segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Das tradições de Natal

O Natal americano é muito parecido com o Natal brasileiro. Ambos os países possuem o Natal ocidental e pseudo-cristão. Sim, triste verdade para ambos os países… Pra viver o Natal cristão mesmo, tanto cá quanto lá, temos que tentar enxergar Cristo no centro. E no meio de tanta firula, fica quase impossível.
Eu particularmente amo Natal. E amo pelos dois motivos: pelo seu significado maior - a vinda de Jesus ao mundo - e pelas firulas natalinas. Amo firulas natalinas. Luzes de Natal, comida de Natal, decoração, árvore… tudo, tudinho. E aqui na terra do tio Sam, cada detalhe é elevado `a décima potência.
Algumas tradições são bem mais fortes aqui. Eu comprei até um livro que explica as 40 tradições mais populares do Natal americano.  O livro fala da origem de cada uma delas e é leitura rápida e bem interessante para curiosos como eu. Confesso que não consegui adotar todas elas, mas vou falar brevemente das que mais me tocam e  algumas que resolvemos aderir aqui em casa (algumas já realizávamos no Brasil).


1. Christmas music - A música natalina
Definitivamente, essa é a minha "Top Number one tradition" -  falei disso no post de Natal do ano passado.  Gosto de ouvir músicas que contam a história do primeiro Natal, louvores ao menino Jesus, da adoração dos pastores, dos reis magos…(também gosto das que falam de renas, presentes e de Papai Noel, confesso). Depois do Thanksgiving, minha rádio só toca música de Natal. E saibam que vai beeeem além do "jingle bells" que a gente tanto escuta no Brasil…

2. The Christmas Tree and the Christmas Wreath - A Árvore de Natal e a guirlanda - as daqui de casa são bem simples. Mas aqui é a terra das árvores cinematográficas, que podem ser pinheiros colhidos, digo, cortados na hora. Fresh cut. Próximo ano quem sabe…



3. The ornaments - Os enfeites. A variedade de enfeites pra árvore é uma coisa assustadora. pra se ter uma ideia, eles são vendidos o ano todo em lojas especializadas ou de decoração. As pessoas compram como lembrancinha. Sabe, como se fosse um pano de prato " estive em Fortaleza e lembrei-me de você"? Pois é, aqui a pessoa vai em Austin e compra um enfeite com o Capitólio pra sua árvore. Eu comprei um em San Antonio.

3. Christmas Lights - Luzes de Natal - a cidade fica simplesmente maravilhosa. Cada casa de cair o queixo.  Coisa de Hollywood. Como moramos em apartamento, as únicas luzinhas são as da árvore.  Este ano fomos a College Station, a 60 milhas, pra ver o espetáculo de luzes natalinas. Lindo!


4. The Gingerbread House -  Casa de doces
É uma casinha feita de biscoito e enfeitada de doces e jujubas, pra família inteira montar junta.Bem tradicional por aqui.  Fizemos este ano aqui em casa. Deu uma mão-de-obra doida,  as crianças comiam os enfeites da casa. Não sei se vou permanecer com a tradição.




5. Christmas Choir - A Cantata de Natal - sempre fui, desde pequenininha. Dezembro pra mim sempre foi época de apresentação do coral, teatro e dança na Igreja. Muitas vezes, eu fazia parte do elenco. Ano passado, fiz a pastora Sarah, na United Methodist Church, minha primeira atuação em inglês. Este ano, foi a vez das meninas, que apresentaram uma coreografia na Brazilian Presbyterian Church. Também assistimos ao espetáculo Celebration, da First Baptist Church. Se não tiver cantata, não tem cara de Natal pra mim…

6. Santa Claus - Papai Noel - pra mim, uma polêmica. Fico culpada em mentir tão descaradamente para minhas filhas, mas é uma das mais doces lembranças da minha infância - e também a maior decepção. A sensação impagável de vê-las no dia 25 abrindo os presentes é que me mantém firme na posição pró-velhinho.


7. Christmas Cards - Cartões de Natal - No Brasil, é comum a gente receber cartões de empresas, políticos, lojas em que você é cliente VIP e um ou outro parente que mora longe. Aqui, é beeeem mais que isso. É algo bem mais pessoal. As pessoas mandam cartão de Natal para seus queridos, que podem ser amigos, familiares e até mesmo vizinhos de porta. Tudo pelo correio. Resolvemos aderir. Foi muito bacana escrever cada cartão, lembrar de cada familiar, de cada amigo. Se você recebeu um cartão nosso, considere-se muito especial. Fizemos poucos.



8. The Christmas picture - A foto de Natal Essa eu aderi em gênero, número e grau (pra vocês verem o nível de aderência da pessoa). A maioria das famílias faz fotos profissionais, em estúdio ou ao ar livre, na neve, essas coisas. Ano passado fizemos em estúdio, este ano repetimos a dose. Acho uma maravilhosa lembrança para o futuro. Já pensou que legal juntar todas as fotos de Natal em uma colagem? Ver os cabelos que vão mudando, a moda, os quilinhos a mais, os bebês crescendo… Lamento não ter começado antes a tradição, com a família pequenininha que agora é grande. Mas, antes tarde do que nunca.

9.  The presents - Os presentes - impossível escapar. Mesmo que seja tudo sem exageros, sempre tem presente. E como boa brasileira, deixo muita coisa pra última hora. Ontem chegamos 2 horas da manhã da Macy's - eu , minha irmã e minha teenager. Éramos as únicas na loja de três andares do maior shopping da quarta maior cidade dos Estados Unidos. As pessoas normais já compraram há semanas. Ou meses. Ainda não embrulhei os meus ( preferi escrever no blog). A noite vai ser longa.


10. The Nativity - O presépio. Nunca fizemos em nossa casa no Brasil. Se fiz quando criança, não me lembro (lembra aí, mãe!). Aqui, toda casa tem um. Este ano, comprei um enfeitinho de mesa na loja de um dólar, com José, Maria e o Menino Jesus. Pra fazer de conta que tenho um presépio. E com um dos meus versículos preferidos do Natal. Está em Isaías e foi escrito 700 anos antes de Cristo vir ao mundo.

"Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o governo está sobre seus ombros, e seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz."
Is. 9:6

Um Feliz Natal a todos vocês!

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Do jejum

Então é Natal. Todos no meio do corre-corre de fim-de-ano e aqui não é diferente. Festa na escola, apresentação de ballet, visita de parentes, e o compra-compra natalino - por mais que a gente tente escapar. E a gente tenta mesmo. Por isso, essa é uma época de leitura bíblica mais frequente, mais dedicação `as coisas da Igreja e uma busca pessoal mais acirrada de Deus e do seu Reino - pra que afinal, o Natal faça sentido.
Aí, papai resolve jejuar e  mamãe resolve jejuar também. Não só porque é Natal, mas porque acreditamos que essa seja uma prática cristã muito importante, embora pouco popular. E, como temos em casa uma pequena cristã muito interessada nas coisas de Deus, surge a conversa abaixo.
Em azul estão os meus pensamentos (pensei, mas não falei) e em preto o que eu efetivamente falei.
B= Mãe, o que é jejum?
M= Filha, jejum é ficar sem comer alguma coisa, ou sem beber alguma coisa. Ou até mesmo sem fazer alguma coisa QUE A GENTE GOSTA MUITO. Não vale jejuar de Dr Pepper se você odeia Dr Pepper.
B=Mas, pra quê?
M=Pra mostrarmos pra Deus que Ele é mais importante do que comida ou bebida. Ele é mais importante do que tudo que fazemos ou queremos.
B=Hummm. Criança pode jejuar?
M=E agora?  A menina já vive em estado de semi-inanição, se eu falar que pode jejuar… ela vai topar na certa. Bem, criança também pode jejuar. De doce, bala, chocolate ou qualquer coisa que você goste muito. Mas, a mãe tem que concordar.
B=Mãe, quero jejuar.  Jejum de computador.
M=Nossa! Como minha filha é espiritualizada!
B=Pode ser?
M=Claro! Anjo de candura da mamãe, vai direto por céu, jejuando aos 5 anos!!
B=Mãe, será toda segunda-feira.
M=Ok, combinado. Minha Florzinha de Jesus ainda por cima é disciplinada e metódica! Como estou orgulhosa!!
B=Só tem um probleminha.
M=Lá vem. Qual o problema, filha?
B=Segunda-feira tenho aula de Computação e não poderei mais ir `a escola nas segundas…

Ri muito. Meu anjinho de candura  é uma criança normal. E muito, muito esperta!

A aniversariante do mês, protagonista da história acima.


 "Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus."
Jesus Cristo, o aniversariante do mês, em Mateus 4:4.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Minha pequena oração de ação de graças

Pela água quente do meu chuveiro
Pelo cheiro de arroz refogado
Pelo barulho das crianças na sala


Pelo delicioso frio do outono
Pelo aquecimento central
Pela cama que divido com quem amo


Pelo whatsapp
Pela internet
Pelo telefone
Pelo Magic Jack
Pelos correios
Pelos de perto e pelos de longe
Por meus amigos e por meus irmãos

Pelos tucanos, golfinhos, elefantes e coalas
Pelas palmeiras, coqueiros, carvalhos e pinheiros  de Natal
Pela brisa do mar e pelo céu azul
Pela chuva  e pelo céu cinzento
Pelo cheiro de terra molhada
Pela casa em que me abrigo
Pela família


Pelo legado recebido
Pelos meus pais
Pelos meus avós
Pelos que estão neste mundo
Pelos que descansam


Pela professora da Alfabetização
Pelo último livro lido e pelo próximo


Pela manga
Pelo chocolate
Pela comida árabe
Pela Coca-Cola

Pela escova progressiva
Pela cirurgia refrativa
Pela isotretinoína
Pela heparina...

Por não ter TPM
Pelas (três) TPMs alheias que enfrentarei…


Por coisas grandes e pequenas
Supérfluas ou indispensáveis
Por tudo que tenho
Por tudo que sou
Por tudo que vier a ser



Muito, muito, muito obrigada, meu Deus!

Amém!











sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Ursos!! Ao ataque!!

Um tanto de coisa pra dizer, um outro tanto de foto pra postar, imagens do Halloween,  reflexões para o Thanksgiving... mas a notícia que não quer calar é a que vai compor a postagem de hoje: Julia foi aceita na faculdade! Para nós,  brasileiros, seria o equivalente a dizer: Passou no Vestibular.
A notícia chegou em um dia simbólico: 11/12/13 ( aviso aos navegantes que aqui o mês vem antes do dia). Então, no dia 12 de novembro, fomos informados dessa grande vitória. Julia admitida na Universidade.
Foi uma empolgação geral Brasil-EUA, com telefonemas e emails de uma família orgulhosa dessa conquista. Pais, avós, tios, padrinhos... cheios de alegria e gratidão. Nosso bebê vai pra faculdade! Não somente pra faculdade, mas para uma Universidade dos Sonhos! É ou não é muita emoção?
Para acalmar nossos ânimos, nada como a antecedência americana. O resultado que ela recebeu 3 dias atrás é para o início do próximo ano letivo, que graças `a tal antecedência, só acontece em Ago/Set de 2014. Temos então 10 meses para nos preparar para a partida da nossa primogênita rumo `a sua própria vida…10 meses para ensiná-la a sobreviver por si mesma, a saber fazer suas próprias escolhas a quilômetros de distância, a saber o que aceitar e rejeitar… Pensando bem, é muito pouco tempo!
"Bora adiar esse negócio aí, por favor, Universidade querida!!"
Enfim, comemorações a mil por hora, preparativos idem. Corações agradecidos e confiantes de que o que foi plantado, começa a ser colhido. Bendita época de colheita!!

fonte: Google images

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O processo de entrada em uma universidade americana é bem diferente do que acontece no Brasil. O aluno é avaliado como um todo. Para se ter uma ideia, para entrar em uma Universidade americana, o aluno precisa de cartas de recomendação de professores da escola que frequenta, notas boas durante todo o Ensino Médio( o famoso GPA), uma quantia razoável de atividades extra-curriculares, interesse pelo trabalho ( a partir de 14 anos), mostrar engajamento social (trabalho voluntário) ou religioso de alguma natureza.  Ou seja, o estudante é avaliado de forma holística ( por mais que eu desgoste dessa palavra, é o termo que mais cai bem, sendo também utilizado por eles - "Holistic Review")
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O SAT( Scholastic Assessment Test) é um teste padrão vestibular que é um dos fatores levados em consideração. Diferente do Brasil, é um teste padrão em todo o país, e avalia conhecimentos de inglês e matemática. SAT com score baixo  deixa o aluno de fora das melhores universidades. O mesmo vale para o ACT  (American Colleges Testing), que engloba inglês, matemática e conhecimentos em Ciência. São recomendados, mas não obrigatórios. Por exemplo… se o aluno tem notas altíssimas durante todo o ensino médio, nem precisa fazer o teste para a maioria das Universidades. Porém, um número considerável de boas universidades, exigem os testes em questão. Nem preciso dizer que meu chuchu arrebentou, né?
fonte: Google images

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O fato de se falar várias línguas( inglês, espanhol, português e francês) e ter vivido fora do país também a tornou uma candidata bem competitiva. O que suplantou o fato de não ter atividades extracurriculares clássicas - como é comum aqui. Nos EUA, a meninada se engaja desde cedo em clube de escoteiros, associações atléticas, ajuda `as minorias, apoio a causas políticas, etc… E isso não temos no Brasil. OU melhor, não tem valor para uma universidade brasileira.
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Outro fato levado em consideração é a quantidade de AP courses que Julia fez aqui nos EUA. Quase todas as matérias que fez são AP ou pre-AP, o que significa uma dificuldade acadêmica maior. Tá mais ou menos explicado nesse post aqui.
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Outra coisa interessante: aqui o aluno não passa para o curso que escolhe. Aqui, o aluno entra na Faculdade. Não é o curso que mais interessa, e sim a Instituição. A concorrência existe  para entrar na faculdade, e não no curso. Inclusive ele pode demorar até dois anos para declarar qual o seu "major', que seria o que entendemos por curso superior. Isso significa que ele pode prestar para aquela faculdade e ser  admitido com um "Undeclared Major" - quando ele ainda não sabe qual curso quer. Ele tem dois anos para decidir-se. Isso ocorre porque os dois primeiros anos de Faculdade são iguais pra todo o mundo. Não interessa se vc faz Engenharia ou Teatro, sua grade curricular será muito semelhante.
Os amigos e familiares já perguntam: Passou pra quê?? (porque essa é a nossa cultura brasileira). Aqui, a pergunta é: Passou aonde?? (porque isso é o que mais interessa, a instituição). Bem, aos curiosos, aviso que ela declarou o seu major em Biologia. E aí vem a outra grande diferença.
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Nos Estados Unidos, MEDICINA não tem acesso direto. Você não sai do Ensino Médio e vai direto pra uma Faculdade de Medicina. Medicina aqui é pós-graduação. Você só pode ser médico SE antes se formou em algum outro curso, como Biologia, Bioquímica, Psicologia, Enfermagem, etc… que são cursos de acesso direto da High School.
fonte: Google images

Outros cursos que são pós-graduacão nos EUA: DIREITO, FARMÁCIA, ODONTOLOGIA, MEDICINA VETERINÁRIA,  e FISIOTERAPIA. Para todos esses, precisa-se de um curso de 4 anos antes - e um diploma.
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Como ela quer fazer Medicina, o Major dela em Biology é acompanhado de um currículo especial: o PRE-MEDICINE. É voltado para os alunos de Biologia que querem ser médicos. Nem todos tem essa pretensão, mas para os que têm, esse é o curso recomendado. Então, pode-se dizer que ela começa já sua formação em Medicina - que durará 8 anos, sendo os 4 primeiros de pré-medicina e os próximos 4 de Medicina propriamente dita.
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Outra curiosidade é que aqui  nos EUA, TODAS AS UNIVERSIDADES SAO PAGAS, quer sejam públicas ou privadas. Existem excelentes universidades dos dois lados, sendo as mais famosas e mais conhecidas mundialmente as instituições privadas. Quem nunca ouviu falar de Harvard, Yale, Princeton, Brown, Duke, Baylor?  Todas são particulares.  Universidades públicas, embora não muito famosas fora dos EUA, também podem ser igualmente fantásticas,  como a University os Texas, Lousiana State University, University of Pensilvania, Texas A&M, e por aí vai… Em geral, é mais fácil entrar nas públicas do que nas particulares. Mas, isso depende da faculdade em questão.
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Julia foi admitida na Baylor. Uma das top 20 faculdades de Medicina do país. Com bolsa parcial por mérito acadêmico.
As cores da faculdade são o verde-e-amarelo ( será um sinal??) e o mascote é o urso negro norte-americano. O grito de guerra deles é o "Sic'em Bears." Algo como "Ursos!! Ao ataque!!"
 É… não faz muito sentido em português…Mas, eles levam isso muito a sério!

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Só sei que estou muito feliz.
É ou não é motivo para se orgulhar??



Sic'em, Bears!

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Outono, seu lindo!

Já falei que amo o Outono?

Se ainda não, ainda está em tempo.
Embora o outono tenha chegado há mais de um mês ( 23 de setembro é a data oficial), é no mês de outubro que ele se faz sentir com mais presença, pelo menos aqui em Houston. Os termômetros finalmente acusaram uma temperatura mais amena semana passada : 9 º C ( pra maioria dos brasileiros isso é, na verdade, um frio danado). Depois de um verão escaldante e prolongado, nada como sair de casa e sentir uma brisa fresquinha. Aliás, dizem que Houston tem quatro estações: quase Verão,Verão, Ainda Verão e Natal. É mais ou menos por aí...
Mas pra quem vem de um lugar que é só verão o tempo todo, eu consigo enxergar a beleza na mudança das estações.  O que pra eles é considerada uma mudança sutil, pra mim, é um espetáculo da Natureza.
Na última semana de setembro, pude contemplar a última florada da maioria das árvores. A cidade se coloriu de cor-de-rosa, como numa tentativa de manter a  primavera já perdida nos meses anteriores... Eu contemplei com gratidão a oportunidade de enxergar a beleza das coisas...
Finalmente, no início de outubro, a árvore que estava ali, em frente a escola o ano todo, toda verdinha, de repente, estava assim. E foi nesse dia que eu declarei o Outono chegando pra mim.


 O que eu amo do Outono , é a sensação de renovo que ele me dá. A sensação de que tudo que está desgastado em nós, precisa ser removido, trocado. Não há espaço para sentimentos envelhecidos e atitudes ultrapassadas. O inútil deve ser substituído, dando lugar ao novo;  as ideias que não foram adiante precisam ser renovadas. Velhas atitudes não nos levam a novos destinos... 
E é essa poesia que enxergo no outono tímido de Houston. Uma ou outra árvore mixuruca se colorindo de laranja e eu já fico toda cheia de filosofia... A velha história de trocar as folhas (ideias) e manter as raízes(princípios), sabe? Bem, funciona pra mim.

Também é a época da colheita.  Tempo de celebrar os frutos, que em última análise, simbolizam o alimento. Esse é um costume milenar, de outras civilizações, mas que foi muito bem adaptado para cultura norte-americana. É aí que entram as abóboras, como ícone da estação. E eu aprendi a amá-las! Quando começam a colocar as abóboras pela cidade, meu coração se enche de uma alegria inexplicável! Tudo por causa de umas abóboras! Eu devo ser mesmo muito besta...

A tradição das colheitas enche a cidade de abóboras, maçãs, espantalhos, e tudo relacionado ao tema dos frutos. Em breve na quarta quinta-feira de novembro, teremos o feriado Thanksgiving, que praticamente encerra o Outono, na maior celebração familiar dos Estados Unidos. 

Também é uma época de chuvas - e eu amo chuva. Tempo de usar botas, casacos, cachecóis, mas tudo de leve, sem  aquela necessidade de tanta roupa uma em cima da outra pra não morrer de frio.

Tempo em que somem as baratas - a gente não acha umazinha sequer. Tem coisa melhor?

Nessa época, proliferam na cidade os Pumpkin Patches - colheita de abóbora. Fui no ano passado com as meninas na  Dewberry Farm no maior estilo mãe americana (post aqui). Esse ano, fomos a família inteira em outra fazenda, a Blessington Farms. Aproveitamos pra fazer umas fotos profissionais e registrar a visita da minha tia e meus primos gringos. Já virou uma tradição familiar a ida ao Pumpkin Patch - quero ir todo ano!





(Eu que fiz as camisetas das crianças.)



Esse ano o Outono nos trouxe bons frutos. Colhemos o que plantamos. Posso dizer que conseguimos nossas abóboras. E também as maçãs, os pêssegos, e tudo que se pode colher nessa época. Só temos  a agradecer a oportunidade de trocar nossas folhas e saborear os frutos de Deus em nossas vidas. 


Já falei que amo o outono?

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

3x4 (para os que ainda não me conhecem)




Cristiane Araújo Tuma Santos

Esse é seu nome, mas ela usa Cristiane Tuma desde sempre. E acha muito estranho aqui ser Cristiane Santos. Para os íntimos, Tchu.
Se acaso perguntarem quem é ela, digam que ela é brasileira, 35 anos, casada há 17, mãe de três meninas e médica hematologista.
Digam que ela escreve mas não é escritora, tem blog, mas não é blogueira. Digam que costura mas não é costureira, cozinha, mas não é cozinheira. E por aí vai…
Digam que ela tem sonhos. E foi em busca desses sonhos que ela veio parar aqui, na Terra do Tio Sam.
Digam que os planos dela incluíam um período sabático de um ano - que já dura quase dois.
E se perguntarem por que Houston, digam que foi por causa do Medical Center (porque ela nunca quis abandonar a Medicina) mas que nesses dois anos, ainda não pisou os pés lá. Aliás, já pisou sim, uma boa quantia de vezes, mais até do que gostaria, como mãe e não como médica.
Digam que, `as vezes, ela se incomoda um pouco com a “longura” desse período de descanso em que faz de tudo, menos descansar. É voluntária na escola, na biblioteca,  líder de oração, aluna de francês, motorista e tradutora.
Digam que ela é de Goiânia, e deixou pra trás cinco empregos, sendo dois consursos públicos, a Diretoria de um Hemocentro Regional, um cargo de Professora da Faculdade de Medicina  da PUC-GO e um consultório lotado;  mas que não olha pra trás. Digam que ela ama sua família e seus amigos que ficaram no Brasil e essa é a única coisa de que sente falta.
Digam que ela é cristã praticante, que frequenta assiduamente duas igrejas (uma brasileira e uma americana). Frisem que ela sabe que isso não a torna melhor do que ninguém. Frisem bem. Mas, ela espera refletir nos seus atos aquilo que acredita no seu coração.
Digam que ela  tem sido sombra enquanto o cônjuge é a figura  - e ela é relativamente bem-resolvida com isso (mas faz terapia pra não pirar.)
Digam que essa é ela  em 3x4 -  se acaso perguntarem.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Preciosas Promessas

"Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos."
 Tiago 1:17

Curto e grosso.

Bom fim de semana a todos!

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

O sistema de recompensas

Esse país funciona na base da recompensa. O que eu acho ótimo, diga-se de passagem. Tudo aqui precisa ser conquistado. Desde pequenininho.
Explicando: Você só pode jogar video-game SE arrumar sua cama ( isso é meio óbvio, mas o "você" em questão costuma ser uma criança de 5 anos); você só pode assistir TV SE ajudar a tirar a mesa, você  só pode comer o cookie SE provar o brócolis, você só pode isso SE aquilo... Em geral, uma tarefa cumprida vem sempre recompensada por algo que a criança queira.
Pode parecer chantagem, MAS é recompensa.
Recompensa pelo esforço me parece algo muito justo.

O sistema de recompensas é vigente nas casas e  nas escolas nas mais variadas formas.
Uma forma muito comum é o uso de adesivos em pequenas tabelas. A criança ganha um adesivo para bons comportamentos, até completar um númer X definido pelos pais. Assim que o alvo é atingido, tem direito a um prêmio também definido pelos pais. Aqui em casa, são estrelinhas.  E tudo funciona na base da estrela.  Bom compotamento = ganha uma estrela. Mau comportamento= deixa de ganhar a estrela. Usei o método com o potty training ( terino para o uso do vaso e retirada das fraldas) da Laura - cada vez que usava o vasinho, ganhava uma estrela. A cada 5 estrelas - uma fileira completa - ela ganhava um pequeno prêmio (de um dólar ou menos). A cada tabela completa - 25 estrelas - um prêmio melhorzinho, como uma Barbie, por exemplo.

Nas escolas, todo bom comportamento é premiado, geralmente com adesivos.
A escola da Bia tem um sistema interessantíssimo chamado"classdojo",( tem uma opção do lado esquerdo que dá pra escolher português), em que os pais podem acessar o report semanal do comportamento da criança. São várias categorias, como trabalho em equipe, obediência `as regras e participação. Esse sistema é de adesivos virtuais e o mais interessante é que a própria criança se avalia e "se dá " o adesivo virtual no quadro, que na verdade é uma touch screen, seja o adesivo bom ou ruim. Por exemplo: a professora dá uma ordem e a criança não obedece. Na hora da pontuação, a professora pergunta `a criança se aquilo foi correto, a criança reflete e assume que não, e ela mesma "se dá" um adesivo negativo. Auto-avaliação - Eu acho isso fantástico!

No final da semana, as crianças têm acesso a uma "treasure box", uma caixa do tesouro com pequenos prêmios para escolher. Existem três níveis de prêmios, conforme a performance naquela semana. Quem teve mais de 80% de pontos positivos ganha os prêmios "melhorezinhos" ( Bia escolheu um par de  óculos escuros). Crianças com performances piores, têm acesso a prêmios inferiores. E aí, muita gente pode discordar. E eu até gostaria de ouvir a opinião dos discordantes, porque eu sou muito a favor.
Eu acho que o esforço tem que ser recompensado, que o bom comportamento tem que ser estimulado. São pequenos, eu sei, mas é de pequenino que se torce o pepino ( é esse mesmo, o ditado?)

O episódio dos óculos foi especificamente interessante. Quando cheguei para buscar a Bia, ela estava toda fashion com seus óculos novos, "rosa-choque", recém adquiridos da treasure box. Laura viu e quis um também. Expliquei que aqueles eram da Bia. A professora, que é uma graça de pessoa, notou e trouxe um pra Laura também. Quando a Laura recebeu, desandou a chorar. Eu fiquei sem saber o que estava acontecendo, mas ela se fez entender: "PURPLE IS NOT MY FAVORITE COLOR!Buáááá" Quase morri de vergonha! Mas, em meio aos meus "Sorry" pra professora, e "Laura não faça isso", "Agradeça!" e "blá, blá, blá", eis que a Bia tirou seus óculos e trocou com a Laura ( PINK tem sido a cor favorita da caçula nas últimas semanas...) A professora ficou tão impressionada que não hesitou - abraçou a Bia e deu mais dois adesivos virtuais no report card dela, pela generosidade com a irmãzinha. Reforço positivo, como dizem.

Na escola da Laura, outro exemplo. Ela andava chorando ao acordar do naptime. Chorando não. Berrando compulsivamente -  coisa que ela não faz com muita frequência, mas  quando "precisa", sabe fazer com maestria. Então, a professora resolveu dar um adesivo pra cada vez que ela acordasse sem chorar. E assim, ao acordar, a professora a relembrava do adesivo. Quando chorava, não ganhava. E assim, parou de chorar, pra poder ganhar os adesivos. Ao final de 5 adesivos, ganhou um ursinho de plástico da professora e uma fantasia de Ariel da mamãe ( exagerei no presente, mas eu ia comprar de qualquer jeito).

Na escola da Julia tem sistema de recompensas também. Alunos que tiram uma quantidade x de notas A na High School (serve para os outros níveis também) se formam com honras.   Recebem as honras nominalmente em seus diplomas e durante a cerimônia -  "summa cum laude", "magna cum lade". O esforço é recompensado. E eu acho isso muito positivo.

No Brasil, dizer que o aluno é esforçado é quase um xingamento. O chique é ser "inteligente", "ter facilidade", ser "brilhante'. É bem conhecida a frase de Einstein ( e nem sei se é dele mesmo ou se é filosofia de internet, mas está valendo):  "O sucesso* é 10% de inspiracão e 90% de transpiração."
Implementar o sistema de recompensas é privilegiar a transpiração. Isso é bom pra nossas crianças. Acho que transmite a mensagem de "depende de você", "você está no comando", "você pode ser/fazer melhor a cada dia". E acho que é isso que buscamos em todas as áreas da nossa vida. Melhor começar cedo.

Um amigo brasileiro que mora aqui deu a ideia pra sua irmã, que é professora em escola no Brasil. Ela não pôde colocar em prática. Não foi considerado "politicamente correto" pelos diretores da escola...

Há controvérsias sobre o assunto, eu sei, e espero ouvir posições diferentes nos comentários.

Acabei de ter uma ideia maravilhosa nesse sentido e corri pra escrever esse post,  antes que eu desista.
Vou montar uma tabela para estimular as meninas pequenas a experimentar novos sabores de alimentos. Meus 10% de inspiracão!

Enfim, a tabela consistirá em alimentos novos a serem experimentados. Vai seguir o mesmo conceito: a cada alimento experimentado, uma estrela. : ao final de 5 estrelas, um pequeno prêmio. Ao final de 25, um prêmio melhor. Não precisa gostar do alimento, nem "raspar" o prato. Só quero que experimentem. Vamos ver seu eu consigo seguir com os 90% de transpiração.

No final do desafio, conto pra vocês. Se eu conseguir, quero um prêmio pra mim também. Já até sei o que será...

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Ansiedade Precoce


Cena 1
Bia chorando e resmungando.
M=Que houve, Bia?
B=Você vai no meu casamento?
M=Sim, mas acho que está um pouco cedo pra falarmos disso.
B=Eu sei, eu sei, só quando eu crescer.
M=Ah, bom. Sim, vou.
B=Promete?
M=Sim
B=Então me abraça.
(Nessa hora me deu até medo de não ir, do tanto que ela abraçou forte, como que fazendo questão absoluta da minha presença) E continou.
B=Meu marido vai ser americano ou brasileiro?
M=Não sei. Por que?
B=É que eu não entendo tudo em inglês. Não sei falar todas as palavras...
M=Mas até lá, você vai aprender.
B=E se eu não entender o que ele estiver me falando?
M=Você vai entender. Você entende tudo que seus colegas te falam?
B=Entendo.(apenas para explicar pra ela que a sua fluência em inglês é adequada para uma criança de 4 anos e meio.)
M=Então, você vai entender tudo que seu marido te falar. Não se preocupe.

P.S.: A conversa foi toda em inglês.


Cena 2
Bia chorando  e resmungando. Sim, eu sei, isso é bem frequente.
M=Que foi, minha filha?
B=Vai doer, mamãe, vai doer muito. E chora mais alto
M=  O que  está doendo?
B= Não, está doendo, mas vai doer. E chora mais forte.
M=O que vai doer, meu amorzinho?
B=Quando o médico tirar o neném da minha barriga.
M=AHMM???
B=Eu quero tanto ser uma mãe! Tanto, tanto! Mas, pro neném sair, o médico tem que tirar não tem?
M=Tem.
B=E ele tem que cortar a barriga da mãe?
M=Tem (achei melhor  confirmar e deixar só essa opção, por enquanto.)
B=Então!!! Vai doer demais! (Choro, choro, e mais choro)
M= Não vai. O médico vai te dar um remedinho pra não doer.
B= Não vai doer nadinha?
M= Bem, vai doer um pouquinho, mas quando vc olhar pro seu neném, você vai amar ele tanto, tanto, que aí nem vai sentir dor. ( A parte do amor é  toda verdade, a parte do "esquece da dor" é só poesia para a  menina mais doce e sensível que eu conheço).


terça-feira, 17 de setembro de 2013

Fazer High School nos Estados Unidos - Back to School parte 4 ( o último)



Alguém aí já ouviu falar de projeção?
Não a projeção de imagens e sons, a  projeção psicológica mesmo (os psicólogos de plantão que me perdoem a generalização do assunto, seu que a projeção não é bem assim, o negócio é mais embaixo e  tem seu lado dark. Mas deixa a gente ser feliz com essa definição a seguir...)
Se vc nunca ouviu falar, explico: trata-se da atitude de atribuir a outras pessoas os seus desejos, sonhos e pensamentos mais secretos. No meu caso, o sonho não tem nada de secreto, (ninguém precisa ficar me analisando online, não perca tempo), o treco psicológico é bem explícito, mesmo. E pra quem dúvida, está em letras garrafais, sublinhado, em negrito e escrito de vermelho: Eu sempre sonhei em fazer High School nos EUA. Fiz de  tudo para fazer intercâmbio, (inclusive desistir de ter festa de 15 anos).  Preenchi todos os formulários, fiz prova de inglês, ensaiei até música de despedida dos amigos e da família (sei, eu não sou normal)... mas, na última hora meu pai não deixou. Sim, ele é maravilhoso, doce, amável, mas... era o dono da palavra final. Com tanta ternura e compreensão e fala mansa, que a gente obedecia mesmo morrendo de vontade de desobedecer. Sabedoria, meus leitores, sabedoria...
E eu então, guardei esse sonho num cantinho, junto com dezenas de outros que a gente guarda a vida inteira...Ops, não é esse o assunto.
Nave-mãe voltando pro planeta Terra.
Agora, finalmente, tenho a chance de realizar este sonho na minha filha mais velha, Miss Teenager, que faz High School aqui na América e que agora está loira (sempre tive esse sonho também, ter uma filha loira...  Me julguem, vai.).
Ela é uma Senior, e pra quem não sabe, explico: É o último ano do Ensino Médio nos EUA. E isso está inevitavelmente acompanhado de um certo glamour...
A High School americana é composta por 4 anos, diferente do Brasil que são 3. Mas, no final das contas, se você somar Ensino Fundamental e Médio, temos os mesmos 12 anos, tanto no Brasil como nos Estados Unidos. Mas aqui no tio SAM, eles se dividem assim:
Elementary School - Kindergarten ao quinto ano.
MIddle School - sexto ao oitavo ano.
High School - nono ao décimo segundo ano. Os anos de High School também são chamados de "Freshman year" (9º ano), "Sophomore year"(10º ano), "Junior year"(11º ano) & "Senior year"(12º ano). Isto faz dos seniors os alunos mais "velhos"da escola,  os que estão prestes a entrar no College ou University  - daí todo o prestígio.
Existem outras diferenças. Uma que considero importante é a possibilidade de o aluno escolher as matérias que quer estudar. Nas outras fases, não pode. É um privilégio da High School.
Mas, não é essa bagunça toda que vocês podem estar imaginando. O negócio tem controle, lei e regra.
Existem uma quantidade mínima de créditos a preencher para se formar ao final de quatro anos. Você não pode simplesmente escolher culinária, fotografia, canto orfeônico e jazz... e achar que vai se formar com esse currículo.
Existe uma grade a se cumprir e inclui sim matérias como Inglês, Matemática, Ciências, História e Geografia, Artes e Língua Estrangeira e Educação Física. Dentro de cada uma delas, uma infinidade de classe são oferecidas. Por exemplo: ano passado a Júlia fez Ciências Aquáticas, que conta crédito para Ciências. Os créditos de Língua Estrangeira, ela já tinha - por ter feito milhares de anos de português no Brasil. Anyway, existem os graduation requirements, número de créditos para se formar. Mas, você pode ir além e ter mais créditos do que o necessário, o que te torna um candidato mais competitivo na entrada na Universidade.
Citando minha loirinha, embora já tendo os créditos em Língua Estrangeira,  ela optou por fazer Francês como matéria eletiva ( podia ser corte-e-costura, manequim-e-modelo, teatro, etc...). Mas ela quis francês porque é très chic e também porque mamãe sempre sonhou em falar francês e ela é um projeção ambulante de mamãe, lembram?
Existe a possibilidade de fazer os créditos em nível de dificuldade também, isto é, você pode fazer a matéria regular, acelerada, pre´-AP e AP e Dual Credit ( AP- advanced placement e Dual Credit contam crédito pra faculdade. Quanto mais matérias AP Dual Credit  você fizer, maior é sua competitividade. Se fizer tudo regular, ok. Mas, se fizer algo mais, ponto pra você. Literalmente.
O Sistema de Notas é bem diferente também. Tudo aqui é baseado no GPA - Grade Point Average.
Aí, a porca torce o rabo. Pra quem está acostumado com sistema de 0 a 10, é um pouco diferente você se acostumar em notas de letras.
Pra facilitar:
A=90-100
B=80-89
C=75-79
D=70-74
F=69 e abaixo.
Estranho não ter letra E...
 E mais estranho ainda é o seguinte. Tirar 69 e tirar zero é a mesma coisa. A média mínima é 70. Se vc fizer menos de 70, está reprovado, tem que cursar de novo aquela matéria. Neste aspecto, sim, tirar nota aqui é mais fácil. Principalmente, se você vem de escola preparatória pra vestibular no Brasil ( fala WR!!), onde tirar 74 está bom demais! Aqui, com 74 você é um lixo de aluno.
Tem prova toda semana, toda atividade conta ponto, toda tarefa, todo detalhe é somado para garantir ao aluno uma boa nota. Basicamente, apenas os alunos irresponsáveis( os famosos malas) é que tiram notas ruins. O aluno aplicado, cumpridor de suas obrigações, terá notas boas.
A não ser que você seja um aluno de cursos AP, nesse caso, será mais difícil tirar nota.
Mas, vocês sabem... americano é meio doido. Então, depois de dar as notas em letras, eles traduzem tudo pro GPA ( não falei que a porca torcia o rabo?)
 O GPA é uma média numérica  onde cada uma das notas acima (A, B, C, D, e F tem um valor que vai de 0 a 7). Por exemplo, se você tirar A em um curso regular, ele vale 6 pontos (nota máxima). Se for em curso AP, vale 7. Se vc tirar um B em uma matéria regular, ele vale 5 pontos, mas se seu curso for AP, ou pre-AP ou dual credit, o mesmo B vale 6 pontos. É uma forma mais justa, mas mesmo assim, de endoidar a cabeça.
No final das contas, o que conta é o GPA. Todas as suas médias somadas e divididas pelo número total de créditos que você tem.
Depois disso tudo, você é "rankeado" com outros alunos da sua classe, ou seja, todos os alunos que vão se formar no mesmo ano que você. E, de acordo com suas notas, vc vai ocupar o primeiro quartil, segundo quartil, terceiro ou quarto ( 25% em 25%)
No Texas, as Universidades Públicas são obrigadas a aceitar os alunos  que ocupam os top 10% das suas escolas . Por isso, o GPA é importante. A admissão é automática. Sem SAT e sem ACT ( aqui não temvestibular, mas tem esses dois testes para os mortais que não estão nos top 10% ou que pleiteiam faculdades fora do Estado ou ainda para algumas faculdades que exigem um score mínimo nestes testes.)
Tem muito mais coisa, mas posso adiantar pra vocês que vai um tempo até a gente digerir tudo.
Essa é bem minha realidade do momento. Credits, GPAs, SATs e ACTs da vida. Tudo porque também tive o sonho de fazer faculdade top na América e conto com minha loira pra realizá-lo.
Depois, a gente paga terapia pra ela.
Porque a mãe dela... é claro que já faz, né?



Se estiver interessado, dá pra conferir mais um pouco no post Helga e os Mustangs.




P.S.: Prometo que este é o último post da série "Back to School". Pelo menos, por um tempo.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Back to School - Volta `as aulas parte 3


segunda diferença é, ao meu ver, a maior de todas: O ensino público nos EUA é  uma opção para famílias de classe baixa, média e alta. 
Vou explicar melhor. 
Até os 5 anos de idade, a escola é opcional e, portanto, o governo não paga por isso. Isso significa que não há escola pública pra essa faixa etária. É muito comum aqui as crianças até os 5 anos ficarem com as mães, que largam suas profissões para cuidarem dos filhos. (Muitas retornam para sua ocupação anterior depois que os filhos vão pra escola, outras gostam tanto de serem exclusivamente mães que assim permanecem para todo o sempre). Isso não causa espanto, não é considerado inadequado e nem existe preconceito. Pelo contrário, é até um certo "status" a mãe dizer que não trabalha fora e que sua vida é cuidar do marido, dos filhos e da casa.
Para as mães que trabalham fora, ou estudam, ou para mães que consideram importante a exposição precoce da criança ao ambiente de aprendizado, ou para mães que achem difícil lidar com a casa e com as crianças... enfim,  a opção é sempre o ensino privado. 

Em minha vida pessoal, alguns conhecidos e amigos me perguntam aqui nos EUA: "Se vc não está trabalhando, por que suas filhas pequenas estão na escola? Seria uma economia enorme se elas ficassem em casa." A minha resposta é simples: primeiro, não dou conta do recado de ser super-mãe em tempo integral. Segundo, porque quando viemos pra cá, uma coisa era certa: andar pra frente. Entendemos que sacrificar alguns luxos seria aceitável, mas NÃO ECONOMIAS COM SAÚDE E EDUCAÇÃO!! Isso sempre foi prioridade pra nós. Se ficássemos no Brasil, elas iriam pra escola (no Brasil, é comum e esperado que a criança vá pra escola a partir de 2-3 anos, muitas vezes antes disso).  Sim, mesmo tendo babá(s), elas iriam. Aqui não seria diferente. 

A partir dos 5 anos de idade, o ensino público passa a estar disponível, e assim será até a criança concluir o Ensino Médio - High School. As escolas públicas são bem heterogêneas. Existem escolas de altíssimo padrão de ensino e estrutura, assim como escolas sucateadas e de ensino fraco (como acontece com as escolas no Brasil , aqui também tem escolas boas e ruins). Mas, em geral, as escolas são boas. 
O Estados têm um sistema de classificação, no qual as escolas são avaliadas em exemplary, recognized, academic acceptable e academic unacceptable / exemplar, reconhecida, aceitável academicamente, não-aceitável academicamente. Além dessa classificacão, as escolas são "rankeadas", isto é, são avaliadas e colocadas em um ranking ( americanos adoram ranking!!), com a performance/posição que a escola ocupano total de escolas da cidade, Estado e até do país. Por exemplo, escola X, exemplary,  5º lugar da cidade, 23º lugar do Estado. Também é possível ver a relação professor/aluno, a composição, étnica da escola ( % de negros, brancos, latinos, índios, asiáticos...pra quê, eu não sei...), e a performance em notas dos alunos, % de alunos que se formam, que entram na faculdade, etc, etc, etc... Interessante é que todas estas informações muitas vezes são achadas nos sites das imobiliárias.  Isso mesmo. A primeira coisa que as pessoas pensam quando vão comprar ou alugar uma casa, é se a escola pública da área é uma boa escola.

A área escolar: Top priority para compradores de imóveis.


Explicando:
Geralmente, as boas escolas estão nas boas áreas residenciais da cidade. A cidade está dividida em School Districts ( Distritos Escolares), que são organizações ligadas ao governo, porém independentes para coordenar as escolas daquela área. Os impostos pagos pelos imóveis variam de distrito para distrito, sendo mais caros nos melhores, o que eleva os preços dos imóveis nessas áreas. Mesmo assim, consegue-se uma grande diversidade dentro das escolas, com gente de todas as classes sociais tendo acesso ao mesmo padrão de educação. Não é como no Brasil, onde a escola pública é a única opção pra quem é pobre, e nunca uma opção pra quem pertence as classes média e alta. Salvo raríssimas exceções. Além disso, no Brasil, encontrar uma escola pública de qualidade é mais difícil do que encontrar uma agulha em um palheiro. Só consigo pensar agora em UMA escola pública no Rio de Janeiro, onde também tem filho de rico. 

Outra coisa - se você está na subdivisão X daquela escola X- você só pode ir para aquela escola. Independente do número de vagas, a escola é "obrigada" a te aceitar. Em compensação, você não pode morar em uma attendance area X e frequentar a escola Y. Na hora da matrícula, eles vão pedir sua prova de residência - o contrato de aluguel ou as taxas pagas pela casa, com prova de endereço. Se quiser morar na X e frequentar a Y, você pode tentar uma permissão pra isso, desde que sobrem vagas. 
Uma exceção são as escolas charter, misto de pública e privada, mas não conheço muito bem sobre a realidade dessas escolas, não vou me aventurar a falar sobre isso aqui. Fica para uma outra oportunidade.


Os distritos escolares de Houston e arredores.


Então, se o país tem  excelentes escolas públicas , como as escolas privadas sobrevivem?
A escola particular passa a ser uma opção para pais que buscam algo específico para seus filhos, que a escola pública não oferece. Por exemplo, quer oferecer educação cristã?  A escola pública não oferece - o Estado é laico. Mas, tem uma porção de escolas batistas, presbiterianas, metodistas... que podem oferecer este tipo de ensino. Private. Mesma coisa para quem faz questão de uma educação católica -  Escola Santa Cecília, São Tomás de Aquino, São Francisco e uma porção de outros santos. Private.
Escola hindu? Tem. Árabe? Tem. Escola para judeus? Tem também. Private, private, private.
Eu particularmente, nunca vi tanta opção de escola, não sabia que uma cidade pudesse ter tantas! Instituições bilíngues, com imersão em mandarim, italiano, alemão, japonês, coreano, chinês, (ainda não sei se tem em protuguês) Escolas de estilo europeu, escolas-internato, onde os alunos moram na escola, escolas muçulmanas, suiças, internacionais, e etc. 
Quer escola só pra meninas? Tem. Só pra meninos? Tem também. Enfim, um arsenal de possibilidades. Pra todos os gostos ( e bolsos). Variando de 700 dólares a 2,500 mensais!! 

Minhas filhas pequenas estudam em escolas cristãs, e estou muito satisfeita com o ensino e a abordagem oferecida. Mas, completando 5 anos, irão para a escola pública. Este também é um caminho muito natural - a criança ficar na escola particular durante a pré-escola e mudar para a pública no Kindergarten (Alfabetização). Aqui,  faremos assim: ensino de primeira qualidade particular até que o Ensino Público esteja disponível - de primeira qualidade também.  Sem (muita) dor na consciência. A não ser que algo extraordinário aconteça, do tipo: acordar milionária.



sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Back to School - Volta `as aulas- parte 2



Vou tentar resumir algumas das diferenças entre o sistema educacional escolar americano e o brasileiro. Sei que existem outras (muitas), considero essas as mais gritantes.

primeira já citei no post anterior: o ano escolar.
Aqui, nos EUA, o início do ano letivo é no final agosto/início de setembro e o término se dá no final de maio/início de junho. No Texas, as escolas públicas não podem começar as aulas antes da quarta segunda-feria de agosto. É lei. As particulares podem, mas não saem muito do esquema, começam mais ou menos uma semana antes.
Durante o ano letivo, não se  deixe enganar. Gostam de feriado, como no Brasil. A diferença é que aqui praticamente só as escolas têm esse tanto de feriado. O resto do comércio funciona normalmente quase 365 dias por ano.
Em compensacão, nas escolas - públicas e privadas - tem holidays e breaks pra ninguém botar defeito. É feriado e paradinha ( DE UMA SEMANA OU MAIS!!) por tudo que é motivo: Vamos lá:

1. DIA DO TRABALHO - FERIADO. Todos juntos para comemorar o dia do trabalho sem trabalhar, exceto as mães, que trabalharão dobrado nesse dia. Este ano cai no dia 2 de setembro. OU seja, as aulas mal começaram, e já temos o primeiro feriado prolongado do ano. Êba! (#sóquenão)

2. PARADINHA DO THANKSGIVING - Todos juntos para agradecer por qualquer coisa, incluindo uma semana inteirinha com mamãe e papai.   O Dia de Ação de graças é comemorado na quarta quinta feira de novembro, mas o break dura a semana inteira.

3.PARADINHA DO NATAL E ANO NOVO - Todos junto celebrando o Natal por DUAS SEMANAS. Esperamos que papai possa estar presente nesse aí. De 22 de dezembro a 7 de janeiro.

4.PARADINHA DA PRIMAVERA - SPRING BREAK - Vamos celebrar o desabrochar das flores. Mais uma semana inteira com papai e mamãe observando as maravilhas da Natureza. De 8-15 de março este ano.

5. PARADINHA DA PÁSCOA - 4 dias, igual no Brasil. Só que aqui a "Semana Santa" é de Sexta `a Segunda. 18-21 de Abril.

6.TEACHERS IN SERVICE - Dias aleatórios, mudam de escola pra escola, em que os professores recebem treinamentos específicos.

7. BAD WEATHER DAY - Nunca entendi o motivo desse feriado. Dia do mau tempo, do clima ruim. Pode ter uma tempestade? Um furacão? Uma chuva torrencial? Tudo bem, mas marcar o dia do mau tempo UM ANO ANTES? Que metereologia louca é essa? Se alguém Souber, me avise por favor, porque continuo sem entender. Só sei que é feriado.

 De repente, não mais que de repente, chega maio outra vez. Férias de novo.

No próximo post, vou falar um pouco sobre os distritos escolares e as diferenças entre escolas particulares e públicas.



quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Preciosas Promessas

Religiosidade X Relacionamento com DEUS

"Com que me apresentarei ao SENHOR e me inclinarei ante o DEUS excelso?
Virei perante ELE com holocaustos, com bezerros de um ano?
Agradar-se-á o SENHOR de milhares de carneiros e dez mil ribeiros de azeite? Darei o meu primogênito pela minha transgressão, o fruto do meu corpo, pelo pecado da minha alma?
ELE te declarou, ó homem, o que é bom e que é o que o SENHOR pede de ti:
que pratiques a justiça
ames a misericórida
e andes humildemente COM teu DEUS. "

Miquéias 6: 6-8

sábado, 24 de agosto de 2013

Back to School - Volta `as aulas - Parte 1


Eu não sei quem foi o louco, ensandecido, que decretou férias de três meses seguidos aqui nos EUA. Com certeza foi uma criatura pouco dotada de inteligência e, obviamente, do sexo masculino. Claro. Daqueles que acham que criança tem que ficar em casa, curtir a família, aproveitar os pais e blá, blá blá, mas eles mesmos saem de casa com a criança ainda dormindo e voltam pra casa com as crianças já na cama. Aí, fica facim, né, não? Felizmente, alguma mulher iluminada, culta e bem-informada, atenta `as necessidades psico-pedagógicas desses pequenos seres em formação que são as crianças - sei que foi mulher -  foi lá e inventou a "Summer School", a Escola de Verão, que é a possibilidade de as crianças irem pra escola durante o período de férias. Aí então, ficou tudo bem, nenhuma mãe perdeu (totalmente) o controle emocional e o equilíbrio interior e todos foram felizes para sempre. Lembremos mais uma vez que na terra do tio SAM, babá e empregada full-time são luxos que muito pouca gente pode ter.
***
Não bastassem três meses de férias seguidos, a escola aqui tem vários "breaks" durante o ano letivo. Tudo aqui é motivo pra dar uma "paradinha" :  treinar os professores, descansar os professores, aproveitar a Natureza, ficar com a família e claro, mais importante: arrebentar com a vida das mães, que não são mães apenas ( como se fosse pouco ser apenas mãe). São motoristas, lavadeiras, passadeiras, arrumadeiras, cozinheiras, governantas de suas próprias casas. Isso quando não são também, -além do já citado- médicas, enfermeiras, advogadas, corretoras, bancárias, vendedoras  e qualquer outra categoria profissional que couber aí.
***
As aulas aqui terminam no final de maio e só reiniciam no final de agosto, ou no início de setembro. Graças a Deus, aqui em casa, as pequenas frequentaram a Summer School (bendita!!) e assim, a minha sanidade mental ficou pouco comprometida. Mesmo frequentando a escola no verão, as crianças tinham um horário mais relaxado, assim como o currículo escolar. Tinha mais brincadeiras do que conteúdo programático, mais tempo no playground, dias de levar bicicleta pra escola, e splash-days ( dias de brincar em piscinas e com aquelas fontes que ficam jogando aguinha  - o calor aqui é de rachar tatu pela cacunda, como diz meu sábio pai).
Eu também deixei elas faltarem aula sempre que tinha uma outra programação em mente e por fim, ficaram 20 dias sem ir a escola no final de julho ( tempo para treinar os professores, descansar os professores, e claro, o mais importante: arrebentar com a vida das mães oferecer as crianças um tempo de descanso com a família. 
***
Finalmente, essa semana, a vida voltou ao normal. A correria do leva e busca, do acordar mais cedo, de ver se tem uniforme limpo e de arrumar o lanche das crianças. A correria de checar tarefas, fazer projetos, e organizar  tudo.

Êta correria abençoada!!



quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Filhinho



Essas meninas hoje me tiraram do sério. Todas as três. O dia foi tão tenso e cheio de malcriações de todos os lados, que não teve jeito: tive que distribuir umas chineladas nas pequenas. Na mais velha não, passou da hora, agora é esperar pra ver se a vida conserta...
Enfim, deu pra perceber meu "estado de nervo".
Polêmicas `a parte, as chineladas foram dadas. Mas, não surtiram efeito, continuaram a desobedecer e desobedecer (ô, fase!). Enfim, prometi que teria bis assim que chegássemos em casa. Assim, a raiva passaria ( não pode bater com raiva!) e eu também não precisaria dar explicações para os policiais (estávamos no shopping). Evitar escândalos é sempre uma boa estratégia.
Pois bem, chegando em casa, eu as lembrei que teria a nova rodada.
E a Bia, toda conformada:

"Tudo bem, mamãe. Pode bater. Mas, por favor, dá uma chinelada filhinho, tá?"

Depois dessa, a chinelada ficou só na promessa. Fiquei com pena e tentei a conversa.
Vamos ver se resolve.


domingo, 11 de agosto de 2013

DEUS, PAI, AMOR...

O Dia dos Pais nos Estados Unidos é comemorado no terceiro domingo de junho. Aqui, hoje é um dia comum. Mas, para nós, que somos brasileiros, e temos  pais brasileiros, hoje é dia de celebrar aqueles que recebem de Deus a honra de serem pais.




Ser pai é compartilhar o título do próprio DEUS, pois Deus é Pai. Mas, Deus também é Amor. Então, ser pai é ser amor. Ser pai é coisa séria.
Nunca tive dificuldade de entender o AMOR incondicional de DEUS a nós, seus filhos, pois fui presenteada com um pai que é o puro reflexo dessa amor. Um Pai que vive esse amor: o Amor de um Pai a seu filho/sua filha. 

Eu tenho um pai que optou pelo AMOR todas as vezes em que existiu opção,. 
Mesmo quando a outra opção era a disciplina. Não que ele tenha nos negado a disciplina, mas ele conseguia enxergar, que naquele momento em que precisávamos de disciplina, precisávamos muito mais era do seu amor. E foi assim, que a disciplina vinha: suave, terna. Sem violência, sem agressão, sem palavras duras.

Eu tenho um pai que soube desviar a ira. Mesmo quando provocado, não caía na cilada. Sua palavra doce desviava o furor e acalmava os ânimos. 

Eu tenho um pai que teve sabedoria. Sabedoria para perdoar, e aceitar  até o inaceitável, visando a uma família unida pelas gerações.

Eu tenho um pai que  transborda amor em palavras, que me liga quase todos os dias. Que diz "eu te amo" sem qualquer dificuldade. Mas nem precisava. Porque este pai  expressa amor até quando não diz nada. 

Eu tenho um pai que não espera a perfeição de ninguém, porque sabe que ele mesmo também erra.

Eu tenho um pai que ficou do lado da cama nas nossas noites de febre. Que consolou lágrimas de filhas adolescentes. Que fez cara feia quando a gente pisou na bola. Mas, logo depois ofereceu seu abraço, seu conselho, seu abrigo. 

Eu tenho um pai que transbordou tanto amor, que se tornou um avô melhor ainda. Que, apesar de médico, é um "avô advogado", como ele mesmo gosta de dizer. Advogado de defesa. Pronto a defender suas netas de qualquer um (mesmo que esse um seja eu mesma).

Eu tenho um pai que foi provedor. Mas, não parou por aí, porque foi também educador. Que não fugiu das suas responsabilidades de pai, nem tampouco as delegou para ninguém. Que deu bronca e deu conselho. 

Eu tenho um pai que enxergou que filho não é investimento ( seria um péssimo negócio!). Mas soube investir tempo no relacionamento com os filhos. Que se gastou e desgastou  nisso. Muito além do que o dinheiro pode proporcionar....

Eu tenho um pai que é  um modelo a ser seguido. E que me ditou, com sua vida, as características que a gente espera em um pai. E me deixou com um patamar alto de exigências, difícil de ser alcançado!!


Eu tenho um pai que está longe... E como eu queria estar com ele agora! Celebrando o dia do qual ele é digno, dando nele um abraço apertado...
Mas, na opção de vida que fizemos, esse foi uma desvantagem que tivemos que encarar. A distância daqueles que amamos...

Os que me lêem, que me desculpem... porque eu tenho um pai que é o melhor pai do mundo.



***

 E ao meu marido, que é o pai que escolhi para as minhas filhas:
 Parabéns por ser um pai maravilhoso para elas.  Você está no caminho certo!
 Eu sei que um dia, as suas filhas vão escrever um post desse pra você também!  Pode demorar um    pouco,  mas, o reconhecimento chega, seu trabalho não será em vão...