sexta-feira, 19 de abril de 2013

Um ano nos EUA!


No dia 9 de abril, comemoramos um ano na América. Estávamos recebendo a visita da família, e os dias foram bastante intensos, por isso não deu pra escrever no blog no dia exato. Mas, como ainda estamos em abril, acho que está valendo. Pois bem, um ano e dez dias de América. Dia de falar algo sobre isso... Então, lá vai o discurso (post longo, preparem-se)


Um ano se passou desde o dia que chegamos aqui. Saímos de Goiânia na sexta-feira da paixão, no dia 7 de abril. Paradinha básica na Cidade mais Maravilhosa do mundo, pra despedir em grande estilo da família e do país. Uma vida empacotada em nove malas. Para trás, toda uma história. Casa, móveis, quadros, fotos, roupas: coisas... Muitas coisas que não caberiam na nossa cota: tiveram que ficar. Trouxemos o carinho, as lembranças gravadas na memória, mas as coisas ficaram. O primeiro vestidinho de uma, a primeira manta de outra,  a roupinha do aniversário de 1 ano, o álbum de casamento... Objetos de valor emocional dos quais não é fácil desapegar. Mas, a gente aprende nessas encruzilhadas, de que a vida é feita de PESSOAS e não de COISAS. E as pessoas - donas de todas essas coisas - estavam vindo junto. Aí, fica bem mais fácil. Nossa viagem Rio-Houston aconteceu no domingo de Páscoa. E isso tem um simbolismo muito grande pra nós, que conhecemos a história da Primeira Páscoa ( Êxodo 12).


A nossa vinda para os Estados Unidos foi uma coisa pensada, trabalhada, discutida. Foi um sonho antigo sendo realizado. Não foi uma decisão que surgiu do nada. Ela já estava plantada em nosso coração, apenas aguardando o momento de germinar. 
Eu, particularmente, sempre amei os Estados Unidos. Sou uma pessoa pró-EUA, o que explica o fato de não ter tido nenhuma dificuldade de adaptação aqui. Desde minha tenra infância, ouvia minha avó contando  suas aventuras da época da Faculdade nos Estados Unidos - sim, ela fez Curso Superior de Educação Física em Massachussetts  na década de 40. Chique demais, não? Sempre tive fascínio pela língua e cultura norte-americanas. Passei a infância, esperando ansiosa as visitas da minha tia ao Brasil., que mora aqui desde os 16 anos - era minha tia americana! E sempre ia ao Brasil com sua filha - minha prima americana. Cada vez que chegavam, tinha cheiro e gosto de Estados Unidos pela casa. E eu gostava...  Meu pai é fanático pelos Estados Unidos - pela história, pela cultura, e até pela política norte-americana.  Minha mãe,  então! Apaixonada pelo país! Isso também deve ter influenciado um pouco. 
 It runs on the family! (é de família!)

Aos 9 anos, vim aos States pela primeira vez - presente da minha querida avó. O fascínio se comprovou - era mais do que eu esperava. Voltei depois, várias vezes, já "gente grande", como turista. Tive o privilégio de conhecer muitos lugares. Florida, Nova York, Grand Canyon, California, Texas...Mas, no fundo do coração, ainda estava o sonho de um dia fazer parte disso de uma forma mais comprometida.





A vida segue, os caminhos se tornam diferentes do que a gente imagina, mas sonho que é sonho não morre nunca. E, mesmo depois de formada, pós-graduada e etc... continuei a pesquisar maneiras de exercer minha profissão aqui. Coisa difícil, muito difícil. Mas não impossível. E assim, a ideia foi crescendo, amadurecendo, e  Dr. Marido começou a compartilhar desse mesmo sonho. Não sei ao certo quando começou; quando foi que o "meu" sonho se tornou "nosso" sonho. Só sei que se tornou.  E isso foi fundamental para o sucesso do projeto. O sonho tinha que ser "nosso". Senão, a coisa seria injusta. 


Foram anos de preparo, principalmente financeiro, pois sabíamos que largar tudo teria  um impacto muito grande. Largar tudo significava abrir mão de nossos salários, sem a garantia de renda por um período bem longo - possivelmente dois anos. Traduzindo: seria um projeto ambicioso em todos os aspectos, mas acima de tudo, muito caro.

Fizemos contas, previmos gastos, montamos planilhas. Economizamos, vendemos. Tivemos que aprender a viver com menos. Menos luxo, menos restaurantes, menos salão de beleza, menos empregada, menos babá, menos consumo. Não é tarefa fácil. Uma coisa é viver com pouco. Outra coisa é viver anos com muito e de repente, voltar a viver com pouco. Por opção. Mas, estávamos comprometidos e tomamos essa decisão, porque na vida, sempre precisamos fazer escolhas. E essa foi a nossa.

Parar de exercer a profissão no Brasil para exercê-la nos Estados Unidos. Essa foi a nossa escolha. Mas, não é simples como parece. É coisa cara e penosa. E não é pra qualquer um. Não que sejamos melhores do que ninguém - apenas fizemos a escolha que muitos não fariam.

Em um ano, cozinhei todos os dias. Fomos a dois ou três restaurantes. Fui duas vezes ao salão de beleza pra cortar e pintar os cabelos e uma vez pra fazer as unhas. Nunca tive alguém para fazer a limpeza da casa. Comprei uma sandália e duas botas (e uma coisinha aqui outra ali) Nunca contratei baby-sitter. 

Em um ano, Dr Marido estudou de 8-12 horas por dia. Voltou a andar de ônibus depois de muitos anos... Voltou a fazer conta e colocar tudo em planilha de gastos. Cortou cabelo em casa. Montou móveis. Levou "marmita".

E você me pergunta: Vale a pena? 
Até o momento, posso dizer que este foi o melhor ano da minha vida.  Se é que isso responde a "sua" pergunta...

Ok, agora sério: não amo lavar privada. Não amo aspirar a casa (se bem que é divertido com meu novo aspirador da "NASA"!). Não amo arrumar bagunça. E, definitivamente, não amo procurar pares perdidos de meias... Mas, este é o preço que tenho que pagar para viver meu sonho: para falar inglês com fluência; para fazer cookies decorados;  para aprender francês;  para aprender a costurar;  para ser voluntária na biblioteca da escola das minhas filhas;  para ter mais tempo para orar e ir `a igreja; para levar minhas filhas ao Zoo e ao Museu. Esse é o preço que tenho que pagar para cuidar com dedicação do meu casamento, para oferecer `as minhas filhas uma educação bilíngue e multi-cultural, para dar a oportunidade de uma faculdade americana "Ivy League" pra minha filha mais velha ( e para as outras também, no seu devido tempo). E, por isso, eu pago com gosto.

Não vou dizer que não chorei. Chorei quando minha mãe foi embora, chorei quando meu pai adoeceu, chorei quando filho(a) me magoou. Chorei por compartilhar a dor de filho(a) quando ele(a) estava sofrendo. Coisa de mãe, quem não choraria? 
Mas, não chorei de saudade. Não olhei pra trás. Não senti falta da comida, não senti falta do clima, não senti falta do cheiro, nem de coisa nenhuma. As pessoas que amo, trago no coração. Converso pela internet e pelo telefone. Vou revê-los em breve. É claro que dá vontade de fazer um chá da tarde e convidar velhas amigas. Mas, como não é possível, vou fazer o quê? Me acabar de chorar e murmurar e reclamar? Não!  Faço um chá e chamo novas amigas...( amigas brasileiras, não fique com ciúmes, ok? ) 

A distância geográfica não me incomoda muito. A distância emocional é bem mais perigosa. Por isso, a saudade é pouca. Me sinto perto de quem amo... E isso me fortalece a seguir. 

Depois de 375 dias, as coisas novas e encantadoras do país já não encantam tanto. Os olhos não prestam mais tanta atenção no diferente, porque ele se torna comum. E isso é normal e esperado. Não se trata do fascínio pela Disney nos olhos de uma menina de 9 anos em sua primeira viagem internacional. É o olhar amadurecido de uma mulher de 35 anos, casada, médica, brasileira e mãe de 3 filhas. E esse olhar revela que este país não é a terra prometida, não é o país das maravilhas, e nem é o país perfeito. Mas, ainda assim, é o país que eu escolhi para morar, e é aqui, neste país, que eu quero viver o tempo que Deus me proporcionar. 

Esse é o meu balanço no final desse primeiro ano.
Que venha o segundo!





Guarda-te que não te esqueças do SENHOR teu Deus, deixando de guardar os seus mandamentos, e os seus juízos, e os seus estatutos que hoje te ordeno;
Para não suceder que, havendo tu comido e fores farto, e havendo edificado boas casas, e habitando-as,
E se tiverem aumentado os teus gados e os teus rebanhos, e se acrescentar a prata e o ouro, e se multiplicar tudo quanto tens,
Se eleve o teu coração e te esqueças do SENHOR teu Deus, que te tirou da terra do Egito, da casa da servidão;
Que te guiou por aquele grande e terrível deserto de serpentes ardentes, e de escorpiões, e de terra seca, em que não havia água; e tirou água para ti da rocha pederneira;
Que no deserto te sustentou com maná, que teus pais não conheceram; para te humilhar, e para te provar, para no fim te fazer bem;
E digas no teu coração: A minha força, e a fortaleza da minha mão, me adquiriu este poder.
Antes te lembrarás do SENHOR teu Deus, que ele é o que te dá força para adquirires riqueza; para confirmar a sua aliança, que jurou a teus pais, como se vê neste dia. 
Deuteronômio 8:11-18










terça-feira, 16 de abril de 2013

Preciosas Promessas

"... Porque em nós não há força perante essa grande multidão que vem contra nós, e não sabemos o que faremos. Porém, nossos olhos estão postos em TI."
2. Crônicas 20:12


quinta-feira, 4 de abril de 2013

O causo da máquina perdida e algumas fotos

Todos querem saber o que aconteceu com a máquina teoricamente desaparecida. Para resolver este mistério, vocês, por caridade, me ajudem. Lembram de onde eu falei que deixaria a máquina? (podem colar, confiram aqui.) Pois é, no carro. 
Segue o diálogo após meu workshop de costura. " Dr. Marido, por favor, vai lá no carro e pegue a máquina pra mim, cheguei cheia de coisa nas mãos." "Ok, estou indo." (Vai no carro e volta) "A máquina não está lá não." " Procure no outro carro então." "Já procurei, também não está." "Ih... então será que perdi a máquina?"  "Pois é... novidade..."
Sentiram ? Pois é, eu sempre perco tudo, mesmo, então nem liguei muito para o pré-julgamento. Me conformei com a ideia. Mas, fiquei com raiva de ter perdido a bendita, claro.
Passados alguns dias, eis que resolvo andar no carro que Dr. Marido usa mais frequentemente ( e que coincidentemente, era o carro que eu estava usando no dia do sumiço da máquina).
Entrei no carro. Em duas frações de segundos, eis a minha visão:


Sabem o que é isso, né? Ela mesma! A máquina sumida-largada em qualquer canto-jogada-abandonada-roubada-perdida ou qualquer outro adjetivo que qualifique as coisas que eu desleixadamente deixo fora do lugar.
Agora, vem cá. É só o meu marido que não acha NADA nessa casa? Ou nesse carro - para sermos mais coerentes com o causo. Gente, se fosse uma cobra, dava-lhe uma picada mortífera na hora! E olha que ele procurou a máquina E-X-A-U-S-T-I-V-A-M-E-N-T-E!!! 
Mas, enfim, todos sãos e salvos - eu injustamente acusada, julgada e condenada `a mais terrível sentença de pessoa desorganizada,  mas tudo bem, a gente acostuma. (cara de vítima) 
Então, fotos da Páscoa e Primavera em punho, vamos mostrar. 

 Dia de Rodeio na Escola (Go texans day)


  Blessington Farms (fazenda de morangos)





  Firetruck Park 





 Egg Hunt - caça aos ovinhos





Fábrica de cookies - parte do projeto american housewife ( dona-de-casa americana)




Páscoa na Escola da Beatriz



Lake Livinsgton
 








Sewing workshop - A prova do crime!



E aí, gostaram?
Beijos!