada.

B - Manhêêê!!!Buáááá - Lá vem a criança média gritando desesperada.

M - O que aconteceu, Bia? Calma, para de chorar.
B - A Laura bateu na minha cabeça com a colher de cozinhar (colher de pau)
M - Laura, minha filha, é verdade, isso?
L -  dá um sorriso tão grande, que chega a fechar os olhinhos, confirmando a acusação da irmã.


B - Manhêêê!!!Buáááá - Lá vem a criança média gritando desesperada.
M - O que aconteceu, Bia? Calma, para de chorar.
B - A Laura jogou água no meu rosto.
M - Laura, minha filha, é verdade, isso?
L -  dá um sorriso tão grande, que chega a fechar os olhinhos, confirmando a acusação da irmã.


B - Manhêêê!!!Buáááá - Lá vem a criança média gritando desesperada.
M - O que aconteceu, Bia? Calma, para de chorar.
B - A Laura mordeu meu nariz!
M - Laura, minha filha, é verdade, isso?
L -  dá um sorriso tão grande, que chega a fechar os olhinhos, confirmando a acusação da irmã.




Chego na sala, está Laura em cima do sofá (não no assento, na parte superior do encosto) fazendo movimentos com os braços como se estivesse batendo as asas, pronta pra alçar vôo.
- Laura, minha filha o que está fazendo?
-  Uai, Voando, mãe.
- Minha filha, você não sabe voar, sabia?
- Clalo, mãe! Sou pequena ainda! É só de mentilinha. ( como se fosse voar, quando ficar adulta)

Todos os dias, a professora da escola da Laura anota como foi o dia da criança na escola. Se ficou feliz ou triste, se ficou ativa ou quieta, se comeu pouco ou  muito, se prestou atenção, se revezou com os coleguinhas, essas coisas. São as Toddler Tales.  Na anotação de ontem, segundo a professora, Laura não prestou atenção durante todo o período do Circle Time, é quando a professora canta musiquinhas, apresenta as letrinhas e atividades do dia.) Motivo: Ficou fazendo posições de YOGA enquanto a professora dava o conteúdo. Quando cheguei ara buscá-la, a professora me contou essa história. Pensa na fofura de uma criança de 2 anos em posições meditativas no meio das outras crianças, enquanto a professora tenta dar aula. Não teve jeito, ficou de "time out."  Mas, a professora teve que segurar pra não rir.

Laura inventou agora que não quer comer carne, nenhum tipo. Virou vegetariana.
M=  Isso é frango, Laura. Frango não é carne.
L= Não?
M= Claro que não.
L = Então, tá! Nhoc.

Essa noite, somos acordados as 5 da manhã por uma criança aos berros.
 - Ligu ale, Ligu ale - Laura gritava.
 E eu, sem entender, achando que ela estava misturando português e inglês ( ela tem feito isso)
- Ligu ale, ligu ale!
- O quê minha filha?
- Tá calô, ligu ale!!
Empacotei tanto as meninas, com medo de passarem frio, que a menina acordou de calor, me pedindo pra ligar o ar condicionado!



quinta-feira, 11 de outubro de 2012

6 meses de América

Eu ia fazer um post contando sobre esses 6 meses, fazendo uma retrospectiva e colocando fotos. Seria um post legal... Mas, tudo que consigo pensar neste momento é em dizer "Obrigada!" 
"Obrigada, Deus."
 E , como "obrigada" não é uma palavra muito poética, eu vou usar o termo "obrigado" a partir de agora, mesmo sabendo que deveria concordar com o gênero de quem escreve. Então, no clima do Thanksgiving (que ainda está longe, mas já estamos no ritmo), o que consigo dizer é isso:

Obrigado, meu Deus!
Obrigado pela oportunidade de estar aqui. Obrigado pelo país, Estado e cidade que nos acolhem.  Obrigado pelo lugar que moramos. Obrigado pelo carro que temos. Obrigado pela MHS, FBA, BDCS (escolas das meninas). Obrigado porque elas vão pra escola sem chorar. Obrigado porque minha mãe ficou comigo esses 6 meses. Obrigado porque estou me virando sem ela. Obrigado porque consigo viver sem empregada e sem babá. Obrigado porque lavar o banheiro não é divertido, mas também não é o fim do mundo. Obrigado porque estou ficando expert em bolo de cenoura. Obrigado pelas duas páginas de scrapbooking que eu fiz. Obrigado porque não engordei. Obrigado porque minha família está mais unida. Obrigado porque aqui, posso passar mais tempo contigo. Obrigado pela First Baptist, United Methodist Bellaire e Congregation Beth-Messiah ( igrejas que frequentamos). Obrigado porque as crianças pararam de adoecer. Obrigado pelo meu casamento que está melhor. Obrigado porque não estou sentindo tanta falta de ser médica. Obrigado pela minha licença-prêmio. Obrigado pela Tua provisão. Obrigado pelo blog e por seus leitores. Obrigado porque aquele calorão passou. Obrigado pelo outono. Obrigado porque não teve furacão, nem qualquer outra calamidade. Obrigado pela família que está no Brasil. Obrigado pela internet, que diminui a saudade. Obrigado pelo whatsapp, com o qual falo com meus irmãos todos os dias. Obrigado pelos amigos amados que lá ficaram. Obrigado pelas amigas brasileiras do grupo Brazilian Moms in Houston. Obrigado pelas pessoas que estão aqui e que nos ajudaram em momentos certos. Obrigado pelas orações daqueles que torcem por nós. Obrigado também pelos que não torcem ( eles são estímulos pra que a gente se supere e faça tudo dar certo). Obrigado pelos meus vizinhos. Obrigado porque estás presente aqui, como estaria em qualquer lugar. Obrigado por tudo!
Em nome de Jesus,
Amém.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Preciosas Promessas

"Respondeu Jesus: Se alguém me ama, 
guardará a minha palavra;
 e meu Pai o amará, e viremos para ele 
e  faremos nele morada."

João 14:23

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

O dia em que as chupetas também foram embora

Aconteceu algo inédito aqui em casa essa semana.Vocês acreditam que Papai Noel, também conhecido com Santa Claus nas bandas de cá, parou tudo o que estava fazendo e veio dar as caras na minha casa?Não bastasse ele sair das terras geladas nessa época tão crítica, ele interrompeu toda a linha de produção e fez chegar aqui uma cozinha linda, toda bege e rosa, com trocentas panelinhas, talheres e comidinhas (que diga-se de passagem, demorou horas pra montar!) E ainda deixou um cartão para Bia e para a Laura com os seguintes dizeres:


" Queridas Beatriz e Laura,

Vocês estão de parabéns porque conseguiram dormir sem bicôco. Vocês são princesas e não bebês, por isso não precisam mais de bicôco. Por causa da sua coragem passei por aqui e deixei essa cozinha pra vocês brincarem. Ah! Também peguei TODOS os bicôcos da casa e dei para as renas-bebês que acabaram de nascer. Elas adoraram! Obrigado! Continuem sendo boas meninas, no Natal tem mais. 

Ho, Ho, Ho.

Ass: Papai Noel."


Não é um fofo esse velhinho?Ele estava de olho quando mamãe resolveu executar o plano malévolo de tirar as chupetas das crianças (bicôco=chupeta). Afinal, vovó foi embora, assim mamãe estava livre pra fazer maldades! (Vovó jamais permitiria uma coisa dessa!) Mas, mamãe estava cansada de ver aquelas "mutrecas" indo pra escola de bico, enquanto as crianças americanas da mesma idade comem sozinhas, vestem-se sozinhas, atravessam a rua sozinhas (!), limpam a própria bagunça, dirigem, fazem compras, cuidam da casa e fazem faxina. Aí, era tipo assim, um verdadeiro vexame, essas meninas de bico.O choro foi  muito menor que eu esperava, mas ainda assim, vovó Tatá não suportaria.Desespero, desespero mesmo, foi só na primeira noite. Tentaram o dedo, a perna da boneca, mas nada tinha o mesmo sabor do bicoquinho... O pai até saiu de cena, porque a mãe planejou tudo sozinha e  o colocou na enrascada. Mas, na segunda noite, já não teve choro. Só tristeza e reclamação, mas sem o berreiro insano da primeira noite. Papai Noel também mandou um e-mail de encorajamento no segundo dia, com uma foto dele experimentando a chupeta ( beleza essa internet!) Na terceira noite, não teve mais nada.

E foi  desse jeitinho assim que as chupetas foram parar lá no Pólo Norte.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

O dia em que minha mãe foi embora


O dia amanheceu friozinho. Temperatura agradável, coisa rara aqui desde que chegamos, em abril. Sinal de que o outono já chegou, e veio pra ficar.  
Um dia comum, arrumando as crianças para escola, não fosse pela pergunta da Bia: 
Cadê a vovó?
Pois a vovó voltou pra Brasil, Bia.
Espanto! Buá e dá-lhe buá. 
Ai, se eu pudesse, chorava também, Biazinha.
Enfim, o dia começou assim, sem graça. Faltando alguma coisa. 
"Eu gosto do carro cheio de gente pra me deixar na escola."
Um olhar pra cama vazia e fiquei quase triste.
É que minha mãe enche uma casa. Corre daqui e dali, ajeita uma coisa, cata outra. Socorre uma criança, acode uma panela.  Conversa daqui, ri de lá, conta uma história, e  solta uma gargalhada.  
Mas, ela volta em dois meses. Foi ali dar uma passeadinha no gigante deitado eternamente em berço esplêndido, como ela gosta de chamar nossa pátria...
Dois meses, então, nem dá pra fazer drama. Dois meses pra casa cheia de novo. O Halloween pra mim vai durar dois meses...
E então, de repente, vai ser Natal.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Cebolas, "acorns" , William e Joe

Eu continuo encantada com as escolas de crianças... Eu e minha fiel câmera fotográfica (ok, na verdade é um iphone...) seguimos inseparáveis, e não é diferente na escola das meninas... Vou falar sobre a escola das pequenas, mas o próximo post é sobre a escola da filha grande, digo, da filha mais velha.
Hoje fotografei a salinha da Laura, que estava mais linda do que nunca, cheia de trabalhinhos das crianças dependurados pra tudo que é lado. Laura está super `a vontade na escola e já conversa com os colegas. Não sei como, mas parece que eles se entendem... Ela fala em português, eles respondem em inglês, ela fala um "No" aqui, um "Yes", ali, um "Ok" de cá e um "Uh, Oh" de lá... Coloca aí  no meio meia dúzia de palavrinhas que já conhece, como doll, bug, block, boo-boo, acrescenta um "Please" e um "Thank you"... e pronto,  está feito o diálogo! 
 De vez em quando, ela ainda bate um papo com o espelho, mas a interação com crianças de verdade está cada vez mais intensa. Bonitinho ela pedir pra ir ao banheiro."I wanna go potty" Só que o tt tem som de r em inglês (como em "americano", "caro", "papiro", etc) e, como ela ainda não consegue falar esse fonema, a palavra sai "póli", "beauliful" , "bullefly" ou seja, uma versão feminina e americana do Cebolinha. E fofa. E tem o "twinkle, twinkle." Ah!  O twinkle, twinkle! Que vontade de apertar quando ela está cantando ( na verdade, tentando cantar) o twinkle, twinkle. Vou tentar postar um vídeo ( De novo. Sou brasileira, não desisto nunca. Um dia sai.).  Esses dias, ela chegou falando: "Mãe, mãe! Intópa!" Intópa!" Que diacho é Intópa, genteEu custei a entender...
Era STOP!                                          




















Beatriz também está uma coisa incrível na aquisição do novo idioma.
Ontem chegou contando que pegou um "acorn" e a Ms. Rogers disse que não podia. E eu sem saber o que era "acorn"... Fiquei  imaginando que ela não tinha entendido bem. Pegou o quê, Bia? Um acorn mãe. Um o quê, menina? Um acorn, no outside playground. E como ela insistia muito no danado do acorn, fui ver do que se tratava. Pedi pra ela falar devagar, pra ver se era isso mesmo que eu estava entendendo e fui consultar o pai dos burros. Pois está lá. Acorn - the nut of the oaks. Ou seja, a castanha do carvalho [a mesma que  aquele esquilo(?) da Era do Gelo persegue o tempo todo]. Parece que ela andou catando essas pequenas nozes no parquinho a professora ficou preocupada, porque não são comestíveis...

Pois ela já fala frases completas, com estrutura gramatical mais rebuscada. "Tão pequenininha e já sabe usar phrasal verbs", a gente fala aqui em casa...  Phrasal verbs são o ó... Quando canta as músicas,  conseguimos compreender totalmente. Acaba enrolando em algumas palavras, mas, no geral, vai muito bem... Tanto que a nossa programação de colocá-la em uma escola pública no próximo ano provavelmente vai furar...  Isso porque a escola pública só é gratuita (aos 4 anos) aqui no Texas, se a criança não for fluente em inglês A partir dos 5 anos, é gratuita pra todo o mundo, mas com 4 aninhos, só para os não faladores da língua. Parece que ela não preencherá o pré-requisito, pois vai acabar sendo fluente em pouco tempo. 
Está um sufoco cada uma em uma escola diferente, mas eu sou apaixonada pelas duas escolas. Como são escolas cristãs, não comemoram o Halloween, o que eu particularmente achei uma beleza, porque as meninas têm medo. A Bia estava apavorada com a possibilidade de ter o Halloween. Ela não cansa de dizer: "Não gosto de Halloween, mamãe. Nem de Carnaval." Parece crente, essa menina, gente! Hehe
***
Esses dias me ligaram da escola da Laura ( a diretora me ligou) pra falar que no pão não tinha presunto. Eu disse que ela não gosta de presunto, por isso não coloquei. Mas, segundo a diretora, eu tenho que colocar uma proteína. Mas tinha queijo! Queijo é proteína, ora. Não servia. Queijo entra como produto lácteo. Se eu usá-lo pra ser fonte de proteína, tenho que mandar outro produto lácteo. Um iogurte, ou mesmo um pouco de leite. Sempre mando, mas não quis criar caso. O fato é que tem que ter um alimento de cada grupo - frutas e verduras/ carboidratos - pães e cereais/ leite e derivados/  carnes ou ovos ou produtos contendo proteínas. Eles são super rigorosos quanto a isso. Existe uma  Fiscalização por parte do Governo ( apesar de a escola não ser pública), pra checar se as crianças estão comendo adequadamente. E fui avisada da necessidade de ter o alimento disponível, mesmo que a criança não coma, se ela não quiser. Mas tem que estar lá, na lancheira dela. Achei o caso muito interessante, e tenho uma porção de considerações a respeito. Primeiro, é bom saber que a escola se preocupa. Mas, também acho que o que minha filha come é problema meu e ninguém deveria se interpor. Ao mesmo tempo, trata-se de uma orientação nutricional adequada, então, é digna de ser seguida.  O negócio de ter o alimento disponível é interessante também, a criança se acostuma com os grupos alimentares. Como vocês podem ver, estou um pouco dividida em relação aos prós e contras, mas tenho uma tendência a ser a favor.

De uma maneira geral, crianças americanas se alimentam melhor que as brasileiras. O lanche  - que na verdade é o nosso  almoço - contém cenouras, tomates cereja, talos de salsão...Também é comum que eles comam brócolis e couve-flor. Tudo cru, gente!! Coloca-se um molhinho pra mergulhar os legumes pra criança aceitar melhor.  Também é quase tudo finger food, pra que elas possam comer sozinhas. Nem as mães daqui dão comida para os filhos, pensa se professora vai dar... Colocam no prato, é dado o tempo de uma  refeição normal (20-30 min). Quem comeu, comeu. Quem não comeu, fica pra próxima.


As minhas custam a comer o arroz/feijão. São alimentadas por mim ou pelo Christiano. Aquele stress total, a gente correndo atrás das meninas, fazendo pressão.  Menu monótono, porque se variar, ninguém nem prova.  Na escola, ninguém fica do lado falando "olha o aviãozinho", "abre o bocão de jacaré", "só mais uma colherada" ... É quem comeu, comeu. Pensa que dificuldade tem sido montar o lanche dessas crianças!!  Mando frutas sabendo que vão jogar fora (mas tem que ter disponível), porque também tem isso: o que não comeu, taca no lixo. Sem dó. Verduras ainda não mandei. Acho que no dia que elas comerem couve-flor crua no lanche, eu solto uma caixa de foguetes.



Quando fui buscar Laura na escola ontem ela me disse; Eu não gosto dessa cebola. Que cebola, minha gente? Vou buscar a menina na escola e ela sai com essa, do nada, que não gosta de cebola... Fiquei pensando... Será que tinha tido cebola no lanche de alguém? Seria possível uma coisa dessa? Uma criança toda feliz e contente dando mordidas numa cebola na hora do lanche? Era essa que me faltava! Mas, logo ela apontou para as cebolas ás quais se referia. Na verdade, eram as tais abóboras decorativas! De tanto ver as abóboras com caras assustadoras, agora ela tem medo de abóbora. De todos os tipos.  Mesmo as de carinha simpática. E até das abóboras sem cara nenhuma, que ela chama de cebola!





Dia desses, dei a maior rata. Entrou no elevador da escola da BIA uma mãe coreana/tailandesa/japonesa/vietnamita... enfim, vocês já sabem: ASIANA! Ela e o filhinho dela também de olhinhos puxados. Lindinho o menino. Então, ela foi e cumprimentou a Bia. Hi, Beatriz! E se apresentou pra mim, falando que o menino era da sala da Bia. E eu,  querendo ser simpática, fui logo dizendo. Eu sei! Ele é o William não é?
Pausa.
Não era. Ele era o Joe.
Aff! São todos tão iguaizinhos...

***

Para mim, tem sido um verdadeiro privilégio, poder oferecer `as minhas filhas um tipo diferente de educação. Educação de qualidade, que visa não somente o crescimento acadêmico (ninguém, na verdade, está muito interessado em crescimento acadêmico quando se trata de em uma criança de 2 anos), mas também e principalmente a oportunidade de vivenciar outros idiomas, sabores, tradições e culturas e assim, crescer em todos os aspectos. Estamos em uma cidade muito internacional, com gente de todo lugar do mundo. São indianos, asiáticos, alemães, latino-americanos, árabes, judeus, americanos.  Desejo que minhas filhas consigam  aproveitar ao máximo  esse tempo construindo uma mente aberta, de tal forma que não abram mão de seus princípios (estes são ensinados em casa!), mas respeitem diferentes olhares sobre o mundo.  Que julguem as pessoas "pelo seu caráter e não pela cor de sua pele".   E que assim possam  crescer em "estatura, sabedoria e graça, diante de Deus e dos homens."  
***
 Se você que me lê ainda não sabe o que estamos fazendo aqui, releia o páragrafo acima. É isso.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012