sábado, 26 de janeiro de 2013

C'est la vie!

Essa brincadeira de brincar de casinha cansou. Vamos brincar de outra coisa, agora? Sabe, igual quando a gente é a dona da bola e não quer mais brincar de queimada? É só dar a ordem " passa a bola pra cá, que a bola é minha!" e fica a molecada toda com cara de rolinha-que-levou-pedrada. A gente pega a bola e vai pra casa. Ou então, vai brincar de outra coisa e mantém a bola amoitada. Simples assim. E todo mundo fica caladinho, afinal, a bola era dela, gente...  Tinha também aquela história de ser a dona da brincadeira. Não satisfeita em ser a dona da bola, quando a pessoa era dona da brincadeira, nem precisava de bola, nem de brinquedo nenhum. A pessoa era simplesmente "a dona da brincadeira". E, quando a pessoa falava "não quero mais brincar", estava desfeita a brincadeira mesmo, e fim. E lá se ia todo o mundo com a cara de rolinha...
Olha, quem dera fosse simples assim na vida real. Lava roupa todo dia, que agonia... E ai de marido se ousar falar que quem lava é a máquina!! Eu programo a máquina. Eu separo as roupas por cores. Eu meço o sabão. Eu coloco a quantidade certa de sabão. Eu tiro a roupa da máquina. Eu coloco a roupa na secadora. Eu limpo o maldito filtro da secadora após cada "secada". Eu tiro as benditas roupas, que `as vezes não estão secas e precisam de mais uma rodada. Eu dobro as malditas roupas. Eu guardo as ¢£™æπø∆¥©§ƒ´ß† roupas. E  as meias? Que coisa chata é lavar meia! Primeiro, porque a máquina não lava direito. Saem exatamente como entraram, aliás, quase exatamente. Saem cheirosas, porém, sujas. Segundo, porque tem que ficar procurando o parzinho de cada uma. Aff, esse parzinho...E olha, parece que mora uma centopéia aqui em casa, porque nunca vi tanta meia. E tem mais: deve ser coisas de bibidi-bobidi-boo, uma magia, um feitiço, sei lá, mas, vira-e-mexe, acontece de os pés das meias ficarem desconjuntados: o pé que completa o par desaparece, e vai  se aninhar em não-sei-qual- mundo, porque aqui em casa não aparece nunca mais. No momento, estou com uma sacola de pés de meia solitários e desacompanhados, sem notícia de seus pares... E a pior parte: Não ter ninguém pra culpar (porque EU sou a responsável por todo o processo.) Haja paciência...
O tal do serviço de casa é bem chatinho, confesso. É aquele negócio de "todo o dia ela faz tudo sempre igual me sacode as seis horas da manhã, me sorri um sorriso pontual, lá lá lá"  Só que aqui quem me sacode é ele. [Porque eu acordo a noite inteira com a tosse de uma, o espirro de outra, o choro de uma, o berro da outra, somados a uns gritos de manhê. Isso quando não durmo 1/6 da noite em uma cama,  1/5 na outra cama, 1/3 na outra cama e 1/4 na minha ( tenho 3 filhas, lembram? E não tentem somar as frações, são só ilustrativas, não fiz as contas se isso vai dar uma noite inteira)  Oh, céus!
Mas esse negócio de lavar-passar-dobrar-guardar-arrumar-aspirar-esfregar é um ciclo sem fim! O troço não acaba nunca, gente.  Não tem nenhuma novidade, sempre a M-E-S-M-A  C-O-I-S-A. La même chose. E olha, eu nunca vi tanta coisa se esconder nesse maldito carpete. Tem dia que acho vagens fossilizadas, milhos enrugados, feijões que encolheram e desidrataram ao ponto de ficarem do tamanho de um grão de mostarda e passas (na verdade, uvas que viraram passas num processo lento e implacável de coisas esquecidas debaixo do sofá). E tanto cabelo!! Cabelos compridos que se enrolam na vassourinha do aspirador, me fazendo parar a todo instante para cortá-los. Isso mesmo. Corto cabelo pregado na vassourinha do aspirador. Para um pouquinho, limpo o filtro um pouquinho, corto o cabelo grudado um pouquinho... e mais duzentos e cinquenta quilômetros. Bref!
Pelo menos, eu adoro cozinhar. Porque na cozinha, eu posso inventar. E eu adoro inventar moda!! Mas, como não poderia deixar de ser,  tem um pequeno problema: o meu respeitável público não ajuda!! Minha gente, eu não posso NEM por em prática os meus preciosos dotes culinários pro pessoal que é doido no arroz-feijão-batata-frita. E se ao menos, o povo tivesse uma boa-vontadezinha de provar, eu me calaria. Mas, não! Basta eu tentar variar um pouco pra ter que jogar comida fora.  E eu estou falando de coisinha simples, tipo penne com salmão e brócolis, couve-flor gratinada com parmesão, batatas com frango aos quatro queijos ao forno. Isso lá é comida diferente? Aonde, alguém me diz? O povo não curte. Oh, vida cruel. Verdade seja dita, Dr. Marido tem provado cada vez mais, e acaba gostando na maioria das vezes. Até as minhas saladas gourmet tem sido bastante apreciadas. Mas, adolescente e crianças são menos ecléticas.  Basta eu colocar um abacaxizinho na salada que Miss Teenager arrepia. A Média, então! Nem comento - não come nenhuma verdura ou fruta. NENHUMA. Aucun! A Pequena - que era a menos exigente - anda cada dia mais enjoada pra comer. Só quer sopa. Mas, na sopa não pode ter: nem cenoura, nem chuchu, nem batata, nem vagem, nem cebola, nem macarrão... O que é que tem na sopa do neném, afinal? Vento? Ai, ai...
É por isso que eu digo: acabou a brincadeira!! Mas, aí, paro e penso: eu lá tenho opção? Voltar pro Brasil? Nem pensar! Fora de cogitação. Engajar em uma pesquisa na minha área? Hummm...ainda não. Doutorado? Não, obrigada. Estudar pros steps? Hummm, agora não. O que mais eu posso fazer? Deixa eu ver... Estudar francês? Humm... Yeap! That's it. Ou melhor:  Oui! Ça va!
A verdade é que não dá  pra por um fim na monotonia fazendo francês duas vezes por semana. Os banheiros não se lavam sozinhos e as pessoas ainda precisam de roupa limpa, comida gostosa e casa arrumada.  Mas, pelo menos, estou realizando um sonho. E isso ocupa a cabeça. E ativa o cérebro. E, principalmente, diminui o mi-mi-mi. Pra quem queria ser poliglota, eis que estou a conseguir! (Português de Portugal, pra somar mais uma língua ao meu vasto arsenal de idiomas... )
E deixa eu ir, que tem comida no fogão!!
Au revoir! `A bientôt!

14 comentários:

  1. Adorei! Vi nas suas palavras a exteriorização de muitos dos meus sentimentos. Principalmente a vontade de pegar a bola e ir embora... Parabéns mais uma vez e um grande abraço pra família!

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    1. Obrigada, Karine. Abraço pra vocês também!

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  2. Muito bom !
    Saudades de todos !
    Bjs pra poliglota !

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    1. Agora, só vai faltar alemão, italiano, hebraico e árabe. Pronto! Beijos!

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  3. Eu não tenho filhas mas meu marido NUNCA experimenta se coloco uma coisinha 'diferente'. Não gosta de frango, a carne daqui eu acho muito diferente (desisti de fazê-la por um tempo) e amo inventar receitas com queijo e batata. Ah, ele só come carne moída, tem como não enjoar? Daí vai pra universidade e lá as opções não são nem um pouco saudáveis ou com cara de almoço. Se tem uma coisa que me estressa aqui é isso: não posso dar asas à imaginação na cozinha. :( A gente sempre acha que o problema é só nosso né?! Ainda bem que existem os blogs para nos mostrar que não. Aqui não tem carpete, acho que a limpeza se torna mais fácil, mas não sei qual tipo de rodo usar. COmprei um que gira 360º mas dá muuuuito trabalho, agora olho e acho todos esquisitos. Será que vou ter que comprar um de cada pra saber? hahahahaha Ai ai essa vida de expatriada dá mais trabalho do que imaginávamos né?! MAs é assim mesmo, a vida é feita de renúncias. Boa sorte pra gente! Beijos

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    1. Oi, Carol! Nossa, seu marido é pior que o meu, então! Acho que melhora com a idade. Quando casei, era assim também. Agora, homem velho ser enjoado com comida é que não dá!! O rodinho que comprei aqui foi o swiffer, com paninhos descartáveis. Até que gostei, mas é pequeno. Tenho também um rodo comum, iguais os brasileiros, mesmo. Mas, esse negócio de lavar pano de chão não é coisa de americana, não, menina! Nada prático. O rodo está aqui, encostado... Boa sorte pra nós, né?

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  4. Cris, eu espero que seu pai esteja melhor.
    Bom, a gente bem que poderia morar perto, daí eu ia lavar suas roupas e arrumar a casa e voc6e cuidava da minha cozinha. Eu simplesmente odeio cozinha! E meu marido não é exigente, iria adorar uma variada. Agora, cabelo é uma tragédia mesmo, aqui só comigo, tem cabelo espalhado em tudo que é canto e olha, eu sempre aspiro a casa! Imagino o quão difícil está a sua vida agora, você saiu de um ritmo de vida intenso e agora...bom, está intenso também, mas de um outro jeito. Espero que as aulas de francês ajude.

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    1. Oi, Lorna, meu pai está melhor, sim. Operou semana passada, correu tudo ótimo e ele está passando bem. Muito obrigada. Olha, quanto a sua proposta, troco na hora! Cozinho o dia inteiro, se for preciso! Não aguento a arrumação!! KKkkk
      Beijos!

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  5. Oi flor...
    isso tudo parece eu em escala menor é claro... : )
    mas o SONHO continua né??!!
    beijosss

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    1. Claro, Ana. Sonhar, sempre, né? É o prazo de ir realizando um sonho, pra ir engajando em outro... Bom demais!! Beijos!

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  6. Bon Jour, Cris! Parabens pelo novo post. Acho bem bacana o su estilo de escrever. E verdadeiro e divertido ao mesmo tempo! Quanto a luta diaria, forca ai e fique na paz. Nada como um dia apos outro, outro, outro e outro! rsr Bem, eu estou na correria por aqui tambem. Espero ve-la em breve e conhecer suas filhas menores.Beijos e see you!

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    1. Bon jour, Laura. Que bom ter você por aqui!! Está de volta na terra do Tio Sam? Vamos marcar um encontro coletivo! Rsss
      Beijos!

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  7. Tchu,
    como eu disse antes: empolguei!!!Agora vou comentar sempre.
    Amo seu jeito de escrever, até pq acho q parace com o nosso jeito de escrever! (meu e da Nena - kkkkkkkkkk)
    Bju, Dinda

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  8. Alunas da Dalva e Lívia ( eu e você) e ainda tem o gen( Nena, eu e vc)!
    Beijos!
    Tchu

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