domingo, 17 de janeiro de 2016

Abaixo a Mudança

Este é meu texto que foi destaque na Revista Brasilianas no dia 08 de janeiro deste ano.
Confiram!!

            Estão dizendo por aí que este é o ano da mudança. Pra mim, não.
            Em 2016 não quero saber de mudança. Já mudei muita coisa em 2015. E em 2014  também. E assim foram  2013 e 2012. Mudei de casa, de cidade, de  Estado. Mudei de país, de profissão, de visto. Mudei até de classe social. E não, não foi pra subir a escada, dessa vez.
            Ao longo das minhas mudanças, eu conhecei muitas pessoas. Centenas delas. Milhares, talvez. Mas apenas uma, uma única pessoa ousou me dizer, em todos esses anos, que gostava de mudar. Dizia ter o espírito cigano (coisa que, obviamente, eu não pareço ter).
            Que me dêem licença os mudadores. Mudar é um saco.
            Experimente mudar de casa.  Mudançazinha pequena, estou falando. Você rapidamente se verá cercado de tantas caixas, que logo se formarão verdadeiras trincheiras dignas da Guerra Civil. E você passará alguns bons dias andando em um labirinto dentro da sua própria sala. Foi assim comigo.
            Experimente mudar de Estado. Em pouco tempo, perceberá que terá que mudar muita coisa além da mobília. Seguro saúde, seguro de carro, seguro de casa (obviamente), documento do carro e até carteira de motorista.  Foi assim comigo também. Mudei criança de escola, mudei filho de faculdade; mudei de sponsor, mudei de status.
            2015 foi o ano de mudar.
            2016 não.
            Não pra mim.
            E foi assim que comecei o meu Ano Novo , com a resolucão-mór da minha lista interminável de resoluções. Não quero mudar tão cedo. Não quero mudar mais nunca.
            Mas essas resoluções de Ano Novo. Ah, essas malditas! Parecem que ficam esperando a gente, como caçadores  na espreita. Observando a gente, ligadas nas tantas caixas - que ainda não foram desfeitas, elas ficam `a espera dos nossos tropeços. Ao primeiro sinal de fraqueza: Bam! As resoluções nos avisam impiedosamente que  não somos capazes de cumpri-las. E carregamos pelo resto do ano a culpa da nossa desistência.
            Hoje  a minha resolução-mór me pegou no ato. Mal  foi o ano começar e já chegou a hora de desmontar a árvore de Natal.  E lá então, estava eu de novo, atrás de tanta caixa, em tantas idas e vindas na garage. Lá estava eu pensando silenciosamente… Talvez mudar seja preciso...
            E , filosofando enquanto tira os enfeites de Natal,  a gente  percebe que não dá pra ficar com um Papai Noel tamanho família no jardim o ano inteiro. E nem com as luzinhas. Amo as luzinhas! Mas não dá. A guirlanda da porta também tem que sair.
            Acho que é mais fácil ser bicho - penso sozinha enquanto guardo o último boneco de neve. Animais têm feito a mesma coisa há milhões e milhões de anos. Comem as mesmas coisas ( nunca vi um leão vegetariano); e caçam as mesmas presas; e fogem dos mesmos predadores; e moram nos mesmos lugares. É mais fácil. Sem dúvida. E, embora ninguém negue que somos semelhantes em muitos aspectos aos animais, também ninguém nega que somos diferentes.
Mudar é parte disso. Não falo de mudar por um alteração climática ou um desequilíbrio ecológico. Sob pressão, até planta muda! E mudam células,  bactérias, virus...  Até proteína muda!
É preciso mudar, sabe? Mudar sempre. Em 2016, como em qualquer ano. É difícil, mas precisa. Mudar é coisa de gente.
            Mudar de roupa. Mudar de cara. De corte de cabelo. Mudar de mobília. Mudar de decoração. É preciso até mudar de ideia. E de opinião. E de partido politico. Nem dói muito…
            Para falar a verdade, o processo de mudança  também não vem assim  tão natural para nós, seres humanos ( a gente também é um pouco bicho, não é?)  E a gente chega a sofrer, porque não quer mudar. A tal zona de conforto é (surpreenda-se!)uma zona bastante confortável.
            A gente muda porque precisa mudar. Mas a gente também muda porque quer mudar. E isso faz toda a diferença. Querer mudar.
            Mudar é uma decisão que se faz todos os dias. Mudar pra ser mais feliz, mudar pra fazer o outro mais feliz. Mudar porque quer corrigir os erros cometidos, mudar porque quer uma chance de acertar.  Mudar pra alcançar novos alvos, conhecer novos amigos. Mudar para melhorar o que tem em volta. Mudar pra melhorar a nós mesmos.
            Ainda a primeira semana do ano não terminou e a minha resolução-mór  da minha lista interminável de resoluções já foi para o espaço.
Chamem de desistência. Ou de falta de perseverança. Ou do nome que for.
Eu chamo de mudança.
Pra 2016 e para todos os dias.



O link para o artigo da revista é essa aqui: http://www.revistabrasilianas.com/abaixo-a-mudanca/

2 comentários:

  1. Eita mudança... kkkkk... pois é minha linda... mudança tem momento que cansa demais... mas mais cansa é ouvir o ser humano falar em mudança e chega no final do ano e nada mudou... se vamos mudar que seja para melhor né? Bjs

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  2. Verdade, amiga! Nem que seja só um pouquinho. Melhor devagar do que parado! Beijo!

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