terça-feira, 2 de outubro de 2012

Cebolas, "acorns" , William e Joe

Eu continuo encantada com as escolas de crianças... Eu e minha fiel câmera fotográfica (ok, na verdade é um iphone...) seguimos inseparáveis, e não é diferente na escola das meninas... Vou falar sobre a escola das pequenas, mas o próximo post é sobre a escola da filha grande, digo, da filha mais velha.
Hoje fotografei a salinha da Laura, que estava mais linda do que nunca, cheia de trabalhinhos das crianças dependurados pra tudo que é lado. Laura está super `a vontade na escola e já conversa com os colegas. Não sei como, mas parece que eles se entendem... Ela fala em português, eles respondem em inglês, ela fala um "No" aqui, um "Yes", ali, um "Ok" de cá e um "Uh, Oh" de lá... Coloca aí  no meio meia dúzia de palavrinhas que já conhece, como doll, bug, block, boo-boo, acrescenta um "Please" e um "Thank you"... e pronto,  está feito o diálogo! 
 De vez em quando, ela ainda bate um papo com o espelho, mas a interação com crianças de verdade está cada vez mais intensa. Bonitinho ela pedir pra ir ao banheiro."I wanna go potty" Só que o tt tem som de r em inglês (como em "americano", "caro", "papiro", etc) e, como ela ainda não consegue falar esse fonema, a palavra sai "póli", "beauliful" , "bullefly" ou seja, uma versão feminina e americana do Cebolinha. E fofa. E tem o "twinkle, twinkle." Ah!  O twinkle, twinkle! Que vontade de apertar quando ela está cantando ( na verdade, tentando cantar) o twinkle, twinkle. Vou tentar postar um vídeo ( De novo. Sou brasileira, não desisto nunca. Um dia sai.).  Esses dias, ela chegou falando: "Mãe, mãe! Intópa!" Intópa!" Que diacho é Intópa, genteEu custei a entender...
Era STOP!                                          




















Beatriz também está uma coisa incrível na aquisição do novo idioma.
Ontem chegou contando que pegou um "acorn" e a Ms. Rogers disse que não podia. E eu sem saber o que era "acorn"... Fiquei  imaginando que ela não tinha entendido bem. Pegou o quê, Bia? Um acorn mãe. Um o quê, menina? Um acorn, no outside playground. E como ela insistia muito no danado do acorn, fui ver do que se tratava. Pedi pra ela falar devagar, pra ver se era isso mesmo que eu estava entendendo e fui consultar o pai dos burros. Pois está lá. Acorn - the nut of the oaks. Ou seja, a castanha do carvalho [a mesma que  aquele esquilo(?) da Era do Gelo persegue o tempo todo]. Parece que ela andou catando essas pequenas nozes no parquinho a professora ficou preocupada, porque não são comestíveis...

Pois ela já fala frases completas, com estrutura gramatical mais rebuscada. "Tão pequenininha e já sabe usar phrasal verbs", a gente fala aqui em casa...  Phrasal verbs são o ó... Quando canta as músicas,  conseguimos compreender totalmente. Acaba enrolando em algumas palavras, mas, no geral, vai muito bem... Tanto que a nossa programação de colocá-la em uma escola pública no próximo ano provavelmente vai furar...  Isso porque a escola pública só é gratuita (aos 4 anos) aqui no Texas, se a criança não for fluente em inglês A partir dos 5 anos, é gratuita pra todo o mundo, mas com 4 aninhos, só para os não faladores da língua. Parece que ela não preencherá o pré-requisito, pois vai acabar sendo fluente em pouco tempo. 
Está um sufoco cada uma em uma escola diferente, mas eu sou apaixonada pelas duas escolas. Como são escolas cristãs, não comemoram o Halloween, o que eu particularmente achei uma beleza, porque as meninas têm medo. A Bia estava apavorada com a possibilidade de ter o Halloween. Ela não cansa de dizer: "Não gosto de Halloween, mamãe. Nem de Carnaval." Parece crente, essa menina, gente! Hehe
***
Esses dias me ligaram da escola da Laura ( a diretora me ligou) pra falar que no pão não tinha presunto. Eu disse que ela não gosta de presunto, por isso não coloquei. Mas, segundo a diretora, eu tenho que colocar uma proteína. Mas tinha queijo! Queijo é proteína, ora. Não servia. Queijo entra como produto lácteo. Se eu usá-lo pra ser fonte de proteína, tenho que mandar outro produto lácteo. Um iogurte, ou mesmo um pouco de leite. Sempre mando, mas não quis criar caso. O fato é que tem que ter um alimento de cada grupo - frutas e verduras/ carboidratos - pães e cereais/ leite e derivados/  carnes ou ovos ou produtos contendo proteínas. Eles são super rigorosos quanto a isso. Existe uma  Fiscalização por parte do Governo ( apesar de a escola não ser pública), pra checar se as crianças estão comendo adequadamente. E fui avisada da necessidade de ter o alimento disponível, mesmo que a criança não coma, se ela não quiser. Mas tem que estar lá, na lancheira dela. Achei o caso muito interessante, e tenho uma porção de considerações a respeito. Primeiro, é bom saber que a escola se preocupa. Mas, também acho que o que minha filha come é problema meu e ninguém deveria se interpor. Ao mesmo tempo, trata-se de uma orientação nutricional adequada, então, é digna de ser seguida.  O negócio de ter o alimento disponível é interessante também, a criança se acostuma com os grupos alimentares. Como vocês podem ver, estou um pouco dividida em relação aos prós e contras, mas tenho uma tendência a ser a favor.

De uma maneira geral, crianças americanas se alimentam melhor que as brasileiras. O lanche  - que na verdade é o nosso  almoço - contém cenouras, tomates cereja, talos de salsão...Também é comum que eles comam brócolis e couve-flor. Tudo cru, gente!! Coloca-se um molhinho pra mergulhar os legumes pra criança aceitar melhor.  Também é quase tudo finger food, pra que elas possam comer sozinhas. Nem as mães daqui dão comida para os filhos, pensa se professora vai dar... Colocam no prato, é dado o tempo de uma  refeição normal (20-30 min). Quem comeu, comeu. Quem não comeu, fica pra próxima.


As minhas custam a comer o arroz/feijão. São alimentadas por mim ou pelo Christiano. Aquele stress total, a gente correndo atrás das meninas, fazendo pressão.  Menu monótono, porque se variar, ninguém nem prova.  Na escola, ninguém fica do lado falando "olha o aviãozinho", "abre o bocão de jacaré", "só mais uma colherada" ... É quem comeu, comeu. Pensa que dificuldade tem sido montar o lanche dessas crianças!!  Mando frutas sabendo que vão jogar fora (mas tem que ter disponível), porque também tem isso: o que não comeu, taca no lixo. Sem dó. Verduras ainda não mandei. Acho que no dia que elas comerem couve-flor crua no lanche, eu solto uma caixa de foguetes.



Quando fui buscar Laura na escola ontem ela me disse; Eu não gosto dessa cebola. Que cebola, minha gente? Vou buscar a menina na escola e ela sai com essa, do nada, que não gosta de cebola... Fiquei pensando... Será que tinha tido cebola no lanche de alguém? Seria possível uma coisa dessa? Uma criança toda feliz e contente dando mordidas numa cebola na hora do lanche? Era essa que me faltava! Mas, logo ela apontou para as cebolas ás quais se referia. Na verdade, eram as tais abóboras decorativas! De tanto ver as abóboras com caras assustadoras, agora ela tem medo de abóbora. De todos os tipos.  Mesmo as de carinha simpática. E até das abóboras sem cara nenhuma, que ela chama de cebola!





Dia desses, dei a maior rata. Entrou no elevador da escola da BIA uma mãe coreana/tailandesa/japonesa/vietnamita... enfim, vocês já sabem: ASIANA! Ela e o filhinho dela também de olhinhos puxados. Lindinho o menino. Então, ela foi e cumprimentou a Bia. Hi, Beatriz! E se apresentou pra mim, falando que o menino era da sala da Bia. E eu,  querendo ser simpática, fui logo dizendo. Eu sei! Ele é o William não é?
Pausa.
Não era. Ele era o Joe.
Aff! São todos tão iguaizinhos...

***

Para mim, tem sido um verdadeiro privilégio, poder oferecer `as minhas filhas um tipo diferente de educação. Educação de qualidade, que visa não somente o crescimento acadêmico (ninguém, na verdade, está muito interessado em crescimento acadêmico quando se trata de em uma criança de 2 anos), mas também e principalmente a oportunidade de vivenciar outros idiomas, sabores, tradições e culturas e assim, crescer em todos os aspectos. Estamos em uma cidade muito internacional, com gente de todo lugar do mundo. São indianos, asiáticos, alemães, latino-americanos, árabes, judeus, americanos.  Desejo que minhas filhas consigam  aproveitar ao máximo  esse tempo construindo uma mente aberta, de tal forma que não abram mão de seus princípios (estes são ensinados em casa!), mas respeitem diferentes olhares sobre o mundo.  Que julguem as pessoas "pelo seu caráter e não pela cor de sua pele".   E que assim possam  crescer em "estatura, sabedoria e graça, diante de Deus e dos homens."  
***
 Se você que me lê ainda não sabe o que estamos fazendo aqui, releia o páragrafo acima. É isso.

5 comentários:

  1. Pois é doutora Cristiane.
    Esse povo Asiano é tudo igual mesmo!

    ResponderExcluir
  2. E que negócio é esse de escola ano que vem?? Vocês não vem embora mais não???

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Hehehe, Carol. Dois anos, minha amiga. No mínimo!! Bom que dá tempo pra você vir visitar a gente! Beijos!

      Excluir
  3. Oi Cristiane,
    Sou a Bia Farah do facebook do grupo das mães de Houston !
    A D O R E I o seu post, ri muito e já fiquei imaginando a minha pequena falando do mesmo jeitinho das suas pequenas, uma gracinha.
    Ler o seu post me tranquiiza porque voce o escreve de uma maneira tão pessoal e divertida que dá até vontade de realmente viver tudo o que está acontecendo.
    Já já estaremos ai e certamente iremos nos encontrar. :) Vamos né ??? Pelo menos tentar !!!
    Estamos agora passando pelos momentos de mudança, apreensivos pelo que nos aguarda e tristes de estar indo morar tão longe do nosso lar e da nossa família. Ossos do ofício, mas lá vamos nós.
    Mas sabemos que encontraremos um vasto mundo a explorar , AMIGOS e como você disse, iremos proporcionar a nossa filha uma educação de qualidade e um futuro melhor ( assim esperamos).
    Bjs
    Bia

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Bia!
      Realmente tem sido uma experiência incrível Quem viver, verá! Rss
      Você vai estar em breve experimentando isso, estou ansiosa pra sua chegada. Não esqueci da minha scrapbooking teacher! Hehehe. E seu marido? Está em Houston? Entre em contato comigo, `as vezes, podemos ajudá-lo em algo.
      Beijos

      Excluir