segunda-feira, 15 de outubro de 2012

15 de outubro

Eu sempre quis ser professora. Quem nunca brincou de escolinha que atire a primeira pedra. Cresci em uma família em que a educação sempre foi coisa séria. Minha avó era professora de inglês. Lembro de vê-la corrigindo tarefas, elaborando provas, recebendo telefonemas de alunos, e até mesmo, recebendo alunos em casa. Lembro das notas que dava, dos diários de classe, de vê-la escolher os  livros que seriam lidos no ano seguinte, da cautela na escolha de todo o material didático. Gostei. 
Então, aos 12-13 anos, essa foi minha primeira profissão - "professora de inglês". Dava aula para duas vizinhas (hoje, uma médica e uma adovogada) e para o irmão de uma colega de classe (não sei o que ele se tornou). Ganhava  um dinheirinho, porque as aulas não eram de graça, não. Afinal, eu ia parar os meus grandes e preciosos afazeres de uma menina de 12 - 13 anos, e isso teria que ter um preço. Eu  até poderia dizer que tive uma infância difícil, que meus pais passaram aperto pra criar os filhos e tal, e que  por isso, precisei pegar no batente desde cedo. Seria uma história bonita e emocionante. Mas, não. Não seria a minha história...
Tive uma infância privilegiada, uma adolescência com cinema, roupas de marca e tal. Tinha minhas atividades extras, meu curso de inglês, natação, jazz, piano e tudo o mais que pertence a vida de uma garota classe-média do final da década de 80. Fui ser professora porque quis. Por prazer. Por amor. Amor `a arte de ensinar, de ver brotar no outro uma pontinha de saber que antes não estava lá.  E torcer para que o solo seja fértil. E se empenhar para que cresça. E finalmente, se realizar, pelo simples fato de saber que foi você que plantou. 
Com o tempo, chegou o "segundo grau". O exemplo de um professor maravilhoso - Alberto - me fez querer ainda mais seguir minha carreira. Pronto : seria professora de cursinho! Eu estava decidida, chegamos a planejar nossa escola e tudo o mais.  Mas, antes, faria Medicina. Ah, sim a Medicina! 
Além do mais, eu não queria ser "só professora."
Só professora.
Como pode uma profissão tão nobre ser tão desvalorizada? Por que não temos mais pessoas querendo ser  só professores? Simplesmente professores?  Professores por opção? Professores por paixão?
Por que não?
Mas, hoje vou só perguntar (As respostas dão um livro).
Cada leitor  que faça sozinho suas hipóteses, que eu cá, fico com as minhas...
A vida me levou além dos meus sonhos, e pude então, ser professora de Práticas Integradoras e  Semiologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás e de Hematologia da PUC-Goiás. Tenho orgulho de ver meus alunos formados, médicos, maduros. Alguns, ainda por se formar, mas já bem mais conhecedores da Medicina do que quando os vi pela primeira vez... Tenho orgulho de saber que, por umas poucas semanas, ou por uma ano inteiro, eu estive lá.  De alguma forma, com alguma intensidade, eu também plantei alguma coisiquinha neles, por menor que tenha sido. E participei, como co-adjuvante, de um projeto grandioso  que é a vida de cada um deles. 
Ainda amo ser professora. Ainda acredito que ensinar seja uma arte. Ainda sonho com um mundo em que se respeite o professor. Um mundo em que ser professor seja um sonho nobre. E que ninguém precise dar explicações por querer ser só professor.
Aos meus professores, 
Muito Obrigada!
Aos meus queridos ex-alunos, 
Saudades!
Aos meus leitores, um texto de Cora Coralina, muito conhecido por todos, mas nem por isso, menos adequado para o dia de hoje.
A todos os professores, Um Feliz Dia do Professor!

Não sei se a vida é curta ou longa para nós, 
mas sei que nada do que vivemos tem sentido, 
se não tocarmos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:
colo que acolhe, 
braço que envolve, 
palavra que conforta, 
silencio que respeita, 
alegria que contagia, lágrima que corre, 
olhar que acaricia, 
desejo que sacia, 
amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo, 
é o que dá sentido à vida. 
É o que faz com que ela não seja nem curta, 
nem longa demais, 
mas que seja intensa,
 verdadeira, 
pura enquanto durar. 
Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.



6 comentários:

  1. Parabéns professora em período sabático. Saudades de você

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  2. Oi flor...
    eu também dei aula...
    fui professora na escola que me formei o segundo grau (tecnico em eltronica), como era uma boa aluna, logo que sai da escola fui convidad a dar aulas...
    Quando estava na faculdade (engenharia) também dei aulas (ainda neste curso tecnico).
    Sempre gostei de dara ulas, ensinar... meus alunos gostavam também da maneira com que eu os ensinanva...
    Mas como vc disse é uma carreira que não tem estimulos, pois hoje são oferecidos salarios baixissímos e as escolas estao ficando decadentes no Brasil... realmente é trite isso...
    Mas parabéns aos que estão na luta... é de admirar...
    beijinhos

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    1. Triste mesmo a situação dos professores no Brasil, né, Ana? Mas,com todo o perrengue, aqui estamos, graças a eles.
      Beijos!

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  3. Que texto lindo professora!!!! Com certeza vc está fazendo falta na hemato da PUC. Bjos

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    1. Obrigada, Poliana. Penso sempre em cada um de vocês, na Faculdade (hoje mesmo sonhei que estava dando aula!). Tomara que estejam todos bem e que a Hematologia continue caminhando, mesmo sem mim! Abraços a todos os seus colegas.

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