quinta-feira, 27 de junho de 2013

Vem pra Rua

Aviso aos navegantes: ESTE NÃO É UM TEXTO SOBRE POLÍTICA

Eu relutei em escrever sobre esse assunto. Mas, simplesmente não deu pra ficar calada. Sábado passado, a comunidade brasileira em Houston foi `as ruas, em apoio aos milhares (milhões?) de brasileiros que andaram fazendo o mesmo toda essa semana. 



 Sou uma pessoa apolitizada, e sei que isso não é uma virtude ou algo de que me orgulhe. Nunca gostei muito de envolver em questões políticas, apesar de fazer parte de uma família interessada em Política. Interessada e até mesmo envolvida. Mas não diretamente. Pais, avós e tios sempre nos bastidores, nas reuniões, e até mesmo nos palanques, mas nunca nos microfones. Membros de partidos,  diretores até.  Lembro da minha tenra infância de passeatas e carreatas como parte do movimento Diretas Já. Foi nessa época da minha vida, aos 7, 8 anos de idade que deu início a minha participação na Poítica brasileira. E aí mesmo, ela se encerrou.

Brazilian Moms in Houston aderindo ao protesto





Sou da geração de 92  que se manifestou e conseguiu o impeachment histórico do Collor. Era estudante do Segundo Grau (sim, estou ficando velha) Morava em Goiânia, a  200 km de Brasília. Saíam ônibus lotados de estudantes - os cara-pintadas - pedindo solução para aquele grave caso de corrupção que escandalizou o país ( um Fiat Elba, lembram?) e o impeachment do "Caçador de Marajás" que prometia ajudar os descamisados da nação.
Eu não fui. Não sei porque, não tive vontade, eu acho.  Não vi graça em pintar a cara e bradar por algo que eu, aos meus 14 anos, não entendia direito. Sabia que o que o  que estava sendo reivindicado era legítimo, que a corrupção era  errado e  reprovável, mas não acreditei que aquele ato fosse mudar muita coisa.  Não tinha na alma a vontade de me juntar `aqueles jovens - quase todos tão apolitizados como eu - e gritar frases feitas e empunhar bandeiras, na maioria das vezes de partidos de esquerda.






Não acredito em Socialismo e Comunismo. Respeito você, leitor, se por acaso é defensor. Mas, minha desilusão com esses movimentos é principalmente devido ao fato de que a maioria das pessoas que conheci -  prefiro chamá-las de Pseudo-Comunistas   Pseudo-Socialistas - não quererem o bem comum porcaria nenhuma. Querem o seu próprio bem e o resto que se dane. Lobos em pele de cordeiro. Capitalistas selvagens com a foice e o martelo. Que `a primeira oportunidade, esqueceram-se de seus ideais.  E gostam de dinheiro! Ah! Como gostam! O que não tem nenhum problema, o problema é falar uma coisa e fazer outra. Pois eu escolhi ser capitalista, por acreditar que esse é o sistema mais justo. Acredito que a  oportunidade de crescer  e melhorar deve ser sempre estimulada, mas esforços diferentes requerem recompensas diferentes. O que não significa que todos não sejam iguais e que não possuam direitos iguais de acesso `a saúde, educação , saneamento básico e lazer. Isso inclusive, observo mais aqui, no país mais capitalista do mundo. Escola pública pra rico e pra pobre. Boas condições de moradia, infra-estrutura, boas estradas e parques públicos. A Saúde precisa de reforma, mas o acesso ainda é mil vezes melhor do que no Brasil. Mas, enfim, essa discussão está fora de moda. E também não é o tom dessa batalha. E por isso mesmo, dessa vez eu queria ter ido.



Vídeo produzido por Dária Ratliff 


Cheguei a comprar cartolina pra fazer os cartazes e protestar por um país melhor, a 7500  quilômetros de Brasília. Simplesmente, porque, dessa vez, o meu coração estava envolvido. E eu preciso dele envolvido antes de falar qualquer coisa, de bradar qualquer coisa e de escrever qualquer coisa. Eu preciso acreditar primeiro, na cabeça e no coração de que o que estou defendendo faz sentido. E dessa vez, fez sentido pra mim. Não se trata do binômio Socialismo x Capitalismo. Não se trata de um partido específico. Não são apenas vinte centavos. Dessa vez, vi uma nação sedenta de justiça, de educação, de saúde, de remuneração justa. Uma nação cansada de pagar impostos pra sustentar uma corja de ladrões que deveriam ser nossos representantes, mas que não representam nada além de seus próprios interesses. Cansada de ver corruptos serem descobertos e não serem punidos. Cansados de ouvir que ninguém sabe de nada. 

Os desdobramentos políticos disso tudo eu não entendo. Sei que exigências tão vagas não geram revoluções. Li por aí dos perigos de tudo isso ser usado como pano de fundo para um golpe. Uma revolução, quem sabe? 

O que eu quero mesmo é MUDANÇA. Mudança de mentalidade, de julgamento, de valores. Mudança de comportamento. Mudança de certo e errado. E sei que isso leva tempo, mas pude contemplar uma luz no fim do túnel.

Está errado ter caixa 2. Pra eles e pra nós. Está errado sonegar. Pra nós e pra eles. Está errado a compra de votos. Em qualquer instância. Está  errado a compra de votos dos parlamentares. Está errado quem está no comando não saber de nada. Está errado ninguém ser punido. Corrupção, desvio de dinheiro público, ingerência, compras emergenciais, dispensas de licitação, burocracia excessiva, escolas sucateadas,  professores mal-remunerados, obras superfaturadas, inacabadas, falta de segurança, a saúde que é um lixo... Mas, nem vou falar sobre a questão da Saúde no Brasil - senão eu choro. E hoje eu não quero chorar.
Estamos com esses erros engasgados há anos.
É tanta coisa que não tem fim. Mas, tem começo.


Finalmente, alguém resolveu reclamar. Uma considerável soma de pessoas foi `as ruas. Não uns poucos vândalos como algumas emissoras de televisão tiveram a audácia de anunciar. Foi um movimento lindo, pacífico na maioria dos locais, a despeito da grande massa de gente envolvida. Um povo que saiu do comodismo e foi pedir um país mais justo e  reclamar sem fazer barraco, sem querer levar vantagem, sem violência. Caminhadas ao redor do mundo de brasileiros espalhados pela face da Terra, anunciando aos quatro cantos que estamos cansados e sedentos. 


Chamamos a atenção do mundo. Sem apelações, sem caricaturas. A TV latina em Houston fez a cobertura do movimento. Várias emissoras ao redor do mundo publicaram reportagens sobre a "Primavera Brasileira"

Enfim, acabei indo a praia no dia do protesto com minhas crianças, pois o passeio para a praia envolveria toda a família, e a caminhada em Houston excluiria as meninas pequenas, e consequentemente um dos progenitores.
Mas, acompanhei de perto, mesmo que de longe, algo único nos meus 35 anos de vida.
Um real desejo de mudança.



2 comentários:

  1. Todo mundo quer ver mudanças... e espero que dessa vez dê certo.

    Kisu!

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  2. BACANA!!!!
    estamos na torcida...
    beijão

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