terça-feira, 11 de junho de 2013

A barata diz que tem

Eu não tenho medo de barata. Tenho pavor.
Não chega a ser uma fobia, nem pânico. Digamos que é um medo maior que o normal.
Eu tenho medo de barata morta pra se ter uma ideia. Não é nojo. É medo. De barata viva, é pavor mesmo. Se for barata voadora, eu não sei mais como dar nome ao sentimento. Angina? Pré-infarto?
Eu não sei quando isso começou, mas acho que desde que me entendo por gente. Não me incomoda muito, porque não é sempre que a gente se topa. Obrigada, Deus!

Vamos ilustrar o post com uma joaninha, que é um parente próximo  das baratas, porém bem mais amigável e fofinho.

`As vezes, quando as crianças estão por perto, tenho que me policiar pra não dar o mau-exemplo. Como mãe de três filhas, tenho que esconder o pânico que toma conta de mim quando o bicho se aproxima. Não é tarefa fácil. Porque medo a gente até consegue disfarçar, mas um ataque de pânico é coisa difícil de se esconder.
O caso mais "grave" aconteceu quando eu tinha 6 anos e fui perseguida por uma barata de 2 metros de altura e oito asas eu tinha uns quase 30 anos nas costas. Apareceu uma barata no finado Edifício Indaiá, onde eu morava. ( Finado porque eu não moro mais lá, mas o prédio continua bem, obrigada). Pois a Dona Baratinha ( falando assim ela até parece simpática. E que mau gosto todo um repertório musical tendo a dita cuja como personagem principal, vamos combinar, né?) apareceu no meio do corredor que ia da sala pra os quartos. Ou dos quartos para a sala, depende do ponto de vista. E eu fiquei presa no quarto, sem poder sair, óbvio. Porque, afinal de contas tinha um monstro obstruindo a minha passagem. Eu fiz a coisa mais natural, prática e efetiva a se fazer: tranquei no quarto com a Júlia ( instinto de proteção da cria) e liguei pra minha irmã, claro. Em São Paulo. Mas,  a barata impertinente continuava bloqueando o meu corredor. Em Goiânia.
Eu sei que conversei com minha irmã por umas duas horas, atrás de estratégias para lidar com a situação. E ela: vai lá, faz isso, faz aquilo. "Isso é porque você não está aqui!" Entre as sugestões, a  única que eu acatei foi colocar toalha debaixo das portas para impedir o avanço do inseto em direção ao meu esconderijo secreto. E mais conversa. E faz isso faz aquilo.  E planos mirabolantes.
Sabe o que mais me doeu em toda essa experiência? O tanto que a minha filha de 8 anos ria da minha cara. Eu ali, toda protetora, oferecendo a ela abrigo e refúgio, e ela zoando da minha fraqueza.
Fim da história: Mandei a Júlia atravessar o corredor rumo a despensa pra pegar o Baygon! Mandei a minha criança pegar o Baygon! Força filha, você consegue. A mamãe está aqui dentro do quarto torcendo por você! Orgulho da mamãe! Menina corajosa! A barata foi derrotada pela Júlia e todos foram sãos e salvos, e viveram felizes para sempre.

***

Uma das minhas maiores decepções com este país aconteceu quando eu descobri, a duras penas, que aqui também tinha barata. E olha, elas não são lindas, loiras dos olhos azuis. São horrorosas e apavorantes  - exatamente como as nossas. E como todas ao redor do planeta.  Descobri que tem espécies novaiorquinas, californianas e texanas. Traduzindo: tem barata do Oiapoque ao Chuí dos Estados Unidos, por assim dizer. Mas, elas aparecem basicamente no verão.
Houston é uma cidade muito quente (43 graus Celsius na sombra nessa época.) Pois aqui também tem barata. Eu andei topando com algumas.
Fui lá no office do condomínio cheia de razão pra reclamar das visitas indesejadas (porque é obrigação do condomínio fazer o "pest control", a dedetização). Eu havia recebido o papel , assim que a temperatura começou a subir que a empresa dedetizadora viria `as quintas-feiras. Passadas duas semanas, ninguém apareceu por aqui. Exceto as fulaninhas. Mas, descobri falando com o gerente, que eu tinha que ter marcado com eles - era pra ter ligado para os exterminadores e marcado o dia do massacre. EU não fiz isso, Achei que eles iam aparecer aqui sem marcar ( até parece que americano faz essas coisas assim, informalmelnte. tem que ligar e agendar, dar CPF, carteira de motorista, título de eleitor, assinar um contrato na presença de uma advogado e um monte de firulas).
Então, por inexperiência minha, acabei me encontrando com algumas criaturas por aqui.
Como tudo na vida tem um lado bom ( Pollyanna ataca novamente!), olha o que isso me proporcionou.

L- Mamãe, o papai matou a balata e ela caiu assim ó (  dramatização: Laura cai no chão com as pernas pra cima. E morre de achar graça!)

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L - Mamãe, o papai matou a balata igual Davi matou Golias! ( Que orgullho! Minhas crianças contextualizando as histórias  da Bíblia)

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B- Mamãe, quem criou as baratas?
M- (Pausa) (Silêncio absoluto) (Conto ou não conto que foi Deus que criou as baratas?)
B- Quem, mãe? Quem?
M -(Pensa, pensa,pensa) Foi Deus, filha. Deus criou todos os animais inclusive as baratas.(Barata é um animal? Bem, ou é um animal, ou é um mineral ou é um vegetal. Ou um fungo. Acho que é um animal, mesmo.)
B- Mas, por que Deus cria coisas más?
M- (Pausa) (Silêncio absoluto) (Pensa, pensa,pensa) As baratas não são más. São boas. São decompositoras. Comem lixo. Se não fosse as baratas, o mundo estaria cheio de lixo. (Quase dei início a uma nova campanha do Greenpeace. Salvem as baratas.)

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L- AHHHHHH! (gritinhos fofos) Uma balata!!
M- Lalinha, isso é uma formiga.

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L-AHHHHHH! (gritinhos fofos) Uma balata!!
M- Lalinha, isso é uma aranha.
L - O que é alanha?
M- Spider, Laura.
L- Ah!

***

L -AHHHHHH! (gritinhos fofos) Uma spider.
M-  Rosto pálido. Não, Laura. Corre que isso é uma barata minha filha! Christianooooo!

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14 comentários:

  1. AUHAUHAUAHUAHUA vc mandou a sua filha matar a barata??? auahuahua eu to rindo muito... Imagino o seu pavor, eu tenho nojo mesmo, não pavor... mas já tive pânico de barata.. eu nojo de bichos sujos...

    Kisu!

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    1. Eu mandei e mando até hoje! Huahuahuhauah!!
      Bj

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  2. Mae, nao queria te envergonhar (mais) no seu proprio blog mas eu nao tinha mais de cinco anos quando tivemos o incidente com a barata! Esqueceu de contar que esses dias eu matei uma pra vc, te passei medo e voce chorou! Hahahah

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    1. Ai, como você é má!
      Brincadeirinha... Mamãe ama! Minha exterminadora profissional e competente!
      BJs

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  3. ADORO ler essas historinhas que você conta das suas meninas... dou muita risasa por aqui.
    Já pensou em fazer um livrinho de literatura infantil?????
    iria vender viu.....
    beijos

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    1. Hehehe! Pior que já! Tenho umas historinhas na cabeça. Um dia, quem sabe?
      Bjs

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  4. pois, também odilho barata, mas é mais nojo do que medo no meu caso.
    ao contrário de vc, fiquei muito feliz em saber que pelas bandas de cá nao tem esses bichos (besouros entram nessa categoria) dentro de casa. :)

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  5. E o aprendizado da Lalá é a melhor parte! Até ela fazer 8 anos e ser promovisda a matadora de baratas!

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    1. Eu não tinha pensado por esse lado, mas você me deu uma grande ideia... Treinar as pequenas, porque a grande daqui uns dias não estará mais aqui pra me socorrer!
      Beijos

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  6. You are not alone!!
    Eu tenho medo, pânico, pavor, nojo de barata. Mesmo que esteja morta. E quando alguém mata - pq em 30 anos de vida eu nunca/jamais/em tempo algum matei e/ou matarei uma barata - precisa me mostrar a difunta.

    E eu fiz A MESMA cena que vc fez com a Julia dentro do quarto. Mas tinha uns 11 anos e tava em casa sozinha a noitinha. Tbm tinha esse corredor ligando os quartos à sala e cozinha...e eu deixei TUDO aceso, tv da sala ligada, coloquei um pano pra tapar o buraquinho entre a porta e o chão, fechei a janela e morri de calor. E a barata lá...dona da casa!
    Meus pais chegaram umas 2h depois, não entenderam nada, me viram dormindo e só entenderam quando viram a barata escondidinha na sala.

    AMO a Holanda ainda mais por não ter barata aqui! Pensa numa pessoa feliz e livre de baratas?! ahahahahaha

    Primeira vez que Querido foi ao BR, viu barata. Uma mulher pediu pra ele matar e ele mandou ela matar. ahhaha Nem perto eu estava. Na rua, quando viu, ele saiu da calçada e foi pro meio da rua. Pq barata é civilizada...só anda no MEIO da calçada. ahahahah

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  7. Nossa! Que coincidência! Eu também preciso ver o bicho morto, mas não gosto que me mostrem a barata. É pela incerteza que eu quero ver( vai que o provável exterminador esteja só fingindo que matou, né?) mas também prefiro ver beeeem de longe ( vai que tá viva, ainda?). Eu mato baratas de vez em quando! Olha como sou corajosa! Meu marido fala que eu não mato as baratas pelo efeito do veneno, mato as danadas afogadas no RAID, porque eu jogo tanto tanto tanto. Quase meio tubo por exemplar cascudo. Aff! Odeio. Por um mundo sem baratas!
    Beijos
    P.S.: Mais um país que pode me abrigar daqui pra frente!

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  8. Alo Tchu!
    Assim vou virar leitor de carteirinha deste blog! Ri muito e alem de compartilhar no face (coisa que raramente faco) nomeei o conto como: Aventuras de uma mae brasileira no Texas, e resolvi contar a novela pros meus pequenos Samuel e Suzaninha. E a dupla curtiu. Legal! Vou ficar antenado!
    Grande abraco a todos!

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  9. Olá! Que legal você por aqui... Sempre tem novidade, nem sempre tem inspiração. Mas, a vida é assim, né? E o blog segue o ritmo da vida real. Seja bem-vindo e fique `a vontade.
    Beijos
    Tchu

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