sábado, 31 de dezembro de 2016

Uma palavra pra 2017

Eu gosto muito da "palavra" e tudo relacionado a ela. Línguas, textos, livros. Gosto muito de falar e de escrever. Tenho fascínio por peças bem escritas, elaboradas como um trabalho manual. Também aprecio a beleza da simplicidade de uma palavra bem colocada  na hora certa. Curta e certa.
Outra coisa que amo é brincar com o sentido das palavras - o que os americanos chamam inocentemente de "puns" -  o que já  é engraçado por si só.  (pronuncia-se pâns, pelo menos)
Mas,  nunca antes na minha própria história, eu pensei que uma palavra tinha o poder de fazer tanta coisa.

No final de 2015, li em algum lugar um texto de alguém (desculpem a falta de créditos aqui. Coisa feia!) sugerindo que cada pessoa escolhesse para si uma palavra para definir o seu próximo ano. A palavra deveria ser escolhida com cuidado, porque seria algo para você se apegar no ano que, então, se iniciava.  "Audacious" foi a palavra que escolhi - inspirada pelo livro de Beth Moore de mesmo título.  2016 chegou pra mim e eu já estava esperando de braços abertos, pronta pra me jogar audaciosamente nele.

O Ano começou devagar e difícil. Logo percebi que seria preciso mesmo muita audácia pra encará-lo. Foi então que eu falei:

"VEM! VEM 2016 pra você ver o que que é bom pra tosse!"

E ele veio.

Pra resumir, 2016 foi ano que fiz minha primeira entrevista de emprego e consegui meu primeiro trabalho nos Estados Unidos.
Tirei a roupa de ginástica e usei terninho.
Voltei a respirar um pouco mais de Ciência - mas não menos de limpa-móveis e amaciante.
Escrevi artigos científicos para a Indústria Farmacêutica  e colunas motivacionais para uma revista brasileira de variedades.
O namoro no processo de revalidação do meu diploma deu casamento! Em menos de 8 meses, eu fiz meu step 1 e step 2 CK  e passei - até bem passado - nos dois.
Voltei a usar um jaleco e vislumbrei pela primeira vez na vida um Cristiane Tuma, MD bordado no bolso.
Finalizei meu primeiro livro em português pra gente grande e meus primeiros em inglês pra gente pequena.
Finalizei alguns manuscritos bilíngues para crianças.
Desengavetei tudo isso e mandei meus manuscritos para Editoras de verdade.

2016 não foi exatamente o que eu queria. Tive minhas dores, minhas lágrimas.
Mas,  2016 foi exatamente o que ele teria que ser.
Um ano.
365 dias (esse particularmente, foram 366).
Com seus meses e suas estações.
Com dias de chuva e de sol.
Com suas perdas e seus ganhos.
Com suas boas e más notícias.

Quem foi audaciosa, fui eu.

Gostei desse negócio. Do negócio da palavra. E vou fazer de novo.

Pra 2017, minha palavra é "Fervent" e minha inspiração dessa vez é do livro da Priscila Shirer. Mas, a melhor tradução pra português não é fervente, não.

Fervent quer dizer "intensa", "entusiasmada", "apaixonada", entende?

Quero viver esse ano com intensidade.
Com entusiasmo.
Com paixão.


Fervent não é fervente.

Mas até que podia ser, nas palavras de Erasmo.

Vem 2017!
"Pode vir quente, que eu estou fervendo!"

Beijos e até o ano que vem!

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

The bright side of life

"Laura, get down from the bookshelf. You know you can fall, hit your mouth and loose your teeth, don't you?"
"All of my teeth?"
"Yes! Or at least a bunch of them."
"Oh, Mommy this would be perfect"
 "What?"
 "The Tooth Fairy would then make me rich in just one night."

Praying closet

Laura and Bea wake up running and screaming through the house. I am  in my closet having my quiet time.
"Here's where mommy likes to talk with God." - I explain. "Here is where I ask God for guidance, wisdom and patience."
 Laura looks at me intrigued and goes:
"I guess He often doesn't listen."

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Um ano mais de vida


Dizem que uma semana antes do aniversário da gente, rola um tal de inferno astral.
Nos últimos anos, tenho observado esse fenômeno. Vai chegando o meu níver e é batata: bate um baixo astral inexplicável. Amigas esse ano me ligaram perguntando o que estava acontecendo comigo: me acharam abatida nas fotos dessa semana.
Pois até doente eu fiquei. Com febre e tudo, como há muito tempo não ficava, porque afinal, mãe não pode adoecer.
Eu não acredito nessa coisa de astro ditando o que acontece comigo, não acredito em signo disso ou daquilo. Mas creio em um mundo espiritual que não enxergamos e não entendemos.
Parece que alguém do lado de lá não fica muito satisfeito com a gente completando mais um ano de vida. E não me leve a mal, EU AMO MEU ANIVERSÁRIO!!
Mas, por um motivo não muito claro, eu fiquei pra baixo de novo.
Down, down, down
...
Esse post de aniversário é tradicional; sempre escrevo nesta data. Porque,pense comigo: se o dia é meu, eu tenho o direito de fazer o que gosto, confere?É algo que tenho tentado fazer nos últimos anos. Mas tenho hábitos ainda mais velhinhos... Então, na tradição que já dura 39 anos, comecei meu dia agradecendo a Deus. Isso não pode faltar! E embora eu tenha passado o dia todo de cama, consegui estudar, cozinhar, dormir de tarde (M-A-R-A-V-I-L-H-A!) e agora vim aqui rapidinho dar uma escrevinhada final, pra fechar com chave de ouro - antes do jantar especial com minha família.
Este texto é pra me lembrar que Deus me deu mais um ano de vida e eu sou muito grata.
É pra lembrar que eu amo ter nascido em novembro.
É pra lembrar que todo dia 8 de novembro chove, desde que eu me entendo por gente, em qualquer lugar do mundo que eu esteja. E eu amo chuva!
Este post é pra lembrar que faço aniversário no Outono americano, minha estação preferida. E enquanto escrevo, tenho o quintal coberto de folhas. É pra lembrar que eu amo usar botas e isso é possível no dia do meu aniversário.
Este post é pra lembrar que tenho uma família incrível que me apoia e me alegra todos os dias, apesar das confusões e desavenças que de vez em quando aparecem.
É pra lembrar que depois de muitos anos, meu marido fez sopinha pra mim. Ownnnn!
É pra lembrar que no dia 8 de novembro, faz aniversário Marie Curie, uma mulher que é o símbolo feminino da Ciência. É  também o dia do Radiologista, e que talvez tinha algo escrito nas estrelas  antes mesmo de eu nascer...
Este post é ora lembrar  que eu tive uma semana ruim, mas tive um ano incrível, cheio de vitórias! É pra lembrar que tenho uma vida tão boa que me constrange. Não mereço.
Este post é pra lembrar que Deus é o doador da vida e eu consagro minha vida a Ele diariamente, mas hoje em especial.
...
Uma semana pra baixo não tira a minha alegria de comemorar.
Um dia doente não tira a minha gratidão.
E neste cosmos em  que nos movemos sem nunca compreender por completo, a quem quer que seja que não está feliz com meu aniversário, o meu recado:
Só lamento. Eu estou.

Parabéns pra mim.

"Este é o dia que o Senhor fez; regozijemo-nos e alegremo-nos nele."
 Salmo 118:24 

segunda-feira, 27 de junho de 2016

A próxima prova



Estou na vibe das provas desde que resolvi prestar esse bendito Step one para a revalidação do meu diploma. Esse é o meu motivo mais recente  do sumiço do blog. Pois então, foi nesse ritmo de banco de questões que me apareceu a inspiração para o post: a próxima prova é sempre mais difícil. Espera um pouco que vai fazer sentido.

Quando você estava lá longe no Pré- alfabetização, tenho certeza que achou a coisa mais difícil do mundo escrever que "Vavá viu a uva". O mundo não era feito só de vogais? Como assim? Que  dificuldade. Eram tantas letras diferentes. Consoantes- "o que que é isso"?  Escrever bola até que foi fácil, mas depois lá vinha a professora com macaco, banana e sapato pra gente escrever. Aí não! Mas conseguimos!! Você terminou o seu Pré todo orgulhoso porque sabia ler e escrever e eu também terminei o meu. Parabéns pra nós dois!

 Foram "só" três meses de férias pra gente descobrir que era pouco. A gente não sabia era de nada. Tivemos que aprender o cachorro,  o jacaré e o  papagaio. E claro, o ornitorrinco - que não poderia faltar na educação  de nenhum de nós brasileiros. E foi assim, escrevendo um zoológico que a gente saiu do Ensino Fundamental.  "Vavá viu a uva" era coisa pra badequinhos. 

Foi na luta daqueles anos "difíceis" da nossa tenra infância que assimilamos essa constatação: a prova de amanhã é sempre mais trabalhosa. Sim, ela exige mais letras, mais números, mais associações, mais fosfato, mais sinapses, mais neurotransmissores.

Enfim, crescemos. O volume de conhecimento que acumulamos ao longo dos anos é inacreditável. Sei que neste momento, me lêem estudantes e professores, mestres,  doutores e pós-doutores. Posso dizer que chegamos - eu e você - ao topo de conhecimento, se compararmos com a maioria das pessoas ao nosso redor. ( Na verdade, a gente não sabe de nada,  mais ainda assim sabe mais que muita gente.)

Tanto é que se eu escrever que "Vavá viu a uva" mais uma vez, capaz de você desistir e sair da página ( sei escrever goianês também, viu que gracinha?). Porque no fundo, você espera que eu escreva algo interessante. E se você não espera, eu espero e isso já é suficiente.

Os benditos steps da validação do diploma (USMLE) também são assim. Na hora que você jura por A+B que tá dominando bem aquele assunto e tal, aparece uma questão de estilo não-tenho-a-mínima-ideia-de-onde-saiu-uma-coisa-dessa. Sim, meu filho, existem mais mistérios entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia.

E lá vamos nós de volta para os livros, tentando  descobrir  porque cargas d'água a resposta era aquela, E a gente errou. E pra quê a gente faz isso? Para não errar de novo. Simples. Mas pesquisadores afirmam que se você errou da primeira vez, é muito provável que você erre a mesma questão a segunda vez.

Não, esse texto não é só pra nós que estamos na jornada da licença médica americana. Fica firme. Se eu e você (que estamos prestando a prova), e também você, (que entrou aqui  sem ter ideia do que é o USMLE); se a gente tudo junto e misturado tem crescido tanto em nossas jornadas acadêmicas,  por que, me diga por que, criaturas, somos tão resistentes a crescer como seres humanos?

Sim, esse era o X da questão. Falei que não tinha nada a ver com a prova. Faleeeeei!

Por que então queremos com tanto empenho acertar a próxima questão da molécula ultra super não-sei-das-quantas e na nossa vida real ainda queremos "Vavá viu a uva"? Parabéns pra você que já percebeu que essa frase marcou minha infância. Sabe, gente não dá pra ficar no "The book is on the table." (mudei um pouco para dar um tom bilíngue na coisa e pra você ver como sou versada nas letras).

" - Mas, eu já mudei muito - ele diz. Já sou hoje muito melhor do que era ontem!
  - Sim, é verdade - ela  responde. Muito bem! Parabéns!  Mas, você ainda é hoje um pouquinho pior do que amanhã."
(deu muito na cara que é "ela" quem sabe das coisas?)

Esse talvez seja o diálogo de uma mãe com seu filho ou de um mulher com seu marido ou namorado.  Mas, mais que isso, talvez seja o diálogo de  uma pessoa com ela mesma.


As dificuldades de amanhã serão maiores, pode acreditar. E antes que você me ache pessimista, vou logo avisando humildemente, do alto desse pedestalzinho aqui do meu lado que sou uma das pessoas mais otimistas que conheço. Prazer! Pode perguntar pra quem está perto. Mas do alto dos meus trinta e muitos poucos anos, isso eu já aprendi. O amanhã sempre traz provas mais difíceis. E não estamos 100% preparados dia nenhum.


A vida, meu amigo,, é uma constante evolução - ou "crescimento", se você não gostar muito de Darwin. A gente erra, repete a prova, e amanhã erra de novo. Mas até quando? - você me pergunta. Até acertar, ora essa! Mas e aí? - você continua. Aí, a gente parte pra próxima. E a gente erra a próxima ( lembra que a próxima é sempre mais difícil?)  Mas e por que a gente não desiste, afinal?

Pare, inspire, expire.
Encha o peito de ar.
Solte.
Diga 33.

Pense na sua resposta porque eu já vou partir para a próxima pergunta. Sim, tem mais pergunta.

- Aonde VOCÊ quer chegar?

Repita os procedimentos acima.

Eu sei onde quero chegar. E o quanto é penoso e árduo o trabalho pra chegar lá.
Meu desejo pra você é o que também desejo pra mim. Que em sua vida pessoal você tenha um alvo tão nítido como na sua vida profissional. E que você use nela o mesmo empenho que leva para outras áreas. Crescer, evoluir, melhorar.

Que você queira aumentar o seu score, em primeiro lugar, como GENTE.

Se a gente vai passar nas  provas, isso eu não posso garantir. Mas,  pesquisadores recentemente descobriram que assim todos serão mais felizes. Não é esse, em última instância o alvo de todos nós?



" O saber ensoberbece, mas o amor edifica."
 Paulo de Tarso.
( Nem tão recentemente assim)

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Residência Médica nos EUA - sonho, realidade ou pesadelo? PARTE 1

Parte 1

 Há tempos venho pensado em escrever um post sobre a Residência Médica nos Estados Unidos.  Acredito que só uma postagem vai ser pouco, mas tentarei resumir a nossa experiência.
Bom, antes de mais nada preciso informar a você que EU AINDA NÃO FIZ TODO O PROCESSO. Aliás, eu nem COMECEI O PROCESSO.  E não sei NEM SE VOU COMEÇAR UM DIA. Estou muito feliz sendo bela, recatada e do lar. Ha!
Então, continuando o disclosure: toda a informação aqui se refere ao meu marido lindo Christiano.
Sim, estou no mood do romance. Me julguem!
Enfim... vamos começar que o treco é complicado.

Primeiramente, a nossa situação é bem peculiar, devido ao nosso tempo de formado. Este é o primeiro ponto que nos diferencia da maioria dos candidatos. Enquanto residência médica é coisa pra recém-formado, nós já estamos nessa caminhada há muitos e muitos anos. Ele formado em 1996 e eu em 2000. Mas eu, você não conta, porque, lembra, ainda não fiz nadica de nada. Mas você vai ter que me aturar um pouco falando de mim, porque afinal o blog é meu, né?   me sinto um pouco médica ainda.
Simbora.

Pois bem, além de levemente "passados do ponto", nós também já temos residência médica no Brasil. Se você está no comecinho de todo o processo, lamento lhe informar que sua residência aqui não vale porcaria nenhuma quase nada. É preciso fazer tudo do comecinho como se você tivesse acabado de sair da facul, cheio de sonhos, cabelos pretos, sem rugas e tal. Isso significa que meus quatro anos de Clínica Médica e Hematologia/ Hemoterapia aqui não me permitem tocar nem em meio doente. Meu Mestrado não me permite tocar em meio doente. Meu doutorado ( que eu não tenho) e meus trabalhos publicados, também não.
- Ah, mas e só um fellow?

Esse é um assunto interessante. Todo o mundo que fez fellow aqui teve que necessariamente passar por todo o processo de licença médica. Se não passou pelo processo completo, ele não fez fellow. Fez um observer, com "hands in pockets" ou seja, só ficou olhando e ouvindo. A não ser que seja fellow de pesquisa, pra isso não precisa de provas.  Neguim Sujeito pode vir pra fazer pesquisa tranquilo. Research Fellow não precisa de steps.
Mas pra qualquer atuação médica,  ele (ou ela) precisa das provas E da residência médica.
Não é possível atuar como médico sem residência médica nos EUA. A exceção, que eu saiba, é a Radiologia, em que é possível fazer apenas um fellow de 3 anos ( a residência seria de 4) - mas mesmo assim, precisa de todas as provas.

Sem as provas, não tem conversa. Não tem atalho, não tem vias alternativas. Não adianta conhecer o chefe de Harvard. Você não vai pegar em um doente. Mas conhecer o chefe de Harvard vai ajudar lá na frente. Guarda ele aí por enquanto.

São quatro provas ao todo, os famosos steps - mas eles consideram três. Coisa de americano, eu acho.
 O Step 1 é o mais temido pois ele leva em conta os conhecimentos básicos de bioquímica, anatomia, embriologia, patologia, etc.  Para quem está longe disso há mais de 20 anos, é um pesadelo.  Para quem está perto, também, - o trem é chato mesmo. Mas tem que fazer, então a gente faz. A prova é o cróis, como se diz em Goiás. São 8 horas de duração, um verdadeiro massacre.  Meu marido estudou 9 meses 10 horas por dia. Ele passou. Tem gente que estuda menos e passa.   Tem gente que estuda mais e não passa. Cada um é cada um. Essa fase pode ser feita no Brasil em vários centros.
O Step 2 tem duas fases completamente diferentes, por isso, considero dois steps, mas oficialmente é um só.
O Step 2 CK (Clinical Knowledge) leva em conta os conhecimentos clínicos; Cirurgia, Clínica Médica, Pediatria, etc. Também 8 horas de prova e pode ser feita no Brasil.
O Step 2 CS (Clinical Skills) é uma prova prática com atores simulando quadros clínicos. Tem criança também. E tem ligação telefônica com a mãe passando o caso pra vc. Você tem que fazer anamnese, exame físico(menos no caso do tel, claro), diagnóstico, diagnóstico diferencial, etc. Tudo nos moldes made in USA.  Essa você só faz nos States. Não lembro quantas horas de prova, talvez umas 4 a 6 horas, não lembro. Tenho que perguntar meu marido depois. No momento ele está fazendo o ACLS pela terceira ou quarta vez. Ele passa todas as vezes, tá? Mas tem que fazer T-O-D-O  A-N-O. Mas isso é outro assunto.
Se você passar nesses steps, você validou o seu "diploma de médico".

Prontinho, você agora é "que nem que" o médico americano saindo da faculdade. Quase. Você é considerado um IMG - International Medical Graduate  -e isso você não pode mudar. É uma desvantagem porque alguns serviços não são IMG friendlyI. Mas, não é o fim do mundo. Tem muito lugar doidinho pra pegar um IMG. Se joga!

O Step 3 você tem até o final da Residência pra fazer, Meu maridinho lindo idolatrado salve salve já fez o dele. Porque ele fez o fellow antes da residência e para a maioria dos fellows o step 3 é pre-requisito. Acrescentado após re-leitura: o step três são 16 horas de prova, divididos em dois dias. Na época que ele fez, tinha que ser dias seguidos, mas, parece que isso mudou. O fellow antes da residência só é possível se vc já fez residência no Brasil. Eles aceitavam  isso até o ano passado para Anestesia. Parece que mudou e agora precisa de residência aqui.

Enfim, se voce tem as provas, não é garantia de sucesso absoluto. Agora o chefe de Harvard pode ser  BEM útil. O processo todo é feito pelo ERAS. Inclui as provas, cartas de recomendação,  carta do diretor da faculdade do Brasil e  personal statement, ( cartinha mostrando seus interesses, paixões, o tanto que vc é legal e tal) - americano ADORA personal statement. E outras coisas que não lembro. Nessa fase, as notas dos seus steps contam muito ( não é só passar, tem que passar bem passado). Mas também conta seus contatos, aquele telefonema, aquele QI, que aqui é muito valorizado e aberto. Não é um jeitinho, não é escondido, nem proibido. Muito pelo contrário, é super valorizado!!  Networking nesse país é tudo!

Importante salientar: passar em todas as provas não significa que você pode sair medicando o povo.
Passar nas provas apenas significa APENAS  ( sim, repeti mesmo) que você tem o DIREITO de concorrer a uma vaga de  uma residência médica ou fellow.
Entrar são outros 500. Mas toda a trajetória começa por aqui.

E pra você não achar que eu estou dificultando as coisas,  deixo as palavras do meu maridinho pra animar você:

"Se eu consegui, qualquer um consegue."
                                   Santos, Christiano

 Tão humilde, meu bichinho.


As informações detalhadas do processo de revalidação você encontra no site do Educational Comission for Foreign Medical Graduates ecfmg.org

As informações para a residência médica você encontra no site AAMC Electronic  Residency Application Service ERAS

Se vc gostou deste post, também vai gostar deste aqui


Para the love of my life, my sun and stars:  lembra desse post quando for comprar meu anel, tá?

Kahleesi

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Pontos

Aqui em casa as comidas tem pontos. Não aqueles para emagrecer. Os pontos vão para a criança que experimenta coisas diferentes - que no caso das minhas criaturas pode ser até purê de batata. Não precisa gostar, só experimentar e engolir uma vez. Pode até cuspir a segunda vez e não querer mais. Facim, facim.
Mas faz tempo que não faço a tal tabela, porque né, não andam experimentado nadica de nada.

Pois hoje a Laura deu piti pra não comer o que tinha na janta: arroz com aletria (macarraozinho), frango assado com batatas, brócolis com aspargos refogados e salada de alface com tomate. Lembrando que ela só precisaria comer o arroz e o frango. Estava dispensada da batata e de todas as verduras e legumes, já que vegetais podem causar uma reação fatal e deixar minhas filhas estateladas na hora. Então, não forço, para evitar tragédias fatais na hora das refeições. Não compensa.

Mas hoje a Laura não quis nem o arroz e nem o frango.  Pôs mil e um defeitos. Pois bem, coloquei aspargos, brócolis e batata no prato dela.
 - Escolhe. Qualquer um que você comer tá bom.
Ela resmungou, mas eu não dei bola. Milagrosamente, ela pegou o brócolis e comeu mais ou menos um décimo de grama da parte das folhinhas. Em micro-mordidas com cara de nojinho. Acrescentados de 18g de sal , mandou ver (te digo que não compensa).

Depois de orgulhosamente detonar seus 80mg de folha de brócolis, eis que Laura sobe na escrivaninha do home office pra pegar papel e caneta.
Tá lá toda concentrada fazendo uma tabela com umas 28 colunas e linhas. Disse que era pra marcar pontos.

- Que pontos, Laura?
- Ué, mamãe. Os pontos que eu ganhei por comer o brócolis.
- Laura, vc não comeu o brocólis.
- Comi sim, mamãe. Experimentei. O que vale é experimentar.
Verdade. Regra é regra. Computou o ponto na linha dela.

- Laura. que q tanto de ponto é esse aqui na sua linha?
- Bebi leite sem chocolate, mãe.
- Ok, merecido.
E tá lá a lista da menina só crescendo em questão de minutos.
O que me fez pensar.

- Laura, acho que este ponto do brócolis não vale.
- Vale sim, mãe.
- Vale não, Laura. Vc sempre comeu brócolis. Não é uma coisa nova.
- Mamãe, agora não tem jeito. Escrevi de caneta.

E o ponto ficou lá, junto com os outras coisas que experimentou ano passado. Tipo pudim.

Lista de pontos mais fail da vida.

quarta-feira, 30 de março de 2016

Bleh

Sabe aqueles dias da vida da gente que se não tivessem existido não fariam diferença?
Pois é, hoje foi assim.
Um dia bleh.  Tudo que eu programei fazer não deu certo. Na verdade, nem programei nada.
O mais do mesmo.
Tem dia que cansa.
Lancheira pra arrumar e desarrumar.
Menino pra levar e buscar.
Roupa pra lavar - secar - dobrar - guardar.
Sensação de não produzir nada diferente.
Trem sem graça essa vida.
***
Hoje minha imagem no espelho revelou cabelos brancos como nunca antes na história desse país.
Minha comida ficou sem sal.
Minha cachorra estraçalhou o bichinho de pelúcia deixando seus 1328 restos mortais de espuma esparramados pelo carpete recém-aspirado.
Minha grama tá tão alta que meu jardim da frente parece uma plantação de arroz. Mas a máquina de cortar grama pifou.
***
Ainda não sei onde quero chegar com esse post. Porque afinal, tem dois meses e meio que não posto nada e quando finalmente apareço, só tem mimimi.
Gosto de encorajar o povo, de fazer rir, dizer coisas com sentido. Metida a filósofa. Sou dessas.
Me incomoda um pouco despejar as frustrações em palavras e abrir para o mundo ouvir.
Mas talvez por isso mesmo é que escrevo hoje.
***
Talvez - só talvez - eu queira dizer pra mim mesma que não sou perfeita.
Não sou feliz o dia todo.
Não sou feliz todos os dias.
Tem dia que grito com minhas filhas como prometi que nunca gritaria.
Tem dia que acho chato cozinhar.
Tem dia que acho um saco cuidar da roupa da casa. Opa. Isso é todo dia.
Tem dia que é tudo ao mesmo tempo.
Acho que hoje foi o dia.
Talvez - só talvez  - eu queira dizer pra mim mesma que pelo menos um post no blog teve.
E também uma boa conversa .
***
Mas, hoje amanheci meio  sem graça.
E vou dormir meio sem graça.
***
Sei lá, tem dia que deve ser assim mesmo.
Sem muita lição de vida.
Sem muito conselho.


Um dia meio bleh.


domingo, 17 de janeiro de 2016

Casamenteira

huffingtonpost.com
Papo da Laura dia desses:
- Mom, how old was Dad when you got married?
- 23.
- And how old were you?
- 18.
-Mom, you were both TEENAGERS!! - she says surprised.
- Yes, I think we were...
She stops for a second or two, and comes with this one:
- Julia is already 19. I guess it's about time for her to get AT LEAST a boyfriend, right?
:)

These kids...

Abaixo a Mudança

Este é meu texto que foi destaque na Revista Brasilianas no dia 08 de janeiro deste ano.
Confiram!!

            Estão dizendo por aí que este é o ano da mudança. Pra mim, não.
            Em 2016 não quero saber de mudança. Já mudei muita coisa em 2015. E em 2014  também. E assim foram  2013 e 2012. Mudei de casa, de cidade, de  Estado. Mudei de país, de profissão, de visto. Mudei até de classe social. E não, não foi pra subir a escada, dessa vez.
            Ao longo das minhas mudanças, eu conhecei muitas pessoas. Centenas delas. Milhares, talvez. Mas apenas uma, uma única pessoa ousou me dizer, em todos esses anos, que gostava de mudar. Dizia ter o espírito cigano (coisa que, obviamente, eu não pareço ter).
            Que me dêem licença os mudadores. Mudar é um saco.
            Experimente mudar de casa.  Mudançazinha pequena, estou falando. Você rapidamente se verá cercado de tantas caixas, que logo se formarão verdadeiras trincheiras dignas da Guerra Civil. E você passará alguns bons dias andando em um labirinto dentro da sua própria sala. Foi assim comigo.
            Experimente mudar de Estado. Em pouco tempo, perceberá que terá que mudar muita coisa além da mobília. Seguro saúde, seguro de carro, seguro de casa (obviamente), documento do carro e até carteira de motorista.  Foi assim comigo também. Mudei criança de escola, mudei filho de faculdade; mudei de sponsor, mudei de status.
            2015 foi o ano de mudar.
            2016 não.
            Não pra mim.
            E foi assim que comecei o meu Ano Novo , com a resolucão-mór da minha lista interminável de resoluções. Não quero mudar tão cedo. Não quero mudar mais nunca.
            Mas essas resoluções de Ano Novo. Ah, essas malditas! Parecem que ficam esperando a gente, como caçadores  na espreita. Observando a gente, ligadas nas tantas caixas - que ainda não foram desfeitas, elas ficam `a espera dos nossos tropeços. Ao primeiro sinal de fraqueza: Bam! As resoluções nos avisam impiedosamente que  não somos capazes de cumpri-las. E carregamos pelo resto do ano a culpa da nossa desistência.
            Hoje  a minha resolução-mór me pegou no ato. Mal  foi o ano começar e já chegou a hora de desmontar a árvore de Natal.  E lá então, estava eu de novo, atrás de tanta caixa, em tantas idas e vindas na garage. Lá estava eu pensando silenciosamente… Talvez mudar seja preciso...
            E , filosofando enquanto tira os enfeites de Natal,  a gente  percebe que não dá pra ficar com um Papai Noel tamanho família no jardim o ano inteiro. E nem com as luzinhas. Amo as luzinhas! Mas não dá. A guirlanda da porta também tem que sair.
            Acho que é mais fácil ser bicho - penso sozinha enquanto guardo o último boneco de neve. Animais têm feito a mesma coisa há milhões e milhões de anos. Comem as mesmas coisas ( nunca vi um leão vegetariano); e caçam as mesmas presas; e fogem dos mesmos predadores; e moram nos mesmos lugares. É mais fácil. Sem dúvida. E, embora ninguém negue que somos semelhantes em muitos aspectos aos animais, também ninguém nega que somos diferentes.
Mudar é parte disso. Não falo de mudar por um alteração climática ou um desequilíbrio ecológico. Sob pressão, até planta muda! E mudam células,  bactérias, virus...  Até proteína muda!
É preciso mudar, sabe? Mudar sempre. Em 2016, como em qualquer ano. É difícil, mas precisa. Mudar é coisa de gente.
            Mudar de roupa. Mudar de cara. De corte de cabelo. Mudar de mobília. Mudar de decoração. É preciso até mudar de ideia. E de opinião. E de partido politico. Nem dói muito…
            Para falar a verdade, o processo de mudança  também não vem assim  tão natural para nós, seres humanos ( a gente também é um pouco bicho, não é?)  E a gente chega a sofrer, porque não quer mudar. A tal zona de conforto é (surpreenda-se!)uma zona bastante confortável.
            A gente muda porque precisa mudar. Mas a gente também muda porque quer mudar. E isso faz toda a diferença. Querer mudar.
            Mudar é uma decisão que se faz todos os dias. Mudar pra ser mais feliz, mudar pra fazer o outro mais feliz. Mudar porque quer corrigir os erros cometidos, mudar porque quer uma chance de acertar.  Mudar pra alcançar novos alvos, conhecer novos amigos. Mudar para melhorar o que tem em volta. Mudar pra melhorar a nós mesmos.
            Ainda a primeira semana do ano não terminou e a minha resolução-mór  da minha lista interminável de resoluções já foi para o espaço.
Chamem de desistência. Ou de falta de perseverança. Ou do nome que for.
Eu chamo de mudança.
Pra 2016 e para todos os dias.



O link para o artigo da revista é essa aqui: http://www.revistabrasilianas.com/abaixo-a-mudanca/